Família Assad esmaga opositores na Síria

Organizações de defesa dos direitos humanos denunciam o assassinato de pelo menos 1.100 civis, dos quais 220 em Derraa. Entre eles, jovens, mulheres e crianças. Mais de 10 mil pessoas foram detidas por autoridades policiais durante os protestos contra o governo.

Bashar al-Assad tornou-se presidente da Síria em 2000 após a morte de seu pai, Hafez al-Assad. A ditadura Assad tem sido marcada pel desrespeito aos direitos humanos; por crises econômicas; golpes; corrupção e por uma política de duas caras frente ao imperialismo e à Israel.

Atualmente o presidente Bashar está realizando um massacre contra o seu povo, uma verdadeira “operação de limpeza” contra os opositores do regime. O exército está varrendo os arredores de Damasco, Homns, Deraa e Banias.

As intervenções militares são levadas a cabo primeiro através do cerco das cidades, que as autoridades pretendem “limpar”, depois com a utilização de recurso como corte da eletricidade, água e comunicações. E depois com o massacre militar da população, com armas pesadas e leves. Em Muadhamiya, um subúrbio a Oeste de Damasco, foram identificados tiroteios e nuvens de fumaça negra.

Enquanto isso os Estados Unidos da América, a Liga Árabe e a União Européia nada fazem. Muito diferente de como atuam na Líbia.

A Revolução Árabe chegou a Damasco, e ai topou com a sanguinária resistência do clã governante dos Assad. Mas a revolta da Síria, que começou com protestos em escala pequena, continua a se espalhar e crescer. Milhares de pessoas permanecem mobilizadas em Damasco e Homs, na esperança de imitar os protestos de Tahrir Square, que provocaram a queda do regime de Mubarak no Egito.

Um dos símbolos dos protestos é um garoto de 13 anos, morto pelo regime e cujo corpo foi entregue a família com marcas de tortura. Os protestos marcados para esta sexta, 3 de junho, após as orações, estão sendo chamados de “sexta-feira das crianças da liberdade”.

O GARROTE E A CENOURA
A estratégia do regime é reprimir duramente os manifestantes e, simultaneamente, anunciar uma reforma promissora. Mas isso não está funcionando. A Síria está tão atrasada em suas instituições democráticas que nem sequer chegou aos níveis limitados de liberdade que existiam no Egito de Mubarak.

O regime do partido Baath pode de fato estar morrendo, mas sua agonia poderá ser longa e dolorosa. Mas fica a pergunta. Se o massacre é tão grande por que o imperialismo intervém na Líbia e não faz na Síria?

Se a família Assad, assim como a de Kadafi, usa armas de guerra, inclusive tanques, contra as manifestações; os mortos são contados às centenas; os feridos, aos milhares; detentos torturados. Não são a mesma coisa ?

Não, ao menos para o imperialismo. Como dizia Henry Kissinger, a Síria ainda é “um fator de estabilidade no Oriente Próximo”. Particularmente para Israel, mas também para a Turquia, como um bastião contra os curdos.
E, afinal, já bastam o Afeganistão e a Líbia.

Seja como for, ao optar de novo pela matança de seu povo, o regime dos Assad assinou sua própria sentença de morte.