Fake News é rádio peão criada pelo patrão

Comparação das fotos do Carnaval e de protestos contra Bolsonaro desmonta Fake News propagada pelo candidato do PSL

Ao contrário do que parece, Fake News não tem nada de espontâneo

Muita desinformação, imagens manipuladas e fora do contexto, áudios mentirosos, pesquisas falsas e notícias que, de fato, são verdadeiras tratadas como mentiras. Bem-vindo ao mundo das Fake News que tem influenciado decisivamente as eleições brasileiras. Mas o que é Fake News e o que e quem está por trás delas?

Em primeiro lugar, engana-se que a produção das Fake News é algo espontâneo. Elas são produzidas, em sua maioria, por profissionais e empresas da área de comunicação, pagos a peso de ouro pelas campanhas dos candidatos. O que parece ser um áudio ou um vídeo tosco é na verdade algo pensado para ser exatamente assim. Desta forma, a Fake News aparenta ser algo feito por “gente comum” que supostamente faz graves denúncias boicotadas pela grande imprensa. Tudo isso para facilitar a manipulação e aproximar você da suposta notícia. A Fake News, dessa maneira, torna-se aquele mentira muito bem contada.

O WhatsApp é a rede mais difundida entre eleitores brasileiros, utilizada por 66% deles, ou 97 milhões de pessoas, segundo a pesquisa Datafolha. É maior do que o Facebook, usado por 58% dos brasileiros que votam. O exército virtual de fakes montado por empresas criam perfis falsos no Facebook, se infiltram em grupos de WhatsApp e promovem uma onda avassaladora de mentiras. Portanto, aquilo que você recebe no grupo da família, do futebol ou da igreja tem grandes chances de ter sido produzido por essas empresas profissionais da comunicação. Mas tudo bem feito para fazer você achar que é a gente comum que está por trás da “informação”. Claro que umm Fake News pode ainda sair das redes sociais e ganhar outros meios de comunicação, principalmente o rádio. Há muitas rádios que fazem o jogo de espúrios políticos locais que podem se utilizar da mentira em benefício próprio, como se eleger ou detonar um adversário local.

A campanha de Bolsonaro é a que mais tem se beneficiado com as Fake News. Há um exército virtual pago por sua campanha dedicado a espalhar notícias falsas. Uma das Fakes mais famosas é a suposta fraude nas urnas eletrônicas. A história era a de que, ao apertar número 1, a urna eletrônica só mostrava o número de Haddad. Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, compartilhou um vídeo mostrando suposta fraude em uma urna. Profissionais da comunicação provaram que o vídeo era falso. Mas pare e pense um pouco. Como é que houve fraude em urnas eletrônicas se o próprio Flávio Bolsonaro foi eleito senador pelo Rio de Janeiro?

A turma do Bolsonaro também difundiu a falsa informação de que as imagens do #EleNão no Largo da Batata, em São Paulo, foi o ‘Carnaval de 2017’. Ou ainda, difundiu áudios e depoimentos, supostamente realizados por “gente comum”, dizendo que nos protestos do #EleNão só reuniram “maconheiros”, enquanto os protestos em prol de Bolsonaro só havia “famílias”.

Assim o Fake News também é produzido para desqualificar e neutralizar o impacto de notícias que são verdadeiras. Outro exemplo disso foi quando o general Mourão, vice de Bolsonaro, disse que “13º salário é jabuticaba” e que deveria acabar. Rapidamente, a campanha Bolsonaro entrou em ação dizendo que a declaração era Fake News. Ora, basta ver o vídeo da íntegra do discurso de Mourão para comprovar que ele realmente defende o fim do 13° salário. Além disso, Mourão ainda fez mais duas declarações contra o 13° poucos dias depois.

Comentários contra os nordestinos realizados por gente preconceituosa que apoia o Bolsonaro, encheram as redes sociais após o primeiro turno das eleições. Mas uma vez, os profissionais da Fake News entraram em ação dizendo que tudo “não passava de Fake News”. Aqui é mais um exemplo de que a verdade pode ser anulada pela mentira.

A Fake News é a velha boataria que pode produzir o chamado “efeito manada” que faz as pessoas de seguirem uma notícia ou informação, sem que a decisão passe por uma reflexão. A propagação de mentiras, notícias falsas e preconceito tem um objetivo claro: dividir a classe trabalhadora para que os de cima possam continuar governando. Vejamos um exemplo concreto: imagine um grupo de trabalhadores que resolvem fazer uma greve e criam um grupo no WhatsApp para facilitar a troca de informações. No entanto, no grupo também há pelegos que puxam o saco do patrão em troca de benefícios. Por isso começam a difundir falsas notícias, fofocas, preconceito e ódio com o objetivo de enfraquecer a greve e fazer o patrão ganhar a parada.

É a velha política de “dividir para reinar”. Para isso, não há melhor estratégia do que semear a confusão e preconceito para que tudo fique igual ou ainda pior.