Estudantes chilenos voltam às ruas

Uma nova mobilização levou milhares de estudantes chilenos às ruas, nesta quinta, 22 de setembro. O protesto, realizado na capital, Santiago, reuniu 150 mil pessoas, segundo a Confech (Confederação de Estudantes do Chile). A imprensa destacou a presença de 100 mil e comparou com grandes atos anteriores.

Palavras de ordem como: “e vai cair, e vai cair, a educação de Pinochet”, voltaram a serem ouvidas nas ruas. A manifestação foi pacífica, mas ao final, a polícia atacou com bombas de gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar grupos de jovens. Cerca de 50 pessoas foram detidas.

A grande mobilização revela que o movimento não está desgastado, como afirma o governo Piñera e a grande imprensa. O protesto, além de ser uma prova da força contra o governo, também mostrou a disposição dos estudantes em se manter mobilizados até o atendimento de suas reivindicações.

No entanto, se por um lado a mobilização tende a ser retomada com força, por outro é preocupante a política levada a cabo pelo Partido Comunista Chileno, expresso pelas palavras de Camila Vallejo, presidente da FECh e principal líder dos protestos. Segundo o jornal El Mercúrio, Vallejo reconheceu que no interior do movimento estudantil se está avaliando a possibilidade de seguir mobilizados, mas retornando às aulas.

“A proposta que se está discutindo é fechar o semestre e passar ao segundo, e está a opção de que seja sem aulas ou com aulas, mas com horários resguardados para poder realizar as assembleias estudantis, as discussões e o calendário de mobilizações”, , disse a dirigente.

O retorno as salas de aula significariam, na prática, o sepultamento de todo o processo de mobilização, e ainda tiraria do movimento estudantil um dos seus principais trunfos para forçar o governo a aceitar suas reivindicações. Por outro lado, a proposta sequer foi apresentada seriamente às bases do movimento estudantil do país. Ou seja, é mais uma manobra burocrática, sem passar nos fóruns do movimento.

Os rumos da revolta dos estudantes chilenos estão em franca disputa. Novas mobilizações e marchas estão previstas para os próximos dias 29 de setembro e 7 de outubro, sendo que esta última é a data limite estipulada pelo governo para a retomada das aulas.