Este é um governo em disputa?

No final de semana anterior à divulgação da carta de intenções, realizou-se a reunião do Diretório Nacional do PT que aprovou “100%” a política econômica levada pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Dos 27 itens da resolução do Diretório Nacional, 10 são dedicados à defesa da política econômica do governo, desde o aumento da taxa de juros para 26,5% ao mês até a elevação do superávit primário para 4,25% do PIB.

Além disso, o Diretório Nacional do PT avaliou como positiva a composição política do governo e propõe que a base governista seja ampliada: “É preciso ultimar negociações com outro setores partidários, principalmente com o PMDB”.

Tanto o conteúdo da carta de intenções quanto as resoluções do Diretório Nacional do PT, que endossaram o conteúdo essencial da primeira, deixam claro qual o caráter deste governo.

Por isso, concordamos com João Batista Babá (PT-PA) quando afirma num artigo assinado na Folha de São Paulo: “São várias as vozes que pedem paciência, ‘são só dois meses’. Porém estes dois meses foram mais que suficientes para que o governo tomasse importantes decisões que satisfizessem os ‘mercados’, aos quais não foi pedido ‘tempo’ nem ‘paciência’”.

Entretanto Babá e os demais setores da esquerda do PT que criticam a política econômica muitas vezes afirmam que este é o “o nosso governo”, que está em “disputa” e dizem que seria possível empurrar esse governo de conjunto para a esquerda. Na nossa opinião estes companheiros estão equivocados.

Não é possível empurrar para a esquerda, levar à ruptura com o projeto de recolonização imperialista e fazer com que realize mudanças estruturais que beneficiem os trabalhadores um governo composto por Henrique Meirelles, do BankBoston, Luís Furlan, da Sadia, e Roberto Rodrigues, do agrobusiness, e aliados a partidos como o PL e o PMDB, que apoia-se no Congresso Nacional e está atrelado a um acordo com o FMI.
Essa posição dúbia semeia confusão nos trabalhadores e tende a levar a que estes companheiros busquem desviar as lutas dos trabalhadores de um provável choque com o governo.

Post author Euclides de Agrela,
da redação
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