Encontro reúne 1.500 contra a reforma universitária

“Contra a reforma, neoliberal, armar as lutas no Encontro Nacional”. Com este grito, os estudantes chegaram à Universidade Federal do Rio de Janeiro para participar do Encontro Nacional Contra a Reforma UniversitáriaEstudantes de 17 estados e de 70 universidades (públicas ou privadas), além 18 escolas do ensino médio participaram do Encontro Nacional, nos dias 29 e 30 de maio, no Rio de Janeiro. Foram inscritos 1.220 estudantes, mas nos dois dias passaram pelo Encontro cerca de 1500 pessoas.

No primeiro dia, a mesa sobre as situações mundial e nacional contou com a presença de José Welmovicki, doutorando pela Unicamp, José Maria de Almeida, da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e da direção Nacional do PSTU, e do professor da UFF, Cláudio Gurgel, membro do grupo Reage PT.

Os temas mais debatidos foram a ofensiva imperialista sobre os povos do mundo, em especial sobre o Iraque, e o governo Lula, considerado “traidor” pela maioria dos participantes. A conclusão dos debates foi reforçar a unidade da juventude e dos trabalhadores que se levantam contra a guerra e o FMI e organizar a luta contra o plano econômico e as reformas do governo.

“Ô Lula, presta atenção, esta reforma é privatização!”

O debate sobre a reforma Universitária foi o mais aguardado e contou com a presença dos representantes do ANDES-SN José Domingues, Janete Luzia Leite e José Vitório Zago, além da diretora de da UNE pela Oposição, Júlia Eberhardt.

De acordo com os palestrantes, a reforma é um plano de subsídios para salvar as faculdades privadas e uma tentativa de privatizar as universidades públicas, com o corte das verbas estatais e a captação de recursos na iniciativa privada. A adequação do sistema educacional brasileiro à implementação da Alca também foi denunciada.

Nos grupos, os estudantes criticaram os principais pontos já apresentados pelo governo, como o projeto de Avaliação (SINAES), a compra de vagas nas faculdades privadas (Universidade Para Todos) e as cotas nas universidades públicas.

Outra unanimidade foram as críticas a UNE. Lucimar, do DCE da UFMG, foi taxativa: “A UNE não é nossa representante no debate da reforma Universitária. Ela hoje fala em nome do governo e ajuda a elaborar esta reforma privatizante”.

As principais resoluções

Os dois dias de debate resultaram em um plano de campanha contra a reforma Universitária e em um manifesto chamado Carta do Rio de Janeiro aos estudantes e trabalhadores de todo o país.

A campanha prevê atividades até o mês de novembro, quando deverá ser apresentado pelo governo o Projeto de Lei sobre a reforma.

Entre os pontos altos do calendário está a participação no ato do dia 16 de junho, em Brasília. Foi discutida a proposta de um Plebiscito Nacional sobre a reforma, que será avaliada pela Coordenação Nacional. Para o primeiro semestre de 2005, foi aprovada a realização de um II Encontro Nacional.

Uma das maiores vitórias foi a organização de uma Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes, que recebeu a adesão de mais de 60 entidades. Roberto Aguiar, do comitê contra a reforma da UFPA, avalia a decisão aprovada: “A coordenação é uma necessidade para lutar contra a reforma, já que a UNE está defendendo o governo”. A primeira reunião da coordenação ficou marcada para o dia 17 de junho, em Brasília.

  • Confira o calendário:

    Junho:
    16 – Ato em Brasília.
    21 a 26 – Semana de debates e aulas públicas contra a reforma.

    Agosto:
    Início do mês – Calouradas sobre a reforma.
    9 a 14 – Semana Nacional de Mobilizações.

    Agosto/Setembro – Realizações de Encontros estaduais.

    Novembro – Mobilizações Nacionais na data de apresentação do projeto de Lei da Reforma Universitária.

    Site do Encontro Nacional: www.encontroreforma.tz4.com
    Site da Juventude do PSTU: www.pstu.org.br/juventude

    Post author da redação
    Publication Date