Encontro dos Movimentos Sociais Mineiros define lutas unificadas

No terceiro e último dia do II Encontro dos Movimentos Sociais Mineiros, os participantes aprovaram a Declaração Política do Encontro e o Plano de Ação. A declaração baseia-se na análise dos governos Lula (PT) e Aécio (PSDB), dos compromissos desses com os grandes empresários, banqueiros e latifundiários. O texto aponta a construção de uma agenda unificada de lutas e mobilizações em torno de dez pontos comuns de reivindicação dos vários movimentos que participaram do evento. A primeira atividade assumida é a realização de manifestações e paralisações no próximo dia 23 de maio.

Passeata agita o centro de Belo Horizonte
Antes de retornarem às suas regiões, os ativistas do II Encontro realizaram mais uma passeata pelas ruas centrais de Belo Horizonte, com aproximadamente 600 pessoas. A caminhada dirigiu-se à Assembléia Legislativa do Estado, passando pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e pelo Ibama.

A denúncia da transposição do Rio São Francisco foi simbolizada pelo descarregamento de centenas de quilos de peixes mortos na porta da Cemig. Recentemente, a empresa foi responsável pela matança indiscriminada de uma quantidade enorme de surubins (também conhecido como dourado em algumas regiões do país) por conta da abertura das comportas da Barragem de Três Marias, no norte de Minas, durante o período de procriação da espécie.

A fonte de trabalho de milhares de pescadores se perdeu, o que pode levar à migração dessas populações ribeirinhas de suas regiões nativas. Seguramente, essa ação da Cemig foi calculada, pois retira da região da bacia do São Francisco trabalhadores que vêm se enfrentando com o projeto de transposição.

No Ibama o protesto teve como centro a denúncia da recente liberação das licenças ambientais pelo órgão, possibilitando o início das obras da transposição do São Francisco.

Projeto pela redução da tarifa de energia é entregue na Assembléia Legislativa
A manifestação se encerrou na Assembléia Legislativa, com a entrega de 130.000 assinaturas de apoio ao “Projeto de Iniciativa Popular Dom Luciano Mendes”. O Projeto de Lei, que teve as Pastorais Sociais da Igreja Católica como principais protagonistas da coleta das assinaturas, prevê a isenção das tarifas de energia elétrica para famílias que consomem até 100kw por mês e a redução do valor da tarifa de energia residencial. Em Minas Gerais, o custo da energia cobrado na conta residencial é até três vezes maior do que os valores pagos pelas mineradoras e siderúrgicas: é o retorno dado pelo governador Aécio Neves aos seus financiadores de campanha.

Um novo tempo: novos atores para novas lutas
Era visível a felicidade dos participantes do II Encontro após toda a maratona de atividades. Apesar de todas as dificuldades organizativas, desde a improvisação dos alojamentos até o fornecimento da alimentação – dificuldades criadas, principalmente, pela prefeitura petista de Belo Horizonte que, na última hora, retirou parte importante do apoio que havia se comprometido em dar ao evento – a sensação era de dever cumprido.

Outro ponto importante era o sentimento de unidade com a Conlutas manifestado por muitos militantes da Via Campesina (MST, MAB, MPA e outros movimentos). As organizações que compõem a Via fazem parte da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais) da qual também faz parte a CUT. Vários desses trabalhadores colocaram adesivos da Conlutas em suas roupas e participaram, com essa identificação, da passeata de encerramento do Encontro.

A crítica à CUT era recorrente, não só pela sua ausência no Encontro, mas, principalmente, pela sua postura de defesa não-crítica do governo Lula e a negativa em unificar as mobilizações dos setores explorados de nosso país. Na próxima semana acontecerá uma plenária de avaliação do Encontro e de preparação das atividades do Dia Nacional de Luta em 23 de maio.

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