Em greve, metalúrgicos da GM param Dutra contra as demissões

Manifestantes percorreram cerca de 8 km de passeata
Fotos Diego Cruz

Greve teve início no dia 10; demissões chegam a 600 estima o sindicato

Um ato histórico. Foi assim que dirigentes sindicais e antigos ativistas e militantes classificaram a manifestação contra as demissões na General Motors de São José dos Campos (SP) realizada na manhã dessa sexta, 14. O protesto reuniu cerca de mil pessoas e teve início em frente à montadora, seguindo em passeata rumo ao centro da cidade, parando a Rodovia Presidente Dutra no sentido Rio – São Paulo e percorrendo sete quilômetros embaixo de muito sol.

Além de metalúrgicos demitidos, a manifestação contou com a participação das esposas, filhos e familiares dos operários. Também apoiaram o ato trabalhadores de outras fábricas, como operárias da Sun Tech. Engrossaram ainda o protesto centrais sindicais como a CSP-Conlutas, à qual o sindicato é filiado, além da CGTB, Intersindical, e diversos sindicatos, movimentos e partidos de esquerda como o PSTU, PT e correntes do PSOL.

Além da disposição de luta dos metalúrgicos, a passeata foi marcada por demonstrações de apoio de motoristas, passageiros de ônibus e populares durante praticamente todo o trajeto.


Manifestantes ocupam a Rodovia Dutra

Indignação
O clima geral no ato era de muita indignação contra a GM e as centenas de demissões realizadas por telegrama nas vésperas do Dia dos Pais. “É uma revolta muito grande, meu esposo sempre deu o sangue por essa empresa e agora é tratado como se fosse descartável“, afirmou indignada a mulher de um dos operários demitidos. “O telegrama chegou em casa e ele estava fazendo hora extra, tive de avisá-lo por telefone que ele estava demitido“, relata outra esposa. “Não tivemos dia dos pais em casa, eu e meu filho pegamos o presente que daríamos no domingo e demos para ele no sábado, pra ver se dava uma animada“, conta emocionada outra esposa.

A indignação e a solidariedade dos demais operários da planta de São José fazem com que essa greve contra as demissões seja a mais forte dos últimos anos. “É a greve mais forte que já tivemos em 16 anos, com paralisação total das atividades, muita solidariedade, muita revolta, porque a empresa fez essas demissões de forma muito covarde“, afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José e Região, Antônio Macapá.

Mas os trabalhadores estão resistindo e mostrando que só a luta e a greve podem enfrentar as demissões”, disse, explicando que os metalúrgicos reivindicam a anulação das demissões, a redução da jornada sem redução dos salários para garantir os empregos e a estatização das empresas que insistirem em demitir, além da proibição da remessa de lucros para o exterior.

Essa luta é também pra cobrar do governo da presidenta Dilma uma solução para o desemprego que cresce no país como resultado da política econômica que esse governo tem aplicado“, afirmou o Presidente Nacional do PSTU, o metalúrgico Zé Maria. “O governo tem sido muito prestativo pra socorrer as empresas, exigimos agora do governo que socorra dos trabalhadores, que garanta seus empregos“, complementa, fazendo um chamado ainda para que o “conjunto dos sindicatos, dos mvoimentos populares e sociais se solidarizem com essa luta, pois só a nossa união poderá garantir a vitória“.

Atualização No final desta sexta a GM divulgou o número oficial de demissões: 798

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