As polícias militares brasileiras informam: sim, existe pena de morte no Brasil!


A chacina na Grande São Paulo e o Estado vingativo democrático de direita

Acontece, no entanto, que a pena de morte brasileira é aplicada sem investigação, sem julgamento, sem direito à defesa. Quem realiza a acusação, é o mesmo que julga e executa a sentença: são as polícias militares de todos os estados de nosso país.

Essa aberração do nosso chamado “Estado democrático de direito” se realiza nos territórios pobres, contra os pobres e com especial opressão ao povo negro e não branco de nossa população.

Os governos parecem tratar com naturalidade a violência que assola a possibilidade da paz para milhões de trabalhadores e trabalhadoras que, entre o som dos tiroteios e o barulho do despertador que os acorda para a labuta, equilibram a vida por entra as balas (diga-se de passagem que, todas elas chegam através das polícias e das Forças Armadas que dizem combater os traficantes que eles mesmos seguem armando).

Semanas atrás, um sargento foi assassinado no estado do Amazonas. Resultado: 6 pessoas presas como suspeitas e 48 pessoas assassinadas em ações que – segundo as investigações – podem ser atos de revanche da polícia de lá.

Semanas atrás, dois policiais foram mortos na cidade de Osasco (região metropolitana de São Paulo). Resultado: na madrugada do dia 14, 19 pessoas foram assassinadas em ações que – segundo o Secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo – podem ser atos de revanche da polícia daqui.

Parece-me um tanto quanto absurdo que a palavra “revanche” seja tão “naturalmente” associada a um grupo militar que representa o Estado, onde quer que esteja. Nosso Estado seria então um Estado revanchista? Seria um Estado vingativo? Como é possível que o debate da redução da maioridade penal seja apressado em nome de uma falsa “busca por punição” (quando na realidade apenas 0,01% dos crimes violentos tem a participação de jovens com menos de 18 anos) enquanto o debate sobre a desmilitariazação das polícias continue engavetado, um debate tão morto quanto todos aqueles e aquelas que morrem todos os dias em algum lugar do Brasil atingidos pela munição pesada do nosso Estado Vingativo Democrático de Direita.

Nossas condolências a todos os familiares que perderam seus entes queridos

Helena Silvestre é integrante do movimento Luta Popular