Em congresso histórico, petroleiros decidem fundar nova entidade nacional

O clima era de festa no final do III Congresso Nacional da Frente Nacional de Petroleiros (FNP). Os debates foram intensos, e os delegados estavam bastante cansados. Mesmo assim, o tempo não fora suficiente para se esgotarem todas as discussões.

Mas a felicidade era grande. Por unanimidade, foi deliberada pelos 78 delegados e 34 observadores a criação de uma nova entidade nacional. Os petroleiros decidiram que o congresso de fundação será após a campanha salarial de 2009, tendo como limite o final do ano.

No congresso, estiveram delegados de seis sindicatos: Amazonas, Pará, Amapá e Maranhão; Alagoas-Sergipe; Rio de Janeiro; Litoral Paulista; São José dos Campos; e Rio Grande do Sul. Também foram eleitos representantes de cinco oposições: Unificado-SP, Norte Fluminense, Bahia, Rio Grande do Norte e Caxias.

Os delegados e observadores do congresso concluíram que a Federação Única dos Petroleiros (FUP), fundada depois de muita luta e após derrotar os pelegos no início dos anos 1990, já não representa mais os interesses da classe trabalhadora e da categoria petroleira. A FUP coloca a defesa dos interesses do governo Lula em primeiro lugar, contra as necessidades da categoria.

A entidade governista enganou os trabalhadores na greve nacional dos cinco dias, em março deste ano, quando disse aos petroleiros que confiassem na direção da empresa e encerrassem a greve, pois, segundo a FUP, não haveria punições. Agora, a Petrobras pune os trabalhadores no Brasil inteiro. Só na Bacia de Campos, são mais de 90 punidos.

A FUP também traiu os aposentados na campanha da “repactuação” que, na prática, reduziu a aposentadoria. A Frente também não defende os interesses dos terceirizados. Na campanha “O petróleo tem que ser nosso”, prepara-se para aceitar um acordo rebaixado ao anunciar a defesa de uma empresa 100% pública e centrar sua campanha no Pré-Sal sem exigir a anulação de todos os leilões.

O Congresso Nacional da FNP, ao contrário, votou como pontos de princípios da nova entidade: a luta por uma Petrobras 100% estatal; o fim dos leilões e a retomada das áreas leiloadas; a luta permanente pela independência política e financeira em relação ao Estado, aos governos e aos patrões; o apoio às lutas dos trabalhadores e suas organizações; e a defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores.

Nos próximos seis meses, a FNP pretende realizar um intenso debate na base sobre a organização e o funcionamento da nova entidade, onde tudo deve ser decidido pela base, passando por assembleias de trabalhadores. São os petroleiros que decidirão temas como mandato da direção, o que fazer com o imposto sindical, instâncias, forma de eleição etc., diferente da direção da FUP, que acabou com os congressos anuais e ampliou o mandato eleitoral para três anos.

Para impulsionar o processo de debate preparatório na base e de preparação da campanha salarial, garantindo a estrutura e produzindo materiais, o congresso elegeu uma direção provisória que será composta por dois representantes de cada sindicato.

Com relação à campanha salarial, foi votada a pauta de reivindicações históricas que, agora, será debatida e votada na base. Depois desse debate, será apresentada à direção da empresa e haverá uma plenária nacional dos petroleiros, com representantes da FUP, da FNP e independentes para conduzir a campanha salarial independentemente das diferenças políticas. Foi aprovado, também, um calendário de luta que inclui o Dia Nacional de Luta em 14 de agosto.

A FNP e o embrião da nova entidade continuará na campanha “O petróleo tem que ser nosso”, construindo a máxima unidade na ação, mas empunhando suas bandeiras, como da “Petrobras 100% Estatal”. Os petroleiros deliberaram, ainda, pela realização de um encontro nacional das empresas que devem ser reestatizadas, que deverá reunir trabalhadores da Petrobras, Vale do Rio Doce, Embraer, Correios etc. para travar uma luta comum, mostrando que uma das marcas da FNP é a defesa da ampla unidade da classe trabalhadora.

Sem dúvida alguma, os petroleiros brasileiros demonstraram novamente que estão na vanguarda do processo de reorganização e servirão, mais uma vez, de exemplo para as demais categorias.