Em Campinas, grevistas enfrentam autoritarismo da prefeitura

Prefeito Hélio de Oliveira aumentou o próprio salário de R$ 8.700 para R$ 13.500, mas ataca servidores. Guarda Municipal lançou bombas de efeito moral e gás de pimenta contra manifestantesA greve dos servidores municipais de Campinas já completou 15 dias. Os trabalhadores começaram a luta por um reajuste salarial de 18%. Desde as primeiras assembléias, demonstraram muita disposição para construir a mais importante greve dos últimos anos. A atitude da categoria era justificável, pois como outros servidores públicos, carregam anos de arrocho e precarização. Além disso, acordos assumidos após greves passadas foram sistematicamente descumpridos pela prefeitura. Pressionada pela base, a direção do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público de Campinas (STMC), ligada ao PSB, foi obrigada a construir a greve. Diariamente passeatas percorrem o centro de Campinas, com mais de 1.500 trabalhadores.

O governo municipal de Hélio de Oliveira é uma coalisão entre PDT, PT e PCdoB. Acusado de nepotismo (parte da família está na administração, incluindo esposa e filha), teve a cara-de-pau de reajustar seu próprio salário em 56%! Estendido a comissionados e vereadores, o dinheiro desviado do orçamento ultrapassa os R$ 2 milhões.

Frente ao imenso desgaste da administração com a greve, Hélio de Oliveira iniciou há uma semana uma intensa campanha pela rádio e televisão de criminalização. Seu principal argumento é que os gastos com a folha de pagamento estão comprometidos com a Lei de Responsabilidade Fiscal. No entanto, na hora de ter seu salário aumentado de R$ 8.700 para R$ 13.500 simplesmente ignorou a LRF. Mais uma vez foi demonstrado que a LRF só existe para atacar os trabalhadores, pois os governos engessam o orçamento público para garantir os privilégios dos banqueiros, empresários e seus representantes políticos. Nada justifica oferecer apenas 5,7% de aumento para o servidor. Nestes anos de especulação, terceirização e arrocho salarial, a arrecadação municipal cresceu muito. Só neste ano subirá pelo menos mais 7%. Mas, todo esse dinheiro vai parar nas contas dos bancos, das empresas privadas…

A campanha na televisão não surtiu muito efeito. Mais causou indignação naqueles que ainda não haviam paralisado, e assim a greve iniciou sua terceira semana com possibilidades de arrancar uma vitória. No entanto, a direção do sindicato, surpreendida pela intensidade da luta, via que os servidores dificilmente aceitariam uma derrota da greve, e inesperadamente levou numa assembléia muito dividida a proposta de rebaixar o índice de reajuste para 7%. Sem sequer ter esperado o governo oferecer uma proposta decente, a direção do STMC, num momento de fortalecimento da greve, aceitou negociar migalhas para os servidores.

O governo municipal se recusa a negociar e trata a greve como caso de polícia
O crescente descontentamento com todos os partidos da Câmara de Vereadores e o desgaste do governo têm tirado o sono do PT e do PCdoB. Com isso, foi iniciada uma verdadeira “operação desmonte” por parte da prefeitura e da base aliada. Na terça, 2 de junho, os servidores foram violentamente reprimidos. Muitos membros de base da Guarda Municipal tinham se solidarizado com a greve, porém, uma parte deles se comporta como capachos do governo, e sempre atuaram como segurança privada dessa prefeitura dos ricos. Sob ordens diretas da prefeitura, partiram para a repressão com bombas de efeito moral, gás de pimenta e muita truculência. Além da violência empregada, a lamentável função de militares desempenhada pela Guarda é inconstitucional e os responsáveis devem ser imediatamente exonerados e punidos.

Três ativistas foram detidos e servidores que voltavam da mobilização foram abordados indiscriminadamente pela PM. A tropa de choque, que estava a disposição do governo, foi acionada para dispersar centenas de lutadores e lutadoras que se concentraram na principal avenida em frente da prefeitura. Só desocuparam as avenidas com a garantia de liberação dos ativistas presos injustamente. Essa repressão ocorre um dia após a invasão da USP pela tropa de choque e é parte da criminalização dos movimentos sociais, desencadeada por Lula e Serra para colocar medo nos trabalhadores que ousam lutar. Por isso, a resposta dos servidores e de todos os ativistas tem que ser contundente. O PSTU chama ao conjunto das entidades sindicais e estudantis a repudiarem o autoritarismo da prefeitura municipal de Campinas.

Fortalecer a greve e unificar as lutas
O momento é de recompor a unidade do movimento grevista e convocar um novo ato de apoio e solidariedade à greve dos servidores. A repressão não pode intimidar os trabalhadores. Até agora, a base da categoria foi responsável por impor um ritmo de mobilização à diretoria do STMC que rapidamente se localizou pela construção da greve.

Até então, as limitações da direção do sindicato, como sua orientação corporativista e despolitizada, ainda não se converteram num freio ao movimento, e é inegável que muitas vezes se colocaram na linha de frente dos enfrentamentos.

No entanto, consideramos necessário os servidores municipais avançarem em sua organização, no fortalecimento de assembléias amplamente democráticas e na construção de uma direção sindical combativa, comprometida com os trabalhadores e controlada pela base. Uma nova geração de ativistas começa a compreender a importância das mobilizações, da extensão e unificação das lutas. Os servidores municipais da Conlutas e da Intersindical começaram a organizar uma intervenção comum na greve, na perspectiva de constuir uma alternativa de organização para os trabalhadores que querem seguir na luta.

Esta greve vem na onda de outras importantes lutas por reajuste salarial, como a dos petroleiros ou dos motoristas e cobradores do transporte público da cidade. É um recado para a burguesia e seus representantes, os governos do PT, do PSDB e PDT: a classe trabalhadora não vai pagar pela crise capitalista. Por isso, não há como se equilibrar em cima do muro: ou se está com o governo ou se está do lado dos trabalhadores. É preciso unificar as lutas em curso do funcionalismo público, das universidades estaduais e por um movimento popular em defesa dos serviços públicos, pelo fim das terceirizações e pela reestatização das empresas privatizadas.