Em audiência, assassino de Sandra e Icauã afirma que único erro foi ter “matado a criança”


A professora e militante do PSTU, Sandra Fernandes, foi assassinada junto a seu filho em fevereiro de 2014

Nessa quarta, 8/7, ocorreu em Olinda (PE) a audiência de instrução que ouviu o assassino de Sandra Fernandes e seu filho Icauã. A audiência é fase preliminar do Tribunal do Júri que julgará Marcos Aurélio pelos assassinatos ocorridos em fevereiro do ano passado.

Demonstrando uma frieza que abalou os presentes, o assassinou confessou “ciúme” como motivo pelo crime. Segundo ele, Sandra “mereceu” o destino que teve e que só se sentia mal por ter estragado a própria vida.

O assassino mentiu sistematicamente no depoimento e por muitas vezes entrou em contradição. Afirmou, por exemplo, que não percebeu que estava golpeando Icauã, mas soube dizer que deu precisamente 8 facadas em Sandra. Icauã, de apenas 10 anos, foi golpeado 10 vezes e ele insiste que não percebeu.

Quanto à desfiguração do rosto de Sandra, Marcos afirmou que foi apenas um soco no supercílio, nada mais.  A frieza e os detalhes do depoimento do assassino chocaram os presentes e nem mesmo seus familiares conseguiram permanecer na sala.

A defensoria pública orientou que ele não precisava responder a todas as perguntas da acusação. Ainda assim, os questionamentos ficaram registrados.

O próximo passo do processo são as “Alegações Finais” que deverá durar cinco dias. Trata-se de um momento no qual o Ministério Público, Assistentes de Acusação e a Defensoria irão se pronunciar. Após essa fase a juíza terá 10 dias para dá a sentença de pronúncia que é a sentença de encaminhamento ao Júri Popular.

A violência empregada às vitimas foram fortes e os agravantes do caso vão desde motivo fútil, com emprego de tortura e emboscada, se aproveitando da coabitação ou confiança até assassinato de uma criança para ocultar a morte de Sandra.

Durante a audiência, representantes de movimentos sociais se fizeram presentes em frente ao Fórum de Olinda e a comoção tomou conta de todos. “Foi difícil ver a frieza do assassino. Cada detalhe nos fez morrer um pouco, mas vamos seguir transformando nossa dor e luto em força e garra para lutar até a condenação do assassino. E mais. Vamos seguir na luta contra o machismo que machuca e mata mulheres em todo o mundo. Nenhuma violência contra a mulher é um caso singular.”, declarou Gisele Peres, militante da Secretaria de Mulheres do PSTU em Pernambuco.

Casos como o ocorrido com Sandra continuam vitimando outras mulheres.  Só neste ano, quase 200 mulheres foram vítimas do feminicídio no estado de Pernambuco.

Somos todas Sandra!

Somos todos Icauã!

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