Enquanto fechávamos este jornal, o número de mortos chegava a 25 por hora, 600 por dia, 8 mil no total. Isso só os notificados. A escalada da pandemia e a flexibilização da quarentena já nos colocou em situação de colapso iminente do sistema de saúde em muitos estados. A única maneira de tentar evitar o colapso completo é fazendo uma quarentena geral.

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Em tal situação, temos um presidente genocida que defende e estimula o fim de qualquer quarentena, inclusive a parcial e insuficiente que governadores e prefeitos adotaram. Bolsonaro promove desinformação, aglomerações e carreatas da morte. Como se não bastasse, quando o vírus entra em cheio na periferia, o governo dificulta o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 aprovado no Congresso.

Justo quando a pandemia revela a desigualdade social que faz com que a taxa de letalidade seja dez vezes maior nas regiões mais pobres, que mostra que um negro tem 62% mais chances de morrer que um branco, segundo os dados da prefeitura de São Paulo, Bolsonaro aumenta a campanha contra a quarentena, não garante renda para que todos fiquem em casa e promove desemprego e diminuição dos salários.

O coronavírus não atinge a todos por igual. A falta de saneamento básico faz com que 35 milhões de brasileiros não tenham água tratada e 100 milhões não disponham de coleta de esgoto. O Brasil é um país que está entre os dez mais ricos do mundo e consegue estar no 175º lugar em desigualdade. E justo quando a epidemia atinge em cheio os mais pobres, fábricas e governantes orientam a volta ao trabalho, fazendo da classe operária bucha de canhão para garantir lucros, colocando em risco as suas vidas e as de suas famílias.

Em defesa da vida, dos empregos, do salário e da renda, e também das liberdades democráticas, é preciso derrubar esse governo.

No seu lugar, deveriam estar os trabalhadores e o povo pobre no poder, auto-organizados em comitês populares. Um governo socialista dos trabalhadores. Enfim, uma democracia de verdade, e não essa falsa democracia dos ricos, muito menos uma ditadura como defende Bolsonaro. Um governo socialista dos trabalhadores, no qual os trabalhadores e o povo pobre controlem a produção e a distribuição da riqueza de forma igualitária, garantindo vida digna para todos.

Contudo, enquanto ainda não temos esse nosso governo, devemos lutar para botar para fora já Bolsonaro e Mourão e defender eleições gerais.

Por uma campanha de massas pelo “Fora Bolsonaro e Mourão!” em defesa da vida

Bolsonaro está mobilizando sua trupe a favor de um golpe. Ele já é minoria na população, embora mais de 25% ainda o apoie.

O principal problema hoje para enfrentar Bolsonaro, porém, é que os setores da oposição burguesa, como DEM, PSDB etc., da mesma maneira que o STF, representam banqueiros e empresários que estão preocupados com seus lucros e em tirar direitos dos trabalhadores mais do que com impedir atitudes ditatoriais e genocidas de Bolsonaro. Isso não quer dizer que não exista crise entre eles. Há e nós, da classe trabalhadora, devemos estar dispostos a fazer toda unidade de ação para botar esse governo para fora.

Porém não podemos ser a favor de fazer frente política com a burguesia e seus representantes, como faz o PT, para, em nome de suspostamente “salvar todo mundo”, jogar a crise nas nossas costas.

Fora Bolsonaro e Mourão para valer

Nesse sentido, o aval do PT para que CUT e demais centrais fizessem um ato de 1º de Maio com caráter de unidade nacional com representantes do Congresso, governadores, PSDB etc. é uma opção por ser apêndice do projeto de “unidade nacional” da centro-direita.

Nesse ato, Lula disse que o vírus ataca a todos de forma indistinta. Não é verdade. O vírus ataca muito mais a classe trabalhadora e os pobres. O verdadeiro grupo de risco não é mais determinado pela idade, mas pela classe social. Disse ainda que o capitalismo ficou nu, mostrando que quem sustenta o capitalismo somos nós trabalhadores e não o capital. Mas não disse que nós, trabalhadores, produzimos o capital, e que o capitalista se apropria dele. Por isso disse também que espera um mundo novo sem propor acabar com os capitalistas e o capital. Não tirou nenhuma conclusão nova, pois o mundo novo que o PT propõe é o passado dos seus governos, que, em 13 anos, nem sequer saneamento básico garantiu, porque a lógica foi governar em conciliação com os capitalistas.

Estamos a favor de fazer unidade de ação na luta com quem quer que seja para derrubar Bolsonaro. Mas se nisso a escolha também for por ser apêndice de Rodrigo Maia e Dias Toffoli, o “fora Bolsonaro” do PT corre o risco de ser mero slogan para não ficar mal com as janelas.

A necessidade é de uma ampla campanha de mobilização unificada, coordenada, mesmo com os limites da pandemia e as formas que garantam a quarentena, que possa dar voz e força à maioria que está contra esse governo. Do contrário, Bolsonaro continuará sentindo-se confiante para dobrar suas apostas e contraofensivas.

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