Editorial: Contra a reforma da Previdência, vamos levantar o Brasil que não está no retrato

Ato em São Paulo contra a reforma da Previdência no dia 20 de fevereiro. Foto Romerito Pontes

Editorial do Opinião Socialista nº 567

O Carnaval deu uma goleada em Bolsonaro nas ruas. Agora começa, para valer, a luta contra a reforma da Previdência. Ela pode ser derrotada. O primeiro passo é combater as mentiras do governo, do mercado, da mídia e da propaganda via redes sociais.

O Opinião Socialista traz, nesta edição, um especial sobre a reforma da Previdência, explicando a proposta apresentada ao Congresso. Ela é pior do que a de Temer.

Será preciso ter 65 anos de idade e 40 de contribuição para receber aposentadoria integral. Para a maioria, que se aposenta por idade e recebe R$ 1,5 mil em média, vai elevar de 15 para 20 anos o tempo de contribuição e mudar o cálculo, baixando em 25% o valor da aposentadoria.

Quem se aposenta por idade já mal consegue atingir 15 anos de contribuição. Ao estipular 20 anos, milhões não vão se aposentar. Diminui, ainda, de R$ 998 para R$ 400 o benefício que os idosos carentes recebem a partir dos 65 anos. As professoras serão obrigadas a trabalhar mais dez anos e pagar 30 anos de contribuição.

Ao se mudar o cálculo e tirar da Constituição a obrigatoriedade de manter o valor real das aposentadorias, os aposentados não terão a aposentadoria reajustada pela inflação. Além disso, quem estiver perto de se aposentar vai trabalhar mais e receber menos.

Já os políticos, os juízes e a cúpula das Forças Armadas continuarão com seus supersalários e regalias. Os maiores privilegiados – banqueiros e grandes empresários nacionais e internacionais – vão lucrar. O dinheiro irá para esses detentores dos títulos da dívida do governo: a maior fonte de lucro desse 1% de milionários parasitas.

Dizer que a reforma vai salvar a Previdência e gerar milhões de empregos é fake news. É preciso explicar a verdade sobre a crueldade dessa reforma e organizar a luta rumo à greve geral: levar a discussão à base, fazer assembleias, chamar sindicatos, centrais sindicais, movimentos e partidos que se dizem de oposição à unidade para lutar.

É necessário, também, exigir que as cúpulas das centrais e dos partidos, como PT, PCdoB, Ciro Gomes e até PSOL, não entrem no jogo de negociar direitos dos trabalhadores. Não podemos aceitar puxada de tapete na luta, como fizeram as cúpulas na luta contra a reforma trabalhista de Temer. Devemos desautorizar qualquer proposta de reforma alternativa ou de emendas, como estão fazendo os governadores do PT, trocando apoio por grana de privatização.

É inadmissível que dirigentes de sindicatos e de centrais como Força e CUT façam propostas de capitalização da Previdência segundo foi noticiado. Também não podem apoiar pontos da reforma em nosso nome, como faz a assessora de economia do ex-candidato Guilherme Boulos (PSOL), Laura Carvalho, que declarou haver “pontos positivos e negativos” na reforma. Entrar nessa lógica é trilhar o caminho da retirada de direitos e da derrota.

Vamos construir unitariamente o 22 de março, dia nacional de luta, rumo à greve geral.

No Brasil, deveria haver pleno emprego, e as aposentadorias e os salários deveriam aumentar. Isso é possível, mas exige romper com o sistema e parar de beneficiar 1% de ricos. Só um governo socialista dos trabalhadores, em que os de baixo governem por conselhos populares, pode governar para a maioria. É chegada a hora de abrir alas para o Brasil que não está no retrato, o país dos trabalhadores, dos pobres, dos negros, dos índios, das mulheres.