O povo paraguaio está se insurgindo contra um governo corrupto, amigo de Bolsonaro, que, assim como acontece aqui, não gasta com vacina e não combate a pandemia. Isso mostra que o caldeirão da América Latina está esquentando. A paciência do povo tem limite, e quando este se levanta revela a força da classe trabalhadora e dos setores populares.

No Brasil, batemos sucessivos recordes de mortes diárias. O próprio Ministério da Saúde prevê uma rápida escalada, podendo chegar a 3 mil mortes por dia nas próximas semanas.

Enquanto o sistema de saúde colapsa em todo o país e pacientes morrem à espera de UTI, Bolsonaro debocha das vítimas e de milhares de famílias enlutadas. “Chega de frescura, de mimimi”, vociferou.

A vacinação se arrasta a passos de tartaruga, enquanto a contaminação se prolifera, dando condições ao aparecimento de novas variantes do vírus mais contagiosas e mais letais. Esse governo é um perigo para o Brasil e para o mundo.

Esse é resultado não só da incompetência e do negacionismo obscurantista do presidente e de seu entorno. Como demonstrou o relatório da Conectas/USP, o genocídio que sofremos é produto direto de uma política consciente. Para proteger os lucros dos grandes bancos e empresas, Bolsonaro colocou em marcha uma estratégia de deixar o vírus rolar solto para se chegar à imunização de rebanho. O que conseguiu foi transformar o Brasil numa “câmara de gás a céu aberto” como denunciaram artistas e religiosos.

Em meio a essa tragédia, Bolsonaro insiste em aparecer como o defensor dos empregos, da renda e da economia, sabotando as parcas medidas de distanciamento social nos estados. No entanto, assim como ele é o principal responsável por transformar o Brasil numa grande vala, ele também é responsável pelos milhões de empregos perdidos e pela queda na renda do povo.

A razão pelo desemprego e a crise social é, além da crise do sistema, do próprio aprofundamento da pandemia por Bolsonaro. Se houvesse uma quarentena de fato desde o início, com isolamento social e condições para o povo fazê-la, além da compra das vacinas desprezadas pelo governo, não estaríamos cavando sepulturas, mas preparando a retomada. Bolsonaro faz o contrário: promove aglomeração, faz campanha contra o uso de máscaras e contra a própria vacina.

É preciso um lockdown de 30 dias com vacinação em massa, estabilidade no emprego e manutenção dos salários; junto a isso, um auxílio emergencial de R$ 600 (que deveria ser de um salário mínimo) enquanto durar a pandemia.

Para isso, é preciso quebrar as patentes para produzir vacina para todos; parar as privatizações da Petrobras, dos Correios e das demais estatais; barrar a destruição dos serviços públicos e do meio ambiente.

É preciso organizar a luta! Temos de avançar rumo a uma greve geral que pare o país a partir de grandes empresas, bancos, agronegócio e grande varejo, como Havan e Riachuelo. Não podemos esperar 2022, é preciso lutar já contra esse genocídio e a destruição do país. Neste sentido, o próximo dia 24 tem grande importância. É dia nacional de mobilização pelo “Fora Bolsonaro!”, paralisando pela base os setores que for possível.

Governadores, oposição, centrais sindicais e demais organizações da classe precisam parar de jogar para a plateia e abandonar a estratégia de “deixar Bolsonaro sangrar” até 2022. Deixar tudo para as eleições é seguir com um genocídio que deve ser parado agora! Fora Bolsonaro e Mourão já!

Construir uma alternativa de classe e socialista

É preciso unidade na luta entre todos os setores que estão dispostos a se mobilizar contra o genocídio em marcha. Mas é preciso também, nesse processo, discutir uma saída de fundo para o país.

Não podemos cair na velha armadilha de canalizar nossa luta para saídas por dentro do sistema, com medidas que não tocam nos problemas estruturais do país. Precisamos lutar para botar para fora Bolsonaro e Mourão e por um plano de emergência da classe trabalhadora, que preveja, além da quarentena, o auxílio e a defesa do emprego e da renda, o fim e a revogação das reformas trabalhista e da Previdência, o fim da entrega do país, com a reestatização das empresas sob o controle dos trabalhadores.

Precisamos botar abaixo a lei do teto dos gastos, assim como a Lei de Responsabilidade Fiscal, suspendendo o pagamento da falsa dívida aos banqueiros, estatizando o sistema financeiro sob o controle dos trabalhadores.

Por uma alternativa revolucionária

Para isso, termos de enfrentar os grandes banqueiros e os empresários. Uma mudança real das nossas condições de vida, que enfrente não só a pandemia e a guerra social, mas que supere os problemas estruturais, como o desemprego, o saneamento básico, o genocídio da juventude negra, o machismo, o racismo e a lgbtfobia, só vira com uma nova sociedade.

Um novo modelo só será possível com a auto-organização da classe trabalhadora. Não com projetos de conciliação de classes dentro do sistema, como defendem o PT e o PSOL.

Precisamos de uma alternativa revolucionária e socialista, que lute por um governo socialista dos trabalhadores, baseado em conselhos populares.