Diante de intransigência, greve continua nas estaduais paulistas

Estudante pede eleições diretas para reitor, durante manifestação realizada dia 18

Ultradireita na USP começa a se organizar contra mobilizaçãoApós a ampla mobilização de estudantes, funcionários e professores, que realizaram um grande ato no último dia 18 reunindo 5 mil pessoas contra a repressão, a tropa de choque finalmente deixou o campus da USP. O Fórum das Seis exigia a retirada da PM para a retomada das negociações com a Cruesp (as reitorias da USP, Unesp e Unicamp). A PM ocupava o campus desde o dia 1º, a mando da reitoria da USP, Suely Vilela.

Com a tropa de choque fora da universidade, as negociações foram retomadas no último dia 22, após quase um mês de suspensão. O Cruesp, com a reitora da USP à frente, porém, permaneceu intransigente e as negociações pouco avançaram. As reitorias alegaram falta de recursos para não concederem reajustes, reapresentando a proposta de apenas reposição da inflação, de 6,05%. Os funcionários, em greve desde o dia 5 de maio, exigem reposição histórica das perdas, de 16%.

O Cruesp, além disso, recusou-se a recuar em sua política de repressão, mantendo a demissão do funcionário da USP, o diretor do Sintusp, Claudionor Brandão, além dos processos contra outros diretores do sindicato e a multa de R$ 346 mil à entidade. Por outro lado, houve um recuo em relação à Univesp, a universidade virtual de ensino à distância. Foi cancelado o vestibular que ocorreria em agosto e as próximas definições sobre o tema ficarão para o ano que vem, segundo a reitora da USP.

Mesmo com a intransigência do Cruesp, o movimento de greve vem alcançando importantes avanços. Diante disso, o Fórum das Seis orienta a continuidade da greve. No próximo dia 25, quinta-feira, ocorre ato público em frente à Assembléia Legislativa. No dia seguinte há uma nova rodada de negociação.

Ultradireita se organiza na USP
Diante do crescimento do movimento de greve, reitoria e o governo paulista vêm encontrando respaldo num pequeno setor estudantil. Trata-se de grupos contrários à greve que estão passando da ação virtual às medidas concretas. No último dia 19, realizaram uma manifestação pública e tentaram invadir a sede do Sintusp, sendo rechaçados pelo movimento.

Matéria publicada pela Folha de S. Paulo mostra que o surgimento de tais grupos não é apenas a organização espontânea de estudantes contrários à greve. É a organização de grupos claramente de ultradireita, com tendência fascista. Um desses grupos tem o sugestivo nome de Flacusp (Forças de Libertação Anticomunista da USP). Seu criador, Leandro, afirmou ao jornal defender a ditadura, que impõe “a ordem e não deixa essa zona acontecer”.