Dia 28 na Bahia teve professores em greve e protesto contra demissões

Detalhe do dia 28 em Salvador

Na Bahia, o dia nacional de mobilização foi marcado por várias manifestações em todo o estado. Logo cedo, debaixo de chuva, a CSP-Conlutas realizou um ato no Complexo Ford de Camaçari. Com faixas e panfletos, a central denunciou os ataques promovidos pelo governo Dilma nos seus 100 primeiros dias de mandato. O ato também denunciou a nova onda de demissões orquestrada pela multinacional. Até a última segunda-feira, 25 de abril, mais de 70 trabalhadores foram demitidos em todo complexo e até então nem o sindicato, dirigido pela CTB, nem o governo do estado, Jaques Wagner (PT), se pronunciaram em favor dos trabalhadores.

“Em 2010, a Ford bateu recorde de lucros. Foram mais de R$ 6,5 bilhões a custa do aumento do ritmo de trabalho. Qual a justificativa para a empresa demitir mais de 70 companheiros? A Ford de Camaçari é exemplo da política que tem sido adotada pelos patrões em todo o Brasil. Política essa que tem o apoio do governo Dilma, que cortou R$50 bilhões dos recursos sociais, aumentou o preço dos alimentos, não combate a inflação e deu um salário mínimo de fome ao trabalhador”, declarou Índio, da Ford, militante do PSTU e integrante do Movimento de Oposição metalúrgica (MOM/CSP-Conlutas). Sua fala recebeu o apoio dos operários que se aproximavam da atividade.

Na tarde do dia 28, foi a vez das ruas de Salvador serem tomadas por estudantes, professores e trabalhadores de várias categorias do estado. Nem a chuva tirou o ânimo dos mais de 500 manifestantes que não paravam de gritar palavras de ordem contra o governo e em defesa dos seus direitos. O ato público teve como tema central a luta dos professores das Universidades Estaduais baianas (UEFS, UESB, UESC e UNEB).

Os professores da UEFS, UESC, e UESB estão em greve desde o início do mês de abril e os docentes da UNEB estão paralisados desde o dia 26 deste mês. O movimento grevista reivindica a reabertura das negociações da campanha salarial 2010, interrompida de forma autoritária pelo governo quando este impôs um artigo no Acordo que congelaria os salários dos professores por 4 anos.

Os professores reivindicam, ainda, a revogação imediata do decreto nº 12583/11 que reduz em 30% o orçamento público do estado, prejudicando a educação e bloqueando direito dos docentes. Este é o terceiro ano consecutivo que as Universidades Estaduais sofrem com o contingenciamento de verbas imposto pelo Governo do PT. “O Governo Wagner segue o receituário do Governo Dilma de cortes nos orçamentos e ataques ao funcionalismo público. Nacionalmente, os servidores federais estão se organizando e resistindo a estes ataques. Na Bahia, os servidores estaduais, a exemplo dos professores, também reagem com mobilização e greves”, afirma Cecília Amaral da CSP -CONLUTAS Bahia.

A ANEL marcou presença na mobilização reafirmando a importância de uma luta independente dos governos, patrões e reitorias. Leonardo Polly, estudante da UNEB e membro da comissão executiva estadual da ANEL-BA, destacou: “Essa luta não é apenas da UNEB, não é apenas dos professores, mas de todo o movimento estudantil. O governo Wagner faz na Bahia o que Dilma faz no Brasil, por isso a necessidade imperativa da articulação dos estudantes e da unidade do movimento estudantil com o os trabalhadores. O dia 28 de abril só fortalece a perspectiva da aliança entre trabalhadores e estudantes”.

O ato foi encerrado na Praça Castro Alves com falas das entidades presentes e dos partidos políticos que apoiaram a manifestação. “O dia 28 de abril foi uma vitória. Em todo o Brasil, estudantes e trabalhadores mostraram aos governos e patrões que não haverá ataques sem uma forte resistência dos movimentos sociais”, afirmou Jean Montezuma pelo PSTU.