Ato e repressão policial marcam 1º de maio de luta em São Paulo

PM's lançam gás de pimenta contra manifestantes
Diego Cruz

PM prende um manifestante acusado de desacatar um policial e o agredir com “uma camiseta”Tinha tudo para ser um ato pacífico dos setores independentes e combativos no já tradicional 1º de maio na Praça da Sé, em São Paulo. Não fosse por uma ação estúpida e truculenta da Polícia Militar.

Cerca de 2 mil manifestantes de diversas entidades, partidos e movimentos sociais se concentravam para o início da manifestação, quando uma estranha movimentação foi percebida na parte de trás da praça, próxima à base comunitária da polícia. Logo a confirmação: a PM acabava de deter uma pessoa.

Centenas de manifestantes cercaram a base, onde os policiais mantinham o ativista detido. A Força Tática foi logo acionada e os policiais se posicionaram com escudos, cercando a base e lançando gás de pimenta nos manifestantes. Os ativistas cercaram então a viatura policial, a fim de impedir que a PM conduzisse o manifestante à delegacia.

Foi aí que a PM irrompeu com violência contra a multidão, lançando bombas de gás e tiros de borracha na direção dos manifestantes, muitos deles idosos e crianças. O ativista Isaías Silva Carvalho, do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) foi ferido por duas balas de borracha no peito, que deixaram enormes feridas.

Questionado pela reportagem do Portal do PSTU sobre o motivo da prisão, o oficial presente no momento, tenente Moura, afirmou que o ativista teria “desacatado” um PM. “Ele estava importunando as pessoas, a PM foi acionada e o elemento agrediu o policial com uma camiseta e começou a xingá-lo”, afirmou o tenente.


Ativista ferido durante repressão policial

Mesmo com a truculenta ação policial, o ato não foi disperso. Os ativistas logo se reorganizaram e deram prosseguimento à manifestação.

Ato independente e de luta
“Aqui na Praça da Sé estão os que não se renderam, os que ainda acreditam na ação direta e na luta dos trabalhadores”, afirmou João Zafalão, dirigente da Apeoesp pela oposição, ao descrever a razão daquele protesto, num momento em que as grandes centrais promovem, no dia do trabalhador, mega-shows patrocinados pelos governos e grandes empresas.

Além da CSP-Conlutas, marcaram presença a Intersindical, a ANEL, o MTST, além de sindicatos como o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, o Sindsef-SP, entre outros. Entre os partidos estiveram o PSTU, PSOL, PCB, PCR, além de outras correntes de esquerda. Movimentos de luta contra a homofobia, o machismo e o racismo também estiveram presentes.

Resistência
Os ativistas mostraram que, no Dia do Trabalhador, não há o que comemorar, apesar do crescimento econômico alardeado pelo governo. “O governo perpetua o massacre contra os trabalhadores, principalmente nas obras do PAC; eles querem voltar ao tempo da escravidão“, afirmou o dirigente da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha, referindo-se à rebelião dos operários da construção civil contra os baixos salários e as más condições de trabalho nos canteiros de obra.

Já o dirigente do PSTU, Dirceu Travesso, lembrou cada luta representada naquele momento na Praça da Sé: a dos sem-tetos, dos servidores públicos federais, dos trabalhadores terceirizados da USP. “Precisamos também ir além e transformar essas lutas numa luta contra o machismo, o racismo, a homofobia”, discursou.

Travesso citou ainda a revolução árabe ao afirmar que “passamos muito tempo ouvindo que não há possibilidade de uma revolução social, e agora os trabalhadores árabes mostram na prática que isso é sim possível”. E, em referência à repressão ocorrida momentos antes, afirmou que “quando o povo resolver se levantar, não será meia dúzia de guardinhas que irá conter, nem exércitos inteiros, como mostra a luta do povo árabe”.

Veja o momento da repressão