Derrotar o aumento e lutar por um transporte 100% público e sob o controle dos trabalhadores e usuários

Fotos Romerito Pontes

Rebeldia-MG

A bronca da população das grandes cidades com as empresas do transporte público não é de hoje. São anos de um serviço de péssima qualidade e a um preço cada dia mais alto. E por conta desses altos lucros, as empresas também ficam cada vez mais poderosas.

As prefeituras sempre souberam disso, e sempre prometem soluções em suas campanhas eleitorais, mas quando entram no governo se esquecem completamente disso e continuam a fazer tudo que as grandes empresas de transporte querem.

O caso do prefeito Alexandre Kalil (PHS), de Belo Horizonte (MG) é emblemático, afirmou claramente que ia enfrentá-las e garantir transporte de qualidade. Mas, no seu terceiro ano de governo, ele mostrou sua cara e não deixou dúvida de que lado realmente está. Depois de esbravejar dizendo que sem auditoria não haveria aumento da passagem, se contentou com uma auditoria fake, que nem o próprio grupo responsável pela tal teve coragem de chamá-la por esse nome, para colocar BH com a passagem mais cara do Brasil, R$4,50!

Bruno Covas e João Dória (PSDB) em São Paulo (SP) não ficaram atrás: impuseram mais um aumento, tanto nos ônibus quanto no metrô. Os mesmos senhores que anteriormente limitaram o passe-livre para os estudantes paulistanos. Conclusão: em um reajuste acima da inflação, a passagem nos ônibus, trens e metrô vai passar de R$ 4,00 para R$ 4,30. Além disso, há previsão de cortes de linhas importantes de ônibus que atendiam a população.

Marcelo Crivella (PRB) também seguiu a mesma linha de Kalil, prometeu abaixar o preço das passagens nos ônibus que não concluíssem a troca nos refrigerados e depois se esqueceu completamente do assunto. A ele não importou os escândalos e prisões da Máfia do Transporte do Rio de Janeiro, tampouco o fato das falcatruas serem de acesso a toda população.

Todos esses exemplos deixam claro que os governos não estão nem aí para a necessidade de acesso à cidade de estudantes, trabalhadores e desempregados. Contra professoras e camelôs, servidores e moradores de rua eles falam grosso. Com as grandes empresas de transporte, a linguagem é outra: abaixar a cabeça e fazer tudo o que elas querem.

Um transporte capenga a serviço dos grandes empresários!
As três maiores regiões metropolitanas do Brasil (Rio, SP e BH) totalizam quase 40 milhões de habitantes e quase 30.000 km². Apesar disso, a malha metroviária do Rio conta com apenas 40 km. A de Belo Horizonte, 30. O metrô de São Paulo, apesar de mais abrangente, é em sua maioria atendido por empresas concessionárias que acumulam lucros milionários, graças à superlotação cotidiana dos trens.

De toda forma, nas grandes metrópoles do país, o essencial do transporte da cidade é mantido por meia dúzia de empresas. Um negócio altamente lucrativo.

No Rio e Belo Horizonte, a promessa de expansão do metrô nunca sai do papel e das campanhas eleitorais. E a principal causa é o lobby das grandes empresas de ônibus. Retirar uma grande parcela dos usuários para outro meio de transporte retiraria destas grandes parcelas de seus lucros.

Cientes disso, os grandes empresários que recebem esses lucros buscam manter seu controle e monopólio sobre o transporte público por meio do financiamento das campanhas. Afinal, conhecem muito bem as regras do sistema eleitoral: quem paga a banda, escolhe a música.

Em São Paulo, por sua vez, apesar da existência de uma malha metroviária considerável, essas foram colocadas nas mãos de grandes empresas privadas. E toda a estrutura do transporte dessa cidade nunca foi colocado em questão pelos recorrentes governos, sejam do PT ou PSDB, mesmo com grandes esquemas de corrupção, como o trensalão.

Transporte é direito, não mercadoria!
O transporte é uma necessidade básica para o funcionamento de uma cidade, especialmente as grandes metrópoles. Sem ele, não é possível o deslocamento de trabalhadores para seu local de trabalho, dos estudantes para seus locais de estudos e de todos os habitantes para ter acesso aos bens, serviços e espaços culturais da cidade.

Mas existe um setor importante da população que depende prioritariamente do transporte público para se locomover pela cidade: a classe trabalhadora, a juventude e o povo pobre.

Por isso, é um disparate que esse direito seja colocado a serviço de enriquecer meia dúzia de milionários, enquanto aqueles que necessitam deles ficam reféns da ganância.

Assim, é preciso enfrentar esses senhores! Precisamos de um transporte 100% público e municipalizado e sob controle dos trabalhadores e usuários, organizados a partir de conselhos populares por locais de trabalho e moradia. Pois apenas dessa forma é possível garantir o direito à cidade a todos que necessitam.

Não só as passagens extrapolam (e muito!) um valor que permita esse acesso, como também limitam a juventude e os milhares de desempregados da região a se locomoverem.

Derrotar o aumento e lutar por um outro modelo de transporte público
O primeiro passo para avançarmos nessa luta é mobilizarmos e derrotarmos esse aumento contra as empresas de ônibus e o governo que as defende.

Mas para além disso, é necessário debater com cada jovem e cada trabalhador que, para garantir um transporte que realmente atenda nossas necessidades e daqueles que trabalham, incluindo os trabalhadores do transporte, é preciso que o transporte seja 100% estatal e sob o controle dos trabalhadores e usuários.

Só assim poderemos garantir uma tarifa acessível para os trabalhadores que precisam do transporte público e o passe-livre para a juventude e desempregados. Só assim podemos garantir um direito básico que é o acesso à cidade, ao trabalho e à cultura. E também é a única maneira de garantir condições dignas de trabalho aos rodoviários que sofrem com baixos salários, o assédio dos patrões e a sobrecarga da dupla-função.

E por essa razão, a Rebeldia – Juventude da Revolução Socialista faz o chamado e estará na luta contra esse aumento e em defesa de um governo dos trabalhadores e do povo pobre, organizado a partir de conselhos populares!