Demissão em massa de professores na Estácio

Luana Ribeiro, de Niteroi (RJ)

A UNESA – Universidade Estácio de Sá, uma das maiores universidades privadas do Brasil, anunciou uma demissão em massa de professores de acordo com o SinproRio (Sindicato de Professores do Município do Rio de Janeiro). Em junho de 2016, foi anunciado que a Estácio seria comprada pelo grupo Kroton, grupo este que é o maior em educação superior no Brasil e no mundo, mas a fusão foi reprovada pelo Cade.

A Estácio informa empregar hoje cerca de 10 mil docentes em instituições em 23 estados e no Distrito Federal. Segundo a assessoria, a posição da empresa é de não divulgar a quantidade exata de desligamentos e que o número de 1,2 mil pessoas (segundo G1) sendo demitidos é “especulativo”.

Segundo Oswaldo Teles, presidente do SinproRio: “ A informação que ainda não é oficial é que os números estão em torno de 1 mil, mas é no Brasil inteiro, não só no RJ.” E conta ainda a forma com que estão demitindo os professores “Hoje nós estamos recebendo telefonemas de vários professores que forma demitidos. Alguns estão recebendo comunicado por e-mail. Outros estão dizendo que foram aplicar prova e chegando lá foram chamados para ir no departamento pessoal.”

Em nota, a Estácio informa que “promoveu uma reorganização em sua base de docentes” no fim do segundo semestre letivo de 2017 e que “o processo envolveu o desligamento de um cadastro reserva de docentes para atender possíveis demandas nos próximos semestres”.

A criação desse cadastro reserva mostra que a Estácio fará recontratações com salários inferiores aos dos professores demitidos. O sindicato afirma que a Estácio não pode admitir isso, pois configuraria fraude trabalhista.

Já a Estácio diz que os novos profissionais serão recontratados pelas novas regras da CLT, pós-reforma trabalhista, que prevê novas formas de contratação, como é o caso do contrato intermitente, que permite que a empresa pague apenas pelas horas que necessitar do funcionário.

A realidade disso, já sabemos. A Estácio, assim como outros setores da burguesia, estão se aproveitando da reforma trabalhista, implementada pelo Governo Temer, para precarizar mais ainda a vida dos professores, funcionários e estudantes.

Para essa galera, educação é sim mercadoria, é de onde tiram seus lucros a partir de muita exploração. Trocando em miúdos, o que a Estácio fez foi demitir para recontratar. Óbvio que para diminuir salários, para colocar os professores nesse cadastro reserva, que é uma vergonha para a Educação do nosso país, precarizando mais ainda o trabalho desses profissionais. Além, é claro, de prejudicar o ensino de muitos jovens que sonham, e principalmente lutam muito para ter o diploma nas mãos.

Essa é a demonstração de que não podemos aceitar a aplicação dessa reforma trabalhista e nem deixar que a reforma da Previdência passe. Precisamos aglutinar a juventude trabalhadora, da periferia, secundaristas, universitários e seguir o exemplo da juventude hondurenha que resiste fortemente à fraude eleitoral e a repressão do Estado.

Somente a luta dos trabalhadores, com a juventude e os setores mais oprimidos da nossa sociedade que vai nos garantir a derrubada de Temer e todo o Congresso, estes que estão lado a lado a quem ataca nossos direitos. Precisamos resistir para garantirmos emprego digno e educação de qualidade.