Debate discutirá crise e reorganização do movimento

Atividade unitária no Fórum Social Mundial reúne Conlutas, setores que atuam na Intersindical, MTST e MTL

No dia 29 de janeiro, em Belém (PA), será realizada uma atividade durante o Fórum Social Mundial com o tema “A crise econômica mundial, os desafios da classe trabalhadora e a reorganização do movimento sindical e popular”.

O objetivo dessa importante atividade é: discutir a crise econômica que já chegou com força a nosso país e os reflexos sobre a classe trabalhadora. Outras metas são lançar um plano de ação comum para as lutas de 2009 e aprofundar o debate sobre a reorganização sindical e popular, definindo planos comuns para a construção de uma alternativa unitária dos trabalhadores e trabalhadoras.

Importantes entidades do movimento sindical e popular brasileiro e organizações da esquerda socialista assinam a convocatória. Na lista se destacam a Conlutas e várias de suas entidades filiadas, três importantes correntes que atuam na Intersindical (APS, Enlace e C-Sol), o MTST, o MTL, o MAS (“prestistas”), a Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo, a FENASPS e outros sindicatos e movimentos.

O evento acontecerá no ginásio da Universidade Estadual do Pará (UEPA) às 8h30. A proposta dos organizadores é seguir a discussão até o início da tarde, definindo ao final, além do plano de ação, propostas concretas que deem início ao debate para a unificação em uma mesma entidade nacional de todos os envolvidos, deixando inclusive a porta aberta para outros setores da esquerda socialista e dos movimentos sociais classistas, combativos e independentes dos governos e dos patrões, que queiram se integrar posteriormente à construção desse processo.

A realização dessa atividade é uma grande vitória para a classe trabalhadora e pode abrir uma nova situação no processo de reorganização dos movimentos sociais, criando uma entidade nacional que seja um importante ponto de apoio para as lutas dos trabalhadores.

Uma nova entidade que una sindicatos, movimentos populares e juventude
Em seu primeiro congresso, a Conlutas aprovou um chamado dirigido principalmente à Intersindical, mas também a outros setores e entidades, para que iniciássemos um processo de unificação em uma mesma entidade nacional de todos os movimentos sociais classistas, combativos e independentes dos governos e dos patrões.

A resolução da Conlutas defendia a necessidade de essa nova entidade organizar não apenas o movimento sindical, mas também outros movimentos da classe trabalhadora e da juventude, como o movimento popular e estudantil, além dos movimentos contra as opressões. Evidentemente, garantindo a maioria numérica das representações dos trabalhadores nos fóruns de decisão, para assegurar seu caráter classista.

Esse processo deve ser necessariamente aberto, franco e democrático. As discussões e polêmicas devem ocorrer livremente e as decisões devem ser tomadas a partir de um amplo debate nacional, incorporando as bases de todas as entidades envolvidas.

Necessariamente esse processo deverá ser construído com base nas lutas e mobilizações dos trabalhadores contra os efeitos da crise sobre a nossa classe. Mas também com um debate rico e polêmico que deve ser feito em um ambiente de respeito, perseguindo sempre a síntese e a construção de uma grande entidade nacional de frente única, que seja superior a todas as organizações que estejam iniciando esse processo.

Um programa classista e de ruptura com o capitalismo
Para ter sucesso na construção dessa entidade nacional da classe trabalhadora e dos explorados e oprimidos, será necessário encarar o desafio de construir um programa.
Esse programa deve começar pela defesa incondicional do classismo, bandeira histórica do novo sindicalismo construído a partir das greves do ABC, no final da década de 70. O classismo foi abandonado pela CUT, que passou a defender abertamente a política de parcerias e de conciliação com governos e empresas.

Nesta nova conjuntura, em que a crise econômica internacional prejudica os trabalhadores brasileiros, novamente os governos, os grandes empresários e os sindicalistas pelegos vêm com o mesmo discurso: é necessário unir trabalhadores e patrões. É o abandono total do classismo.

Neste momento, é fundamental uma entidade nacional forte e combativa que lute para que os ricos paguem pela crise. Os banqueiros e grandes empresários lucraram de forma exorbitante durante os anos de auge do neoliberalismo e agora – novamente – querem manter seus lucros à custa das demissões e da redução de direitos e do salário dos trabalhadores.

Nos processos de enfrentamento com a burguesia e seus governos, devemos levantar também a defesa do socialismo, discutindo pacientemente com os trabalhadores que somente o fim do capitalismo acabará com a exploração e a opressão sobre nossa classe.

Independente de governos e patrões e autônoma em relação aos partidos
Todos os setores envolvidos na construção desse processo sabem o que representou a incorporação da CUT na estrutura do governo Lula. Significou que essa central deixou a defesa dos trabalhadores para se tornar uma correia de transmissão do governo no movimento sindical, como aconteceu com a UNE no movimento estudantil.
Mas, mesmo antes do atrelamento político ao governo, a CUT incorporou como uma das suas principais políticas de ação a defesa das parcerias com os patrões, via câmaras setoriais e acordos que rebaixam salários e direitos. Portanto, um dos princípios mais importantes da entidade que queremos criar deve ser a total independência política e financeira do Estado, dos governos e da burguesia.

No mesmo sentido, ela deve ter uma firme autonomia dos partidos, mesmo os da classe trabalhadora. Quem deve mandar nessa nova organização são os fóruns deliberativos construídos nesse processo. As organizações políticas e os partidos são bem-vindos, mas para contribuir e ajudar nas elaborações, sem que isso signifique o atrelamento da entidade a algum partido ou organização.

Outro erro grave do processo de desenvolvimento da CUT foi a subordinação política e financeira das entidades de frente única aos interesses eleitorais dos candidatos do PT e dos partidos aliados do governo Lula. Não podemos repetir o mesmo erro eleitoreiro de colocar as entidades a serviço da lógica da democracia burguesa e do jogo eleitoral.

Outro princípio muito importante deve ser a priorização da ação direita em relação à atuação institucional. É legitimo e é importante que os partidos da classe trabalhadora participem das eleições e as utilizem para apresentar e defender seus projetos frente a toda a sociedade. Mas é um crime subordinar as organizações dos trabalhadores aos objetivos eleitorais dos partidos.
Que nessa atividade unitária em Belém sejam dados passos concretos para avançar na construção de uma ferramenta unitária para a luta imediata e histórica da classe trabalhadora brasileira. Esses são os nossos votos e é nesse sentido que estará direcionado todo o nosso esforço.

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