O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), anunciaram, em comum acordo, seus planos de reabertura de setores da economia em pleno auge da pandemia. Este é mais um capítulo da política criminosa, assassina e genocida que eles aplicam em consonância com o que Jair Bolsonaro vem defendendo em nível nacional desde o início da pandemia.

A redução das medidas de isolamento social na cidade começou a partir da terça-feira (2/5) e inclui, dentre outras, o livre acesso ao calçadão e atividades esportivas no mar, a abertura de templos religiosos e o funcionamento de lojas de móveis e automóveis. Além disso, há também a previsão de volta às aulas já no mês de julho.

Witzel propôs a volta do funcionamento de estabelecimentos comerciais em todo o estado a partir do dia 8 de maio, ou em poucos dias após esta data. Entre estes, estão os shoppings, lojas e centros comerciais em horários definidos, bem como a permissão para algumas atividades esportivas como as praias, rios e lagos.

A população não tem as condições de ficar em casa

As medidas promovidas por Witzel e Crivella não são isoladas. Fazem parte de um grande movimento conduzido por grandes empresários do país de forçarem a abertura da economia rumo à transição para o “novo normal” ou outros adjetivos que criaram para justificar estas políticas. Em São Paulo, Dória faz o mesmo em plena ascensão da curva de contágio no estado.

Eles seguem os exemplos da grande burguesia europeia e norte-americana que querem manter seus lucros no patamar anterior à crise. Para estes crápulas, é preciso vender e lucrar, mesmo que estejamos entre milhares de mortos e milhões contaminados em todo mundo. Em alguns daqueles países, mesmo que tenha havido um declínio da curva de casos e óbitos, a reabertura provocou um novo aumento expressivo destes casos entre a população. O governo francês, por exemplo, reabriu suas escolas e teve de recuar em pelo menos 70 delas após a volta do contágio na comunidade escolar.

No caso do Rio, assim como em outros estados, o que se vê é o cinismo de proporem a reabertura quando a curva de contaminação cresce grande velocidade. Witzel e Crivella se baseiam em seus “comitês científicos e econômicos” que agora não estão afinados com que recomendavam há menos de um mês atrás – a necessidade correta de implementar o lockdown na cidade e no estado.

O infectologista da UFRJ, Roberto Medronho, que compunha o comitê criado por Witzel e saiu após os escândalos de corrupção, foi categórico em entrevista na TV Globo sobre estas medidas de afrouxamento: “Não é para abrir. É para fechar mais”. Afirmou ainda que mesmo que tenha havido uma diminuição no número de internações, aumentou o número de óbitos, especialmente em ambiente domiciliar.

Para justificar e estimular a reabertura, parte dos governantes se apoia no mito criado pelos políticos, e endossado pela grande mídia, de que a população é a culpada por não cumprir os requisitos do isolamento social. Como irão cumprir se mesmo os míseros R$ 600 não chegam regularmente aos bolsos de grande parte da população?

Há um número crescente da taxa de desemprego desde antes da pandemia (atualmente são 12,6% de desempregados, segundo o IBGE), efeito da grave crise econômica que já penalizava os trabalhadores. Ou o trabalhador passa fome em casa tentando fazer a quarentena ou se arrisca a conseguir seu ganha-pão nas ruas, canteiros de obras, locais de trabalho em que o vírus circula livremente sem que haja garantia das condições para se proteger.

Nós defendemos que é uma obrigação do Estado garantir a renda e o pleno emprego para os trabalhadores na pandemia. Os bancos internacionais, as grandes empresas e os grandes investidores não pararam de receber os recursos públicos do Estado que são drenados por meio da dívida pública, as isenções bilionárias e toda sorte de benefícios. Isto é uma prova de que o dinheiro existe sim, no entanto ele vai para salvar os ricos que sempre lucraram em nossas costas aqui no país.

28/12/2017- Rio de Janeiro – O prefeito Marcelo Crivella concede entrevista coletiva em seu gabinete para anunciar mudança na gestão do Hospital Rocha Faria
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Negros e pobres são os mais afetados

A pandemia já deixou claro para todos nós que quem mais sofre com o vírus são os trabalhadores, os pobres e os negros em especial. A sua classe social, e sua raça, podem determinar se você irá sobreviver ao contágio do vírus e não somente se tiver as doenças associadas ao grupo de risco, como se pensava no início da pandemia. Dados recentes da prefeitura mostraram que, no município do Rio, o novo coronavírus é mais letal (maior possibilidade de morrer) entre negros e pardos (16,3% negra; 13,45% parda e 12,2% branca).

No Rio de Janeiro, existe uma imensa população negra e pobre que vive nas favelas em condições desumanas sem acesso ao essencial – a água, por exemplo – e que está assistindo os casos e óbitos explodindo dentro de suas comunidades.

A favela e a periferia não lutam somente contra o vírus, mas também contra o estado policial que sempre ali sempre imperou, dividindo esta tarefa com o tráfico e com a milícia que agora tem conexões explícitas com o planalto. João Pedro (14 anos) e João Vitor (18 anos) e outros tantos milhares jovens negros foram executados pelo Estado ou por estas facções ligadas aos agentes do Estado.

Jovens negros assassinados compõem uma dolorosa e antiga realidade no Rio de Janeiro, assim como em diversas cidades dos EUA. A revolta negra que está em curso, de dimensões nacionais e que se espalha pelo mundo, já está surtindo efeito aqui no Rio de Janeiro.  No último domingo, 31 de maio, ocorreu um importante protesto contra a violência policial em frente ao palácio Guanabara. No ato, era possível ler nas faixas e cartazes a inscrição “Black lives matter” (vidas negras importam), símbolo da luta norte-americana antirracista. Os negros e pobres já estão demonstrando que não irão se calar diante a barbárie. Vamos nos rebelar!

O que defendemos para o Rio de Janeiro

O levante que ocorre nos EUA é uma inspiração para nossa luta no Brasil e no Rio. Como dizem os manifestantes nas cidades espalhadas dos EUA, manter-nos vivos é uma necessidade pela qual iremos lutar sem tréguas. Não irão nos matar! Por esta razão, somos radicalmente contra a redução do isolamento social promovido por Crivella e Witzel, ainda mais no cenário em que os casos estão nas alturas e as vagas de UTIs são insuficientes. O que eles estão propondo é ampliar o genocídio, não há outra denominação.

Chamamos aos trabalhadores e a população pobre do estado e da cidade a exigir a quarentena total imediata e as condições para que elas ocorram. Nem que seja necessário irmos para as ruas para derrubar nossos governantes!

Quarentena total já e renda para os trabalhadores e pobres!

Fora Crivella!

Basta do corrupto e autoritário Wilson Witzel e sua política assassina!

Fora Bolsonaro e Mourão já!