Críticas na Índia expõem limites do Fórum Social

Em sua quarta edição, de 16 a 21 de janeiro em Mumbai, na Índia, direção do FSM ignora insurreições e luta contra a guerra e a Alca

Em meio a 1.600 atividades inscritas por 94 diferentes países e com cerca de 90 mil participantes, a organização do Fórum contou ainda com a concorrência de um “contra-fórum” organizado por entidades e partidos políticos radicais (hindus e asiáticos), que criticaram a falta de coesão política da direção do evento oficial e sua vinculação com multinacionais e governos neoliberais.

Apesar do clima de rechaço à ocupação norte-americana no Iraque e do enorme sentimento anti-imperialista que pairou sobre o evento, mais uma vez, a direção colocou o FSM distante das lutas anti-globalização que ocorrem em todo o mundo.
Semelhante ao último encontro, realizado em Porto Alegre em 2003, a direção do evento apresentou as reformas das instituições do imperialismo, – ONU e OMC – como a grande saída para os milhares de ativistas presentes. Nenhuma declaração oficial contra a guerra e a ocupação norte-americana foi apresentada, e a ONU continua a ser apontada como a única saída para a construção de um “novo governo” iraquiano, com os EUA.

Limites das discussões

Com o argumento de que o grande objetivo deste Fórum era ampliar a discussão com “o outro lado pobre do mundo”, a direção do evento sofreu duras críticas ao não apontar nenhum projeto claro de oposição ao modelo capitalista. Em um dos principais painéis de todo o encontro, “A globalização e suas alternativas”, houve vários questionamentos dirigidos aos painelistas sobre a falta de propostas. A maioria das intervenções do público dizia que não haviam viajado milhares de quilômetros para escutar mais uma caracterização da globalização neoliberal, mas para escutar as propostas alternativas.

Na verdade, a direção do Fórum quer evitar a materialização de qualquer proposta de ação que possa colocar em risco seu projeto de reformas dentro do capitalismo. O que não se quer deixar claro é que as organizações que foram, e ainda são, parte da direção do Fórum, são agora governo. O ministro brasileiro Olívio Dutra, anfitrião das três últimas edições do FSM, não conseguiu explicar, em um dos painéis em que esteve, a manutenção da política do FMI durante todo o primeiro ano de governo Lula no Brasil.

A direção do Fórum não pode responder aos anseios de milhares de ativistas , pois os governos de “esquerda”, que se propõem a humanizar o capitalismo, estão na verdade aplicando hoje o neoliberalismo.

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Um mundo socialista é possível

No último período grandes lutas vêm questionando o neoliberalismo e os regimes que aplicam este modelo. As insurreições no Equador, Argentina, Bolívia, Peru, e as grandes mobilizações promovidas na Coréia do Sul, entre outros países, demonstram que os trabalhadores não podem mais agüentar a situação de miséria e fome imposta pelo capitalismo.

Cada vez mais pessoas expressam em todo o mundo a necessidade de unificar as vozes contra as políticas do FMI, a submissão dos governos às dívidas de seus países e a ofensiva militar do governo Bush.

A direção do FSM sustenta que é impossível superar o capitalismo e se recusa a enfrentá-lo. Por outro lado, a crescente insatisfação expressa por diversos ativistas no último Fórum, demonstra que há um verdadeiro espaço para construir uma alternativa socialista e derrotar o capitalismo.

Post author Yuri Fujita, da redação
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