Crise? Para os bancos é só festa

Presidente do Itaú, Roberto Setubal

Ao mesmo tempo em que avança o desemprego e a renda cai, bancos têm lucros recordes

O aprofundamento da crise já vem fazendo estragos na vida dos trabalhadores e da grande maioria da população. A onda de demissões já aumentou o desemprego, que chegou a 8,1% em julho, o que significa mais de oito milhões de trabalhadores sem emprego no país. No 1º semestre foram extintos 345 mil postos de trabalho e, segundo estimativas do Conselho Federal de Economia, 2015 vai fechar com 1 milhão de vagas a menos.

Mas para os bancos não existe crise. No país dos banqueiros, os lucros são recordes. O Itaú acabou de divulgar seu lucro no 2º trimestre de 2015 e, surpresa, foi simplesmente o maior lucro da história do banco num período de três meses, de R$ 5,9 bilhões. Um crescimento de espantosos 22% em relação ao ano passado. No primeiro semestre, o lucro do Itaú chegou a R$ 11,7 bilhões, 25,7% a mais que em 2014.

Mas não é só o Itaú que está rindo à toa. O Bradesco, banco em que o atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, era executivo até poucos meses atrás, também teve recorde de lucro neste último trimestre, de R$ 4,4 bilhões, aumento de mais de 18% em relação ao ano passado. No semestre, o lucro do Bradesco totalizou R$ 8,7 bilhões, nada menos que R$ 1,6 bilhão a mais que em 2014.

O Santander já havia divulgado na semana anterior os seus lucros no 2º  trimestre, de R$ 3,8 bilhões. Nesse mesmo período do ano passado, seu lucro havia sido de R$ 528 milhões. No semestre o lucro foi de R$ 4,5 bilhões.

Lucram com a nossa miséria
“Itaú dribla a crise”, “Bradesco tem lucro apesar da crise”, crava a imprensa. Na verdade, os bancos não lucram apesar da crise, mas sim justamente por conta dela. A política econômica do governo Dilma que destina desemprego e endividamento às famílias, significa mais lucros para os banqueiros. O sucessivo aumento nos juros, que já está em 14,25%, fez a margem dos ganhos dos bancos crescer quase 16% nos empréstimos.

Com o aumento da chamada taxa básica de juros, o país gasta mais com a dívida pública, que desvia quase metade do Orçamento da União todos os anos para os banqueiros, e faz com que os bancos aqui faturem ainda mais com a cobrança dos juros de empréstimos e aumento nas taxas. Ao mesmo tempo, os bancos impulsionam ainda mais seus lucros demitindo trabalhadores. O Itaú, por exemplo, fechou 2.392 postos de trabalho no último ano. Só pra lembrar, em 2014 o banco teve seu maior lucro da história, de mais de R$ 20 bilhões.

Enquanto isso, no Brasil real em que vive a maioria da população, além do drama do desemprego, a inflação come os salários. De novembro do ano passado a maio deste ano, a massa salarial, ou seja, a soma dos salários e benefícios pagos aos trabalhadores, diminuiu 10%.  Já o poder de compra das famílias (salários, aposentadorias e pensões descontados inflação, pagamento de empréstimos e dívidas) caiu 6,2% este ano, segundo a consultoria Tendências.

Situação esta que só tende a piorar com o avanço das demissões e medidas como a restrição ao seguro-desemprego, o abono do PIS, e a implementação do famigerado PPE (Plano de Proteção ao Emprego) que reduz os salários em até 15%. 

Mas no andar de cima é só festa, com os aplausos do governo Dilma, que impõe essa política econômica, do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), responsável por leis como a da terceirização e que vem passando o ajuste fiscal na Casa, e Aécio Neves (PSDB), que fustiga o governo mas defende essa mesmíssima política econômica.

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