Crise chega aos Estados Unidos

Ainda que as mobilizações nos EUA não tenham a mesma dimensão das européias, já se produzem antes da guerra e indicam uma tendência de crescimento. Enquanto as massas norte-americanas não dão a última palavra, a grande discussão entre a grande burguesia norte-americana é se os objetivos políticos e econômicos que motivam a guerra podem ser alcançados no quadro atual.
O insuspeito New York Times, ferrenho defensor de uma invasão do Iraque, concluía assim seu editorial: “(Os EUA) também necessitam demostrar, com um exemplo, que existem regras certas que todos devem seguir, e uma das mais importantes entre essas determinações é que você somente pode invadir outro país se possuir razões obrigatórias. Quando o objetivo é confuso, ou está baseado em proposições questionáveis, mostra-se apropriado parar e buscar um meio menos extremo para alcançar suas metas” (NYT, 09.03.003).
O que argumenta o NYT é que a primeira batalha já foi perdida: a legitimação da agressão imperialista como uma “guerra justa” baseada na “legitima defesa”. Entretanto, as relações carnais do governo Bush com a industria militar e as empresas petroleiras dificultam uma saída negociada com França e Alemanha. Do lado europeu, as massas na rua impedem a construção de uma manobra de última hora que salve o governo Bush, e permita uma “legalização” da ocupação. A única hipótese de evitar a crise seria uma ocupação sem a resistência das massas iraquianas ou a capitulação de Saddam.
Em qualquer caso, estamos diante de grandes acontecimentos. A continuidade das mobilizações é a única maneira de derrotar as manobras de Chirac e a barbárie da guerra imperialista patrocinada por Bush.
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