Crise atinge Zona Franca de Manaus

Férias coletivas e redução do ritmo da produção aumentam temor do desempregoCerca de 15 mil trabalhadores da Zona Franca de Manaus receberam férias coletivas antecipadas em outubro. A medida, tomada por 16 empresas, foi motivada pela crise econômica mundial. As férias de outubro não serão contabilizadas nas férias coletivas de Natal, que ocorrem todo ano e ocorrerão também em 2008.

A Yamaha, maior produtora de motocicletas da Zona Franca, deu férias para 55% do seu efetivo – 2.358 trabalhadores. O Grupo Honda, outra grande empresa na região, mandou 5 mil para casa em outubro.

O clima entre os operários é de apreensão. Com medo de demissões, eles antecipam as compras do mês. O receio é justificado: desde o início do ano, o desemprego na Zona Franca aumentou 12% com relação ao mesmo período em 2007. Segundo o jornal O Globo, em setembro as dispensas aumentaram 19%. E as contratações normais de fim de ano já diminuíram.

Os primeiros atingidos são os temporários. Eles não têm carteira assinada e têm poucos direitos trabalhistas. Isso facilita o desligamento, pois as empresas ficam desobrigadas de encargos como o FGTS, por exemplo.

Nas linhas de produção, o ritmo já caiu 15%. Com a crise, encomendas estão sendo canceladas, o que deve reduzir a venda de final de ano que, normalmente, dobra.

A economia da cidade gira em torno da Zona Franca. O pólo industrial conta com 500 empresas e cerca de 103 mil trabalhadores empregados.

Os principais produtos que saem do pólo são eletroeletrônicos e motocicletas. Estima-se que cerca de 80% dos produtos eletrônicos vendidos no Brasil saem da região. Assim, a população já começa a sentir os efeitos da crise. O comércio e o transporte desaceleraram. Tudo indica que pode haver demissões também nesses setores.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Manaus, ao invés de preparar a resistência dos trabalhadores contra as demissões, vem negociando com os patrões. Ao apoiar a suspensão de contratos de trabalho, o presidente do sindicato justificou dizendo que “o pior é ter demissões”. A suspensão de contrato é um mecanismo que mantém os trabalhadores em casa recebendo salários, mas sem receber benefícios como vale-transporte e alimentação.

É absurda a idéia de dividir os prejuízos da crise. Os operários da Zona Franca de Manaus, já tão explorados, não podem perder um centavo. As empresas têm de reduzir a jornada de trabalho para 36 horas semanais sem reduzir os salários. Aquelas que demitirem devem passar ao controle dos trabalhadores.

O governo federal deve tomar medidas que garantam a estabilidade no emprego. Além disso, é necessário estatizar o sistema financeiro e não dar nenhum dinheiro para salvar bancos e empresas falidas pela crise que elas mesmas criaram.