Crescimento a custa da vida de operários em Fortaleza

Segundo o IBGE, entre 2002 e 2007, o nível de produtividade no setor da construção civil no Ceará cresceu 17%. Somados à queda de 6% no salário médio pago aos trabalhadores do setor, o resultado é um lucro espetacular. E como se explica isso?
“Eu não tenho a menor dúvida que o aumento da produtividade é por conta da maior exploração. O povo está trabalhando demais. É muito trabalho à noite e durante o final de semana”, conta Nestor Bezerra, coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza, da CSP-Conlutas. Nestor está coberto de razão. Nunca se viu um crescimento tão pomposo, no setor, da terceirização e da precarização.

Segundo um estudo do IBGE, entre os anos de 2002 e 2007, os trabalhadores com carteira assinada representavam somente 27% do total de trabalhadores do setor. Ou seja, mais de 70% da categoria são informais. A conta é simples: os empresários aumentam seus lucros ao não ter que contratar mão de obra diretamente, com todos os direitos existentes no país. Com as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), essa situação vai ficar ainda pior.

É cada vez mais comum que grandes construtoras terceirizem boa parte do trabalho das obras, tal como os serviços de carpinteiros e ferreiros que, para conseguir um salário acima do piso da categoria, se submetem a um ritmo alucinante de trabalho.
“O trabalhador faz de um tudo pra conseguir um pouco mais: começa a trabalhar mais cedo, come mais rápido pra voltar pro trabalho, estica depois do horário, tudo pra atingir as metas da empresa. Daí ele chega a fazer R$ 1.300 e tem daqueles que chegam até R$ 1.900. Mas a jornada vai até 12 horas por dia”, explica Nestor.

Mulheres recebem menos
Outro aspecto da precarização, celebrado como avanço na democratização do trabalho pelas grandes empresas, é a introdução cada vez maior da mão de obra feminina. Normalmente o salário das trabalhadoras é o piso mais rebaixado (servente). Também são as principais vítimas do assédio moral nos canteiros, pois muitas das vezes não têm a carteira assinada e, como os demais trabalhadores, sentem a necessidade de esticar a jornada pra ver crescer um pouco mais o salário.

O mais dramático disso tudo é o crescimento do número de acidentes e até de mortes, que se multiplicam cada vez mais. Só em Fortaleza, de janeiro a agosto, foram 16 trabalhadores mortos em acidentes de trabalho, segundo o que foi noticiado. Uma média de mais de dois mortos por mês em acidentes.
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