Covardia no leilão do petróleo: “Os policiais não paravam de bater”

Eduardo Henrique Soares, diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, foi duramente atingido pelos policiais militares, no ato contra o leilão do petróleo, no Rio de Janeiro. Nesta entrevista por telefone, Eduardo fala de como os policiais atacComo foram os protestos contra o leilão do petróleo?
Os atos ocorreram durante toda a semana, praticamente. Teve paralisação, ato em Brasília e, na quarta-feira, um dia antes do leilão, teve a ocupação do saguão da sede da Petrobras, aqui no Rio. Ficamos lá quase o dia todo, até a noite, quando chegou uma reintegração de posse pedida pela direção da empresa. A Tropa de Choque cercou o local e deu 30 minutos para sairmos. Fizemos uma assembléia e saímos cantando, marcando de nos encontrarmos no dia seguinte.
Na quinta, começamos com um ato na Candelária, que fica bem perto da sede da Agência Nacional do Petróleo. Era umas 9h, 10h. Fizemos discursos, abrimos faixas, panfletagem… Devia ter umas 200 pessoas, por aí. Na hora do almoço, fomos para a frente da sede da ANP, que fica do outro lado da rua, na esquina da Rio Branco com a Presidente Vargas.

Ali começou a repressão…
Não. Ainda não. A sede estava cercada de policiais, impedindo a passagem. Mas não teve confronto ali, até porque não forçamos a entrada, não ameaçamos invadir.
Fizemos um ato na porta da ANP e levamos tinta vermelha, para lançar na porta do prédio. Fizemos o ato, jogamos a tinta e imediatamente saímos do local em passeata.

E os policiais?
Eles hesitaram um pouco, mas vieram atrás. A gente já estava lá na frente, quase na Rua da Alfândega, a duas quadras dali. Os policiais chegaram batendo. Eles estavam com raiva, porque a tinta respingou em alguns, manchou a farda. Acabou respingando nos que estavam dirigindo a operação…
Ninguém jogou tinta neles. Jogamos na porta, eles saíram da frente na hora. A tinta respingou e caiu neles, assim como respingou em muitos manifestantes…

E eles foram atrás por isso…
É. Não havia mais conflito, ameaça de invasão, nada. Não fizeram para dispersar, para evitar que invadíssemos. Em nenhum momento ameaçamos invadir. Foi vingança pura.
Ninguém entendeu nada quando eles chegaram batendo. O Brayer, diretor do sindicato, estava montando um cordão de isolamento, mantendo a passeata em algumas pistas da Av. Rio Branco, quando os policiais chegaram batendo. Mandaram ele sair, já batendo com o cassetete. Nisso, muitos de nós nos aproximamos para saber o que estava acontecendo. A pancadaria começou ali mesmo. O Brayer teve a mão quebrada.

Foi ali que te bateram?
Começaram ali. Me acertaram com os cassetetes nas costas, no braço, nas pernas. Por sorte, não cheguei a cair. Eu tentei e defender e quando vi que eles não iriam parar, comecei a correr também. Os policiais não paravam de bater.
Quando comecei a correr, senti uma porrada por trás, na cabeça. Foi um golpe só. Não parei pra ver. Segui correndo, e achei que não era nada grave. Não fui muito longe. Só virei a esquina e senti um negócio escorrendo pela cara. Só vi o estrago quando passei a mão no sangue. Outros companheiros viram e pararam pra me ajudar. Eu estava sangrando muito, mais até do que na foto que o pessoal viu. Eles me levaram direto pro Souza Aguiar.

E como você está agora?
Já estou bem, fora de perigo. Fiquei no Souza Aguiar até umas 18h, depois fiz uma tomografia e outros exames. Tomei oito pontos na cabeça, tem várias partes do corpo vermelhas, inchadas, mas agora é só aguardar pra ficar bom e tirar os pontos.

Muitos militantes ficaram preocupados, por causa da sua foto no hospital…
É. Muita gente telefonou, mandou mensagens. Teve gente que viu a foto e achou que estava desmaiado ali, mas não cheguei a desmaiar. Naquela hora a médica estava costurando os pontos e tiraram a foto, com um celular. Mas estou bem. Pronto pra outras (risos)

A polícia bateu em muita gente também
Foi uma reação desproporcional. Eles perseguiram todo mundo até a Cinelândia. Foi uma caçada. O pessoal correu pelas ruas laterais, tentando escapar dos policiais. Foi um absurdo. Eles bateram muito. Quebraram o braço de duas pessoas. De um militante do MST, e do Emanuel Cancela, coordenador do sindicato.
E ainda inventaram de prender manifestantes. Prenderam três e só soltaram là pra uma da manhã, e com uma fiança de R$ 8 mil. Inventaram de tudo pra poder segurar mais tempo possível. Acusaram de desacato a autoridade, dano ao patrimônio, tudo o que puderam. Alegaram até a mancha nos uniformes como justificativa para as pessoas ficarem presas. Ficaram pulando de delegacia, pra evitar atos nos leilões de hoje, sexta. O pessoal foi atrás, com advogado, e com a ajuda de parlamentares, como o deputado Chico Alencar e o vereador Eliomar Coelho, do PSOL.

O que vocês pretendem fazer agora?
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  • Pancadaria no ato contra leilão do petróleo