Cordobazo: a rebelião diante da minha janela

Em 1969, a Argentina tremeu com a guerra travada na província de Córdoba contra a ditadura. Com 13 anos, acompanhei pela janela de casa os protestos e as barricadas sendo montadas, e vi pela primeira vez a aliança entre operários e estudantes.“Te acordas hermano que tiempos aquellos… eran otros hombres más hombres los nuestros, así comienza la letra de un tango en mi país Argentina, pero también tenemos que decir que fuimos hombres y mujeres quienes desde una edad muy temprana vivimos un tiempo de compromiso con nuestra realidad, adolescentes casi niños una juventud que desde la fábrica, la escuela o la facultad tuvo que crecer de golpe.”
Tiempos viejos, tango de Francisco Canaro e Manuel Romero (1926)

Ao escrever este texto, começo a viver um retorno ao passado e, em minha mente, passam as imagens daquela época umas depois das outras. Desta forma, é que começo a montar o quebra-cabeça.

Naquele ano, eu tinha 13 anos. A juventude não pensava em consumo, nem em moda. Vivíamos uma ditadura militar férrea, repressiva, produto de um golpe de Estado, comandado pelo general Onganía, que censurava tudo, até o ar que se respirava, e que se propunha a governar por vinte anos. Este governo se dizia admirador de Hitler.

Na Argentina, como expressão de repúdio, estudantes e professores já haviam várias vezes ministrado aulas livres nas portas das faculdades e nas ruas. Algumas vezes, se chegou a ocupar as faculdades. Já vinham acontecendo revoltas que eram fruto da repressão, dos baixos salários, das jornadas não pagas.

Multiplicavam-se as demissões arbitrárias e massivas de trabalhadores e funcionários estatais. Houve tentativa de privatizar os restaurantes universitários e os orçamentos da saúde e da educação foram cortados. A única coisa que aumentou foi o salário da polícia em 50% e o preço do pão.

Nós, ao lado dos gorilas – assim os chamávamos – ficávamos pequeninos. Eles estavam nas portas das universidades, controlavam as entradas e saídas, militarizaram todo o meio acadêmico. Eles diziam como se comportar, como se vestir. As meninas, com tiaras na cabeça, não podiam usar minissaia. Estava proibido beijar em público. Os homens não podiam ter barba nem cabelo comprido. Eles nos falavam dos “bons costumes”.

Mas não estavam só nas faculdades e colégios: também estavam nas fábricas. Por isso, desde pouca idade aprendemos a resistir com os punhos fechados, a aguentar firme e a nos orgarnizar. Antes de entrar no momento histórico concreto, devemos ressaltar alguns elementos que se combinaram para culminar num ano intenso de lutas.

O contexto destes anos foi de uma época em uma ditadura militar governava o país. Essa ditadura chegou ao governo por um golpe de Estado e se autodenominava Revolução Argentina. Era presidida pelo general Juan Carlos Onganía que implementou medidas autoritárias, antioperárias e de desindustrialização, para abrir o mercado interno aos monopólios internacionais.

Também perseguiu e encarcerou militantes políticos e sindicalistas de oposição, colocou os partidos políticos na ilegalidade e interveio nas universidades, que foram consideradas “centros de subversão e comunismo” pela propaganda oficial. Estudantes e professores foram despejados violentamente das universidades pela polícia.

Hoje me enchem os olhos de lágrimas ao recordar as coisas compartilhadas com meus companheiros nas boas e nas más horas, com nossas convicções, com nossos ideais, com uma imensa debilidade produto de nossa inexperiência e pelos tantos que já não estão entre nós.

Neste artigo, quero contar o que foi o Cordobazo. Mas, para falar desta página de nossa história, é necessário explicar que ela se deu no momento em que uma insurreição corria a Europa, a insurreição dos estudantes que culminou com o Maio de 68 na França e que se somou às lutas antiburocráticas. A América Latina, como parte desse todo, expressou no intenso mês de maio de 1969, com toda sua crueza, este levante que teve seu ponto mais quente na província de Córdoba.

No ano de 1969, a delegação da Confederação Geral do Trabalho dos Argentinos (CGTA) encabeçava a luta contra a entrega do capital nacional aos monopólios estrangeiros e a opressão ao povo, a supressão das conquistas trabalhistas e as garantias e liberdades individuais e públicas. Destacavam-se os combativos Agustín J. Tosco, secretário geral do Sindicato de Luz e Força, e Atilio H. López, um veterano lutador peronista, membro da UTA (Unión Tranviários Automotor). A eles se somava a força dos operários mecânicos.

Em 14 de maio de 1969, foi reprimida uma assembleia de operários da indústria automobilística contra a eliminação do sábado inglês. No dia 16, a UTA para a cidade, acompanhada por o sindicato Luz e Força. Enquanto isso, na província de Corrientes, matam o estudante Juan José Cabral e, em Rosário, Adolfo Mario Bello.

No dia 26, as duas centrais operárias cordobenses, anunciam uma greve para o dia 29. A adesão foi muito importante e a concentração foi reprimida violentamente, morrendo um operário da Ika Renault.

O ano de 1969
O governo militar, que representava os interesses da burguesia entreguista aos interesses dos Estados Unidos, contava também com a colaboração da hierarquia da Igreja e com uma central sindical tradicional, formada por una estrutura burocrática calcificada, uma direção sindical cuja cumplicidade a levava à entrega total e cujo nome era identificado pela rua onde ficava sua direção, a CGT de Azopardo.

Em oposição a esta, surge uma nova organização sindical, a CGTA (Confederação Geral do Trabalho dos Argentinos), diferenciando-se. A CGTA não só fazia reivindicações conjunturais – aumento salarial, defesa do emprego etc. –, mas também era combativa, questionava e apontava mudanças estruturais profundas.

Durante todo o mês de maio, multiplicaram-se as mobilizações. Foram assassinados estudantes e operários. Porém, longe de amedrontar o movimento, geraram novas e massivas formas de luta: 40 mil pessoas participaram do enterro de um dos estudantes mortos em Rosário. Marchas silenciosas em repúdio aos crimes da ditadura, atravessaram as principais cidades. Levantaram-se barricadas e se multiplicaram ações surpresa nas ruas. Foram ocupadas faculdades, fábricas e oficinas.

Para o dia 30 de maio, foi convocada uma greve geral nacional. A paralisação foi chamada pela nova central, a CGTA, e as organizações estudantis. O governo estabeleceu o toque de recolher em Rosario e em Córdoba. Os pontos colocados na convocatória foram: repúdio aos assassinos da ditadura e homenagem às vítimas, aumento geral de salários em 40%, funcionamento das comissões paritárias para renovar os acordos coletivos, defesa do emprego, restabelecimento das liberdades democráticas e sindicais.

Este chamado teve a adesão de praticamente toda a população. O governo prepotente e estes senhores cheios de poder e privilégios acreditavam ser donos de nossas vidas e nossas mortes. Assim foi que, passo a passo, se caminhou até o Cordobazo.

Córdoba uniu as bandeiras acumuladas em centenas de lutas protagonizadas por operários, estudantes, donas de casa, camponeses, setores de base da igreja, por liberdades democráticas, contra a guerra imperialista do Vietnã, pela paz, a luta do povo cubano, tudo em uma só bandeira.

O Cordobazo
Córdoba havia se convertido na capital industrial do interior. Lá estava instalada a maioria das fábricas de automóveis do país, uma indústria moderna, propriedade de poderosas sociedades estrangeiras, como Fiat e Renault. Esta última adquiriu as instalações das Indústrias Kaiser Argentina, IKA, de origem norte-americana, radicada em Córdoba desde 1955 e dedicada à produção de automóveis.

Os operários industriais que trabalhavam nessas plantas recebiam salários mais altos que o salário médio industrial recebido em outras províncias. Resultado de todos esses fatores, na cidade de Córdoba se aprofundou o processo de urbanização.

Em maio de 1969, o Poder Executivo Nacional baixou um decreto que retirava os regimes especiais sobre o descanso do sábado inglês em Mendoza, San Juan, Tucumán e Córdoba. Também anunciou o congelamento dos acordos coletivos e dos salários.

Os motivos que fizeram transbordar a situação foram, no terreno sindical, as “quitas zonales”, um direito patronal de aplicar, em algumas províncias, reduções sobre o salário definido pelas convenções coletivas nacionais. O governo sancionou, em 12 de maio, uma lei que unificava a jornada de trabalho em 48 horas semanais, o que implicava o fim do sábado inglês em cinco províncias, entre elas Córdoba. Daí surge uma série de paralisações que depois se complementariam com as paralisações ativas, ou seja, a saída das fábricas às 10h da manhã e manifestações.

O aumento do preço do restaurante universitário privatizado da Universidade de Corrientes gerou manifestações que, ao serem reprimidas, produziram a morte do estudante de Medicina Juan Cabral, em 15 de maio de 1969. Isso provocou gigantescas manifestações em Rosario, que ficaram conhecidas como Rosariazo. Nessas manifestações, mais um assassinato, do estudante de Ciências Econômicas, Adolfo Bello. Rosario foi declarada “zona de emergência” depois da morte de um terceiro estudante, Luis Blanco. Tribunais militares julgavam os detidos. As universidades foram fechadas em Córdoba e Rosario. Em poucas horas, Corrientes, Córdoba e Rosario se encontravam em pé de guerra. O país se converteu num barril de pólvora.

Em Córdoba, as regionais de SMATA (Sindicato dos Mecânicos de Automóveis e Transportes da Argentina), de Luz e Força e a UTA convocaram uma assembleia geral. As direções destes três sindicatos, cujos trabalhadores recebiam os salários mais altos do país, lideraram o protesto que terminou com um enfrentamento com a polícia e um chamado à greve geral.

Em Córdoba, existia uma estreita relação entre estudantes e operários. Ao descontentamento geral se somou a decisão do governo provincial de suprimir o sábado inglês. Os estudantes aderiram à greve geral com força. Rapidamente a cidade foi controlada pelos manifestantes, que conseguiram sua ocupação durante cerca de 20 horas. Houve incêndios e ataques às principais empresas multinacionais. A repressão foi brutal e deixou vinte manifestantes mortos e centenas de detidos. Entre eles, alguns dirigentes sindicais, como Agustín Tosco, Atilio López e Elpidio González.

Em 29 de maio de 1969, pela manhã, houve protesto operário. Depois do meio-dia, uma rebelião popular. À tarde, após revide da polícia, uma insurreição urbana. A concentração foi reprimida violentamente, deixando um operário morto da Ika Renault. Depois, mataram outro trabalhador, o que gerou grande indignação. O povo começa a formar barricadas e avança sobre a polícia que revida. Oitenta e cinco mil operários, 35 mil estudantes universitários e 15 mil secundaristas, junto com donas de casa, comerciantes e profissionais liberais escreviam a história, deixando 30 mártires nessa luta. O histórico dia terminaria com a morte do operário Máximo Mena.

Às 17h, soava o toque de recolher e o Exército tentou entrar e despejar o Bairro das Clínicas, o que só conseguiriam na noite do dia seguinte. Com as primeiras horas da noite, entravam para a história e para os julgamentos sumários – conselhos de guerra – os dirigentes operários, Agustín Tosco, Elpidio Torres e Atilio López.

A partir daí, começaria o ascenso dos sindicatos Sitrac (indústria automobilística), Sitram (ferroviários) e ganharia prestígio seu secretário, René Salamanca. O governador de Córdoba, Carlos Caballero, em sua renúncia, reconheceu o enorme apoio popular que suscitou a aliança entre operários e estudantes. Textualmente, disse: “contou com a adesão massiva da população”.

Os vinte anos de Onganía se reduziram a quatro
Em 29 de maio, operários e estudantes cordobenses e de outras províncias saíram unidos às ruas de Córdoba. Diante da magnitude da mobilização, Onganía ordenou às Forças Armadas que se encarregassem da repressão. O protesto foi um fato localizado na cidade de Córdoba e, como resultado dos enfrentamentos, houve muitos presos, mais de cem feridos e 16 mortos, alguns fora da manifestação.

O protesto se estendeu a outras províncias. Rosario foi declarada zona de emergência e colocada sob jurisdição militar. Também se aprofundaram os conflitos na província de Tucumán. O Cordobazo foi o início de um processo de agudização de protesto social e da luta de classes que, desde então, se desenvolveu na Argentina.

É importante assinalar que, nas faculdades e nas instituições de ensino secundaristas, o chamado à greve do movimento operário foi o documento com o qual os estudantes convocavam as suas assembleias. Apesar das proibições, os operários entraram nas universidades, nas assembleias estudantis, para explicar suas reivindicações e protestos. E os estudantes participavam das assembleias fabris, formando comitês conjuntos de convocatórias. A greve foi, praticamente, unânime em todo o país.

O dia 29 de maio em Córdoba, se resolveu como uma paralisação ativa: os trabalhadores, de forma sincronizada, abandonaram as atividades e, apesar da polícia, marcharam ao centro da cidade, confluindo, no mesmo lugar, colunas multitudinárias vindas de distintas fábricas e de distintos centros universitários. Os assassinatos de dias anteriores potencializaram ainda mais a raiva social.

O comércio fecha suas portas e as ruas vão se enchendo de gente. Corre a notícia da morte de um companheiro. Era Máximo Mena, do Sindicato de Mecânicos. Acontece, então, a explosão popular, a rebeldia contra tantas injustiças, contra os assassinatos, contra os abusos. A polícia recua. Ninguém controla a situação. É o povo. São as bases sindicais e estudantis que lutam inflamadas. Todos ajudam. O apoio total da população se deu no centro e nos bairro.

No centro de Córdoba, as colunas de operários e estudantes não só fizeram retroceder os destacamentos policiais, inclusive a cavalaria, mas também ocuparam e tomaram o controle das principais rádios e estações de bairros. Barricadas foram levantadas no coração da cidade. Vários edifícios, tanto da administração nacional e provincial, quanto das multinacionais, foram incendiados. Praticamente dez bairros estiveram sob controle de operários e estudantes.

A cidade tomada: este era o cenário. As barricadas, como dizia aquele grafite do maio francês de 1968, fecham a rua, mas abrem o caminho, formando parte da geografia urbana. A Infantaria retrocedendo e executando a retirada. O bairro das Clínicas convertido em bastião da insurgência popular. A confluência de operários e estudantes, assinalando sua aliança nas manifestações massivas.

A ditadura respondeu com uma repressão tremenda. Foi declarado estado de sítio e toque de recolher em toda a cidade. O governo chamou os militares para retomar o controle. Tropas dispararam todo tipo de armas contra os manifestantes. Os hospitais transbordavam com centenas de feridos a bala e com fraturas múltiplas. Os tanques do Exército, aviões e diversos destacamentos da polícia se movimentavam pela cidade, disparando contra os manifestantes, contra tetos e lares. Em resposta, e apesar do toque de recolher e da movimentação militar, a resistência popular incendiou o quartel de suboficiais da aeronáutica e atacou postos policiais.

Durante o dia, podia se ver os estudantes não entrando no colégio, reunindo-se em grupos nas esquinas. De todas as casas, se tirava coisas velhas e se colocava no meio da rua para ajudar a construir as barricadas. Em algumas esquinas, se acendiam fogueiras.

No bairro, já à noite, se podia escutar os aviões que passavam quase tocando as casas. As balas passavam zunindo quase em nossos ouvidos. Escutavam-se as pessoas correndo até em cima dos telhados. Também nas ruas, os gritos, as corridas e os tiros. Viam-se relâmpagos que, de repente, resplandeciam como se fosse dia. Parecia um terremoto.

Minha família nos confinou num canto da casa. Já não podíamos sair mais à rua. Foram quase 30 horas de enfrentamento entre as Forças Armadas e o povo. Finalmente, o Exército toma o controle a balaços. Estabeleceram-se conselhos de guerra. Milhares de participantes foram detidos. Muitos deles foram condenados por procedimentos de guerra especiais e levados a prisões distantes. Depois de uma série de enfrentamentos, a cidade fica sob o controle dos militares e a manifestação termina.

Durante a greve geral, nas capitais de todas as províncias não pararam as manifestações e concentrações. Em Buenos Aires, uma imensa manifestação foi dispersa a balas e foi assassinado um dirigente estudantil. Apesar das proibições, foi velado na sede da CGTA, onde mais de 5 mil pessoas permaneceram de guarda durante toda a noite.

Para Agustín Tosco, “o Cordobazo é trágico. Dezenas de mortos, centenas de feridos. Mas a dignidade e a coragem de um povo florescem e marcam uma página na história argentina e latino-americana que não se apagará jamais”. Foram três jornadas de violentos enfrentamentos de rua provocados pela cruel repressão da polícia e do Exército contra o povo, era para ser uma manifestação de protesto, e pela grande repressão viro uma página especial na historia de meu país.

No bairro, mesmo depois de vários dias, podia se sentir um mau cheiro. Era o cheiro dos cadáveres que haviam ficado nas casas vizinhas. Depois ficamos sabendo que nosso bairro foi um dos bastiões da resistência.

Estas mobilizações de maio conceberam jornadas de rebelião popular generalizadas que fizeram retroceder as forças repressivas, jornadas que tiveram profunda repercussão em toda a sociedade e que se concentraram numa vitória inesquecível na história do povo argentino.

Por isso, podemos dizer sem medo e sem nenhuma dúvida, que o Cordobazo foi o fato decisivo que precipitou a queda de Onganía. Foi o gesto glorioso que feriu de morte a ditadura e, assim, Onganía, que pensava em ficar 20 anos no governo, chegou a apenas quatro.

Nós que vivemos a ditadura militar aprendemos que toda pequena conquista é um grande passo. Sabemos que é necessário lutar para sair desta sociedade de desigualdades e, para isso, é preciso mais do que nunca estarmos organizados de forma independente.

O Cordobazo, que não foi um fato isolado, mas uma expressão de uma tendência mundial das massas do mundo resistindo à injustiça e se propondo a conquistar um mundo livre das amarras do capitalismo.

O Cordobazo, com suas mobilizações e resistência à ditadura, muda a correlação de forças, e a classe operária começa a ser protagonista da realidade. Contraditoriamente e lamentavelmente, diante da ausência de um partido revolucionário que colocasse a possibilidade de estender e unir todas as lutas até a tomada do poder pela classe operária, a realidade teve um limite. Em Córdoba, começou a se gestar uma nova direção classista que, ao não avançar em nível nacional e em sua compreensão política como classe, retrocedeu até acabar na armadilha da reação democrática burguesa e dos acordos.

Porém o Cordobazo não só foi um ponto de inflexão na história política argentina porque se converteu num fator determinante para a derrubada do governo de Onganía. Também teve uma grande repercussão internacional, em especial na América Latina, além de ser a bandeira que hoje podemos escutar em cada mobilização, em cada reivindicação dos trabalhadores que saem às ruas.

Ao grito de “… paso a paso se viene el Cordobazo…”

*Betty Bellavia é argentina e tinha 13 anos quando presenciou o Cordobazo. Hoje, mora no Brasil e é militante do PSTU