Manifestantes em Bogotá, Colômbia, Dezembro de 2019. Grupo que se autodesignou "Primeira Linha" para defender os atos durante a greve geral.

Marcelo Freixo, segundo o Jornal Folha de S. Paulo de 1 de setembro, posicionou-se contra os atos convocados pela Frente Fora Bolsonaro no dia 7 de setembro. Segundo o deputado, os atos podem terminar com violência, o que daria palco para Bolsonaro. Em nossa opinião, a posição do deputado e candidato a governador do Rio é um grande desserviço à luta contra Bolsonaro e Mourão.

Bolsonaro e sua base de ultradireita está jogando todas suas fichas nas manifestações de rua em 7 de setembro. Quer, com isto, dar uma demonstração de forças. Por isto, a nossa tarefa é construir manifestações mais fortes que a de Bolsonaro, a fim de desmoralizá-lo ainda mais e construir as condições para a sua derrubada o quanto antes.

Isto não significa, em hipótese alguma, que a proposta seja construir enfrentamento físico com a direita neste dia 7. As manifestações estão sendo convocadas para locais distintos e a orientação do comando dos atos é não cair em provocação e muito menos provocar.

Freixo tem agitado aos 4 ventos que estamos sob um governo fascista. Este sem sido seu principal argumento para justificar um leque de alianças amplíssimo, que inclui, entre tantos outros, o atual Prefeito do Rio – Paes, ao ex-presidente da Câmara dos Deputados – a Rodrigo Maia. Os dois reconhecidos membros da direita, mas que segundo Freixo, são democratas, e portanto, aliado contra o fascismo. Contraditoriamente, quando se trata de enfrentar as ameaças autoritárias, Freixo boicota uma ação construída de forma unitária pelo movimento Fora Bolsonaro e quer deixar as ruas livres para a ação da extrema-direita.

Em nossa opinião, Freixo erra muito ao apostar que Bolsonaro será vencido por uma frente eleitoral com os representantes tradicionais da burguesia brasileira e não com a vontade e ação da classe trabalhadora, da juventude, das negras e negros, das mulheres e LGBTS do país.

Apostar na via morta nas eleições é a política mais certa pra nos levar a uma derrota. Nós acreditamos justamente no oposto, que serão as mobilizações cada vez maiores dos setores explorados e oprimidos, sem ações provocativas, que irão barrar o ascenso da extrema direita.

No entanto, concordamos com Freixo sobre o perigo, cada vez maior, de que a extrema-direita use de ataques físicos contra as mobilizações populares como meio de intimidação. Para isso, propomos outra saída. É preciso seguir o exemplo da juventude e dos trabalhadores do Chile, da Colômbia e de todos os países onde as mobilizações democráticas sofreram ações de violência do estado seja da extrema-direita – organizar a autodefesa das manifestações, construir a primeira linha de defesa dos atos, de forma unitária e democraticamente controlada pelas próprias mobilizações. Esse é o caminho.