Continuidade política da economia de FHC, não!

Passado o Carnaval, o país começa a encarar a vida como ela é. Quando fechávamos esta edição do Opinião Socialista, era publicada uma pesquisa da CNT/Sensus que divulgava uma queda na avaliação positiva do governo Lula de 56,6%, no início de janeiro, para 45%, entre os dias 8 e 10 de março.
Trata-se de um primeiro e importante sinal de que os trabalhadores e o povo não vão agüentar paciente e passivamente que o governo Lula dê continuidade à mesma política econômica que os massacrou durante oito anos e fez a alegria dos banqueiros e especuladores do mercado financeiro.
No instante em que esta pesquisa era divulgada, os jornais de todo o país falavam da autocrítica que parlamentares do PT e membros do governo, com Aloísio Mercadante à frente, haviam feito por não terem apoiado as reformas neoliberais propostas por Fernando Henrique Cardoso – em particular a reforma da previdência – e que agora Lula se esforça para aprovar.
A continuidade da política econômica recessiva de FHC, na medida em que segue privilegiando o pagamento das dívidas externa e interna através de elevadas taxas de juros, do aumento do superávit primário e dos cortes no Orçamento das áreas sociais, leva inclusive a que setores do PT e do próprio governo Lula comecem a falar da necessidade de um Plano B.
Acontece que para a cúpula do PT não há outro plano senão a continuidade à política econômica do governo anterior. Mais que isso: precisa radicalizar e aprofundar a sua aplicação diante da iminência da guerra imperialista, das pressões crescentes dos Estados Unidos para antecipar a Alca e do aprofundamento da crise econômica que pinta um quadro sombrio que combina recessão e inflação. Como disse Otávio Frias, a política do governo Lula vem se resumindo a um “choque de gestão: fazer as mesmas coisas sim, mas com mais competência gerencial” (FSP 13/0303).
Após dois meses do início do mandato, fica evidente que mesmo as promessas de que as taxas de juros cairiam e de que se adotaria uma política que privilegiasse o setor “produtivo”, com vistas a retomar o crescimento econômico, foram abandonadas. O governo Lula não está se quer buscando fazer o “bolo crescer”, para depois repartir. Sua política econômica segue a mesma receita monetarista de Pedro Malan e do FMI, que só faz o “bolo murchar”. Enquanto isso, os banqueiros seguem com as maiores fatias e aos trabalhadores não restam nem mesmo migalhas.

Para conquistar mudanças é preciso ir à luta

Diante desse quadro, os trabalhadores não podem ficar parados, esperando que Lula atenda suas reivindicações, quando na prática o governo está preparando novos ataques ao nível de vida e as conquistas sociais da classe.
É preciso fazer uma grande campanha nacional contra a reforma da previdência que transferirá para os bancos privados a gestão das aposentadorias dos trabalhadores e arrancará mais e mais direitos sociais conquistados as custas de muita luta. Os sacrificados não serão somente os funcionários públicos. Todos os trabalhadores perderão, sejam do serviço público ou do setor privado.
Os servidores públicos federais (SPFs) já iniciaram sua campanha salarial de emergência que tem como eixo a luta contra a reforma da previdência e pela reposição das perdas salariais acumuladas durante oito anos de arrocho. É preciso cercar de solidariedade os SPFs, contra a campanha mentirosa da mídia, que os acusa de privilegiados. Mas é necessário ir além do apoio aos servidores.
Os trabalhadores da iniciativa privada devem seguir o exemplo dos servidores públicos e também ir à luta em defesa dos seus salários e empregos. A exigência de reposição das perdas, a adoção de um gatilho salarial automático para cada vez que a inflação ultrapassar 5% e a redução da jornada de trabalho sem redução dos salários estão colocadas na ordem do dia. Os metalúrgicos da Federação Nacional dos Metalúrgicos da CUT já iniciaram discussões nesse sentido, e podem ir à luta junto com os servidores públicos ainda no mês de março.
Por fim, é fundamental que se dê continuidade à campanha em defesa do plebiscito oficial sobre a Alca em 2003. Ainda mais agora, com a iminência da guerra, o imperialismo norte-americano apressa todos os prazos para a antecipação do Acordo.
Combinar a luta contra a guerra e a Alca, levar o abaixo-assinado para as novas manifestações anti-imperialistas e denunciar os planos de fome do imperialismo são parte de uma só e mesma luta.
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