Conlutas participa de parada gay em Campinas por um movimento de luta e classista

Evento LGBT reuniu mais de 100 mil pessoas no interior paulistaA Parada do Orgulho LGBT de Campinas (SP), ocorrida no dia 28 de junho, levou mais de 100 mil pessoas para o centro da cidade para mais uma festa que tende cada vez mais a descaracterizar um movimento de luta contra uma das opressões mais naturalizadas e disseminadas na sociedade brasileira: a homofobia. A cada ano, cresce o caráter festivo que associa a parada ao consumismo, que favorece a ampliação de uma fatia de mercado destinado aos gays – ou ao que é chamado “pink money” (dinheiro rosa).

Na parada em Campinas, mesmo não havendo condição favorável à politização do debate sobre LGBT, a Conlutas garantiu uma fala de luta no carro de som. A central resgatou a história de Stonewall (1969) como marco do surgimento do movimento gay nos EUA, o início do movimento homossexual no Brasil na década de 1980 e a ausência da conquista de direitos mesmo com tantos anos de luta e de paradas. Quando tentamos denunciar que o governo Lula/PT tem força política para pressionar o senado para que aprove o Projeto de Lei 122 – que criminaliza a homofobia – em trâmite desde 2006, uma militante do movimento da cidade tentou retirar o microfone das mãos do companheiro que fazia a fala.

É preciso pensar por que o governo Lula não faz esse debate de forma consequente. Acreditamos que é para não se desgastar com os setores mais conservadores da sociedade, como a igreja e os partidos burgueses em geral. Compreendendo que, em sua grande maioria, os LGBTs são os setores mais explorados e oprimidos da sociedade, a ausência dessa lei só reafirma os ataques neoliberais a esses trabalhadores. O fato de um jovem negro e gay ter sido espancado até a morte na parada de São Paulo esse ano só demonstra o quão brutal são esses ataques.

Já o governo Hélio (PDT), em Campinas, nem mais apóia a Parada do Orgulho LGBT, tanto que sequer cumpriu o comprometimento de financiar o carro de som da organização. Além disso, não há na cidade serviços públicos de saúde, educação e de segurança com condições de atender lésbicas, gays, travestis e transexuais.

Na parada do dia 28 de junho sentimos a ausência de outras organizações e entidades que combatem a opressão. Compreendemos a necessidade de ampliar e politizar o debate em Campinas, que não deve se restringir aos tempos de organização da Parada, e combinar com as lutas mais gerais que vem acontecendo em nossa cidade, como a greve na Unicamp, a greve dos servidores municipais, construção civil e motoristas de ônibus. Não podem0os nos esquecer que o Brasil é um dos países mais violentos aos homossexuais e possui uma das legislações mais conservadoras em relação a esse debate.

Nos momentos de crise do capitalismo, como o que vivemos atualmente, os patrões e os governos se articulam para combater os que se organizam para lutar por seus direitos e exigir melhores condições de vida e de trabalho.

A cada ataque precisamos dar uma resposta! Contra a homofobia a luta é todo dia!