Concentração bancária provoca demissões

Apesar de serem os que mais lucraram nesse semestre, os bancos fecham postos de trabalhoO setor bancário foi o que mais lucrou no primeiro semestre deste ano. Contraditoriamente, foi um dos únicos que apresentaram o fechamento de postos de trabalho. É o que mostra a pesquisa do Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), encomendada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).

O levantamento parte do banco de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, que registra as contratações e demissões dos trabalhadores com carteira assinada. Segundo o Dieese, de janeiro a junho foram demitidos 15.459 bancários, ante a contratação de 13.235. Isso representa o fechamento de 2.224 postos de trabalho.

Para se ter uma ideia, no mesmo período em 2008, o saldo de empregos apontava a criação de mais de 8 mil novas vagas. Os fechamentos nos postos de trabalho se concentraram na região Sul e, principalmente, Sudeste, onde estão as sedes dos principais bancos.

Fusões
As demissões estão ligadas ao recente processo de consolidação das fusões de instituições bancárias iniciadas no ano passado, o que agravou a concentração no setor. O Santander comprou o Banco Real, e o Itaú engoliu o Unibanco. Na época, os dirigentes do Itaú e do Unibanco afirmaram que a fusão não iria causar demissões. Mas não foi o que se viu.

Apesar de a pesquisa não revelar claramente a quantidade de demissões por banco, no primeiro semestre houve contratação na Caixa Econômica Federal por concurso, ou seja, os desligamentos se concentraram nos bancos privados, que tem o Itaú como seu principal representante.

Os números mostram também que, além do enxugamento no quadro de funcionários, houve uma grande rotatividade para reduzir os salários. Segundo a pesquisa, a média do salário dos demitidos, no primeiro semestre, era de R$ 3.627 enquanto a média dos novos contratados era de apenas R$ 1.928, uma queda de 46,8% nos vencimentos.

Altos Lucros
Fusões, concentração e demissões. Elementos clássicos de qualquer setor vítima da crise econômica. Mas os bancos no Brasil foram os que mais lucraram. No primeiro semestre do ano, os 21 maiores bancos lucraram mais de R$ 14 bilhões. O Itaú Unibanco foi a terceira instituição de capital aberto mais rentável no continente nesse período.

Enquanto os bancários sofrem com o fantasma das demissões, a população arca ainda com os juros e as taxas extorsivas dos bancos.