Com manobra, PT e CUT suspendem greve da saúde no Rio Grande do Norte

Na manhã desta sexta-feira, 11, os servidores da saúde de Mossoró (RN), que estavam em greve desde o dia 13 de agosto contra o corte de direitos realizado pela prefeita Fafá Rosado (DEM), foram vítimas de uma manobra do PT e da CUT durante a assembleia da categoria. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (Sindserpum), dirigido pelo PT e pela CUT, conseguiu aprovar uma proposta de negociação feita pelo Ministério Público, que estabeleceu a suspensão da greve por vinte dias para que a promotoria negociasse a pauta dos trabalhadores com a prefeitura.

Para realizar a manobra, a direção do Sindserpum amedrontou a categoria com o argumento de que os agentes de combate às endemias, se continuassem na greve, teriam seus contratos suspensos. Entretanto, no mês passado, este mesmo sindicato havia anunciado em assembleia que os agentes de endemias tinham sido efetivados no trabalho. Ou seja, a CUT e o PT mentiram para os trabalhadores. Além disso, depositaram nas mãos da Justiça o rumo das negociações dos servidores.

Em Mossoró, os trabalhadores da saúde estão divididos em dois sindicatos. O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Mossoró (Sindsaúde), filiado à Conlutas, organiza uma parte dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. Já o Sindserpum possui outra parte dessa categoria e o conjunto dos servidores municipais.

Durante o período de quase um mês de greve, o Sindsaúde e a Conlutas estiveram também organizando as mobilizações, os atos e os acampamentos na porta da prefeitura. A greve dos trabalhadores da saúde, que tinha mais de 70% de adesão, foi motivada pelo corte de direitos que atingiu as categorias dos dois sindicatos.

No início de agosto, através de um decreto, a prefeita suspendeu até o próximo ano o pagamento do adicional de um terço de férias dos servidores, alegando que a crise econômica diminuiu a receita do município. Além disso, Fafá Rosado ainda substituiu o auxílio transporte dos trabalhadores da saúde, que era pago em dinheiro, por um cartão magnético.

Entretanto, parece não haver redução da receita municipal quando a questão se volta para os R$ 6 milhões gastos com propaganda governamental, os R$ 240 mil usados na compra de um carro e os R$ 11 milhões anuais destinados ao gabinete da prefeita.

Na opinião do coordenador do Sindsaúde de Mossoró, João Morais, o que houve foi um golpe para terminar a greve. “No momento em que a categoria ganhava força e apoio da população, a CUT e o PT manobraram o movimento para que a pauta da greve fosse intermediada pelo Ministério Público, enfraquecendo a mobilização e fazendo os trabalhadores voltarem ao trabalho sem nenhuma garantia do retorno dos seus direitos. Por que a promotoria do MP só apareceu agora, e não antes? E por que não pode negociar nossa pauta com os servidores ainda em greve?”, disse.

A própria promotoria do Ministério Público afirmou que, caso não haja um acordo entre as partes, o MP deixará de intermediar as negociações e estas voltarão a ser feitas entre os sindicatos e a prefeitura. Após a assembleia, ainda não havia nenhuma data marcada para o início das negociações.