Bairro de Jardim Monteverde, região limítrofe entre Recife e Jaboatão dos Guararapes, atingido pelas fortes chuvas na Região Metropolitana do Recife

Desde o dia 23 de maio uma quantidade enorme de chuva atinge Pernambuco. Já são mais de 90 mortes confirmadas até o momento, 56 pessoas desaparecidas e o número de desabrigados chega a 4.000 pessoas, e 14 municípios já decretaram situação de emergência.

É fato que o volume de chuvas é fora do normal, mas as consequências dessa chuva não são inevitáveis e nem atingem a todos da mesma forma. É justamente nos bairros da periferia, morros, beiras de rios e canais que são onde vivem os trabalhadores, negros e pobres, onde vimos as pessoas perderem tudo que tinham, principalmente com a morte de dezenas de parentes.

Em Pernambuco, a maioria da população amarga problemas sérios: 1 milhão e 800 mil com fome, 17% de desempregados; apenas 34% dos municípios com saneamento básico; um déficit habitacional de 326 mil moradias e total falta de infraestrutura para enfrentar as chuvas que todo ano acontecem nos meses de inverno. As pessoas que moram nas áreas de risco não moram onde querem, moram onde podem. Isso devido à grande especulação imobiliária no estado a serviço das grandes empresas de construção civil, e não a partir de um planejamento urbano para atender a população como um todo.

Os responsáveis pelos alagamentos, deslizamentos e mortes são os governos Bolsonaro, Paulo Câmara e as prefeituras pela falta de políticas para resolver o problema da moradia, saneamento e infraestrutura para evitar toda a tragédia que a população pernambucana está vivendo nos últimos dias.

(Recife – PE, 30/05/2022) Sobrevoo de áreas afetadas pela chuva.
Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

Toda a tragédia poderia ser evitada! Bolsonaro e Paulo Câmara governam para os ricos

O genocida Bolsonaro veio a Recife em visita relâmpago, muito mais para fazer campanha eleitoral do que trazer ajuda efetiva à população pobre, tirando foto com seu aliado no estado, Anderson Ferreira, pré-candidato ao governo do estado, e evitou encontrar o seu oposicionista Paulo Câmara.  Anunciou verbas diretamente à população sem passar pelas “esferas administrativas” (estado e prefeituras), com a intenção evidente de apoiar prefeitos aliados e, obviamente, sem nenhuma preocupação com as vítimas da tragédia. No seu “apoio” às vítimas da tragédia, chegou a oferecer um empréstimo sem juros para ser pagos em 36 meses. Parece até piada se não fosse indignante propor a quem perdeu tudo, incluindo parentes, que pegue empréstimos sem juros para recuperar o que perdeu.

E ainda declarou que esse fenômeno acontecia porque o país é “continental”. O genocida sabe que as enchentes, deslizamentos de barreiras e outros fenômenos natureza atingem principalmente os mais pobres. Mas ele, como um presidente de “extremadefesa” dos ricos e capitalistas, não pode dizer isso

Já Paulo Câmara (PSB), diante de toda a tragédia, “orienta” as milhares de famílias que moram em lugares de risco a sair e procurar abrigo com amigos, vizinhos e familiares. Isso é um absurdo! O governo deixa as pessoas à própria sorte e correndo risco. Além disso, monta um dito comitê de crise para apenas dar alertas sobre áreas de risco, e não faz nada para evitar novas mortes na periferia. E disponibilizou apenas R$ 100 milhões para o trabalho de busca e salvamento, obras urgentes e de infraestrutura nos municípios mais atingidos.

A política do governo Paulo Câmara foi a causa das mais de 20 mortes no bairro Jardim Monteverde, divisa entre as cidades de Recife e Jaboatão. Essas mortes são o resultado de anos de abandono e sucateamento dos serviços públicos. Inclusive foi a população de Monteverde, vendo a paralisia do governo, que foi ajudar e socorrer as vítimas e desaparecidos durante mais de 24h, porque o governo não mandou nenhuma equipe frente às previsões.

Mas Paulo Câmara e os governos do PSB não estão sozinhos, o PCdoB e o PT também são responsáveis pela situação de Pernambuco. O PT e PCdoB justificam sua participação e sustentação dos governos do PSB dizendo que ele é “progressivo” e que é tarefa dos trabalhadores apoiá-lo frente às demais alternativas. Tanto que o PT e Lula estão na campanha pela manutenção do PSB no governo do estado através da eleição de Danilo Cabral.

Ao contrário do que o PT diz, o PSB no governo não tem nada de diferente na política econômica e de ataques aos serviços públicos dos partidos velha direita tradicional ou da ultradireita, ou seja, investem em um modelo de cidade para os ricos, enquanto os mais pobres ficam ao deus dará frente aos impactos dos fenômenos climáticos. O progressismo de Paulo Câmara e do PSB que o PT defende é, na verdade, um projeto de conciliação de classes que visa enganar os trabalhadores para melhor aplicar uma política que só beneficiam os grandes empresários, construtoras, banqueiros, latifundiários, ou seja, é um governo a serviço dos super-ricos do estado, e que transforma a vida da classe trabalhadora e do povo negro e pobre da periferia num inferno, como estamos vendo com as chuvas levando bens e vidas.

Recife e Jaboatão: Governos diferentes e a mesma política contra a população pobre!

A cidade do Recife, dirigida pelo governo do PSB de João Campos, tem 67% da sua área em regiões de morro, mas nunca houve investimentos na garantia de infraestrutura nessas áreas. Ao contrário dos bairros nobres da cidade. Para rebater a falta de investimentos nas ações de inverno, a prefeitura do Recife divulgou a seguinte nota: “A gestão está investindo R$ 148 milhões na Ação Inverno 2022…”, mas a prefeitura esconde que esses recursos representam apenas 2,25% do orçamento de 2022. Só com a requalificação do calçamento da rua Conselheiro Portela, localizada no bairro do Espinheiro, com um dos metros quadrados mais caros da cidade, foram empregados R$ 800 mil. Isso mostra que o prefeito João Campos não prioriza o orçamento para resolver os problemas da cidade, mas para agradar as grandes construtoras como a Moura Dubeux.

O déficit habitacional no Grande Recife chegou a 113.275 unidades em 2019, segundo dados da Fundação João Pinheiro. Os mais pobres chegam a comprometer mais de 30% da renda com aluguel e Recife tem um dos aluguéis mais caro do Brasil. Esse é o real motivo que faz as pessoas morarem em áreas de risco. Enquanto isso, 41% dos domicílios estão desocupados no bairro de Santo Antônio sem cumprir nenhuma função social.

A cidade de Jaboatão dos Guararapes é a mais atingida em número de desaparecidos e mortos. Jardim Monteverde, Muribeca, Barra de Jangada estão completamente alagados e destruídos pelos deslizamentos. A água invadiu algumas UPA’s e muitas pessoas ainda estão ilhadas e sofrendo com quedas de energia constantes. A maioria da população de Jaboatão mora na periferia onde não há calçamento, escoamento para as águas da chuva e nem tratamento de esgoto. A cidade tem apenas 22,26% de tratamento de esgoto. Essa falta de infraestrutura é o “legado” da Família Ferreira que dirige a cidade há anos.

A Família Ferreira e o ex-prefeito Anderson Ferreira, agora pré-candidato a governador, mesmo sendo oposição ao PSB no estado, tem a mesma política de falta de moradia, saneamento e falta de infraestrutura. É por isso que Anderson Ferreira não se pronunciou em nenhum momento. A prefeitura, que ainda é dirigida pela Família Ferreira, está paralisada e vem deixando a população completamente à deriva para enfrentar tudo o que as chuvas vêm causando. Mas a família Ferreira, ausente nas políticas públicas, não faltou ao encontro do seu aliado Bolsonaro e disse que o presidente fez o seu papel.

Um programa emergencial para as chuvas

Precisamos garantir para os atingidos a arrecadação de alimentos, itens de limpeza e higiene pessoal. Roupas e colchões é prioridade neste momento. Neste sentido, é importante buscar os postos de coletas que estão sendo formados e fortalecer a doações.

Boa parte dos movimentos socias, centrais e sindicatos estão fazendo campanhas de doações, mas é necessário que os sindicatos, as direções do movimento de trabalhadores e as centrais sindicais como a CUT, não fiquem em silêncio sobre as razões dessa tragédia e denuncie o papel de Bolsonaro, mas também do governo Paulo Câmara e dos prefeitos como responsáveis pela tragédia sobre a população de Pernambuco, e exijam políticas públicas para garantir moradia, saneamento básico, emprego, entre outras medidas.

Mas é necessário avançar nas medidas emergenciais como a imediata desapropriação de todos os imóveis utilizados para especulação imobiliária e sem cumprir função social, e colocá-los para os desabrigados. Que em todos os prédios públicos como escolas, creches e ginásios sejam montados abrigos para todos os mais de 5 mil que estão sem casa.

Pagamento de aluguel social por parte do governo estadual de no mínimo R$ 1.500,00 para as famílias desabrigadas. Que a população das áreas atingidas seja isenta do pagamento de IPTU, água e energia elétrica.

Para dar uma solução aos problemas estruturais que acarretam em deslizamento, alagamento e mortes é necessário ter um plano de obras públicas para resolver o saneamento básico, a infraestrutura dos bairros e a construção de moradias para todos que perderam suas casas. E também a construção de habitação a todos os moradores que vivem em área de risco na região metropolitana de Recife e do estado.

Que sejam empregados nesse plano de obras os trabalhadores desempregados das regiões atingidas, em primeiro lugar, e que avance para conjunto dos desempregados do estado.

Que o dinheiro para ajudar as famílias atingidas e para a reconstrução e resoluções dos problemas que causaram a tragédia sejam tirados dos bilionários e ricos de Pernambuco. É preciso taxar as grandes fortunas como as das Famílias, Dubeux, Figueira, o bilionário Janguiê dono da Maurício e Nassau.

Também é preciso parar a política de isenções e reduções fiscais das grandes empresas e multinacionais, e usar esse dinheiro paras medidas emergenciais e estruturaiss que a população precisa.

Não podemos, porém, confiar nos governos para garantir a implementação de todas essas medidas. Precisamos nos apoiar no exemplo de solidariedade da população atingida, que não esperou pelos governos e se organizou em cada rua e bairro para salvar os soterrados e ajudar os desabrigados. A partir desse exemplo de organização, devemos ampliá-los para construir conselhos populares que coordenem e centralizem as doações, a ajuda aos desabrigados e parentes de vítimas fatais.

Conselhos que fiquem responsáveis pelas medidas emergenciais de reconstrução, do plano de obras públicas e que, principalmente, controlem e administrem as verbas da taxação das grandes fortunas e do fim das isenções fiscais.

Se por um lado essa tragédia revela todo o descaso com o déficit habitacional, por outro, mostra também os fenômenos ligados às mudanças climáticas impulsionadas pelas forças destrutivas do meio ambiente impostas pelos grandes oligopólios capitalistas.

Diante dessa situação caótica, exigimos dos governos municipal, estadual e federal um plano emergencial de atenção às vítimas, que passa por:

– Garantir o aluguel social de R$ 1.500,00 para todas as famílias atingidas e desabrigadas;

– Solidariedade aos atingidos pelas enchentes e às suas famílias, com indenização do Estado às vítimas e aos seus parentes (em caso de morte);

– Isenção de IPTU, água, luz e reposição de todos os pertences levados pela chuva;

– Um plano de obras públicas para garantir moradias para as famílias desabrigadas e construção de muros de arrimo e infraestrutura;

-Desapropriação pelo governo dos imóveis vagos, sem indenização aos especuladores;

– Fim das isenções fiscais para os grandes empresários e reversão do dinheiro para o combate às enchentes e construção de moradias populares

Basta de governos para os ricos! Por um Governo Socialista dos Trabalhadores baseado em Conselhos Populares!