Mais uma vez os trabalhadores e suas famílias são vítimas, não das chuvas, mas da falta de prioridade criminosa dos governantes que fecham os olhos diante das catástrofes iminentes. Justamente um ano após o crime de Brumadinho onde morreram 272 pessoas pela falta de ação da Vale. É impressionante como o capitalismo decadente e incapaz de garantir condições básicas de sobrevivência para a população trabalhadora.

As fortes chuvas de verão que atingem Minas Gerais e o Espirito Santo já provocaram, até este momento, mais de 55 pessoas mortas esse ano, este número não para de subir, são dezenas de desaparecidos. Cerca de 50 mil pessoas estão desabrigadas, ficaram feridas e perderam moradias e moveis, que foram duramente conquistados com o suor de seu trabalho.

É verdade que os índices pluviométricos são os maiores da história, como atestam tanto os centros de previsão climática INPE. Mas esses dados são informados pelas prefeituras e pelo governador do Estado de Minas, Zema do Partido Novo, exaustivamente soando como desculpas esfarrapadas diante da total falta de ações de prevenção. Tudo o que vem acontecendo em Belo Horizonte e nas diversas cidades de Minas Gerais e do Espirito Santo era possível de ser evitado, desde que se fossem tomadas medidas concretas. Os cortes dos Governos, a começar pelo Governo Federal de Jair Bolsonaro. Segundo dados do próprio governo os recursos destinados para amenizar os problemas ambientas caíram de forma brutal. Em 2019 usaram apenas 1/3 do que estava previsto no orçamento para evitar tragédias como está, valores que já são muito baixos, medida que foi copiada por Zema em Minas, que atrasou não só o pagamento de salário dos funcionários públicos, que inclusive trabalham nas catástrofes de Brumadinho e a gora na chuva, e por diversos prefeitos. Agora diante do caos instalado não apenas em BH mas em todo o estado (são mais de 100 cidades em estado de calamidade) o governo federal anuncia a liberação de 1 bilhão para minimizar os efeitos do estrago da chuva. É pouco.

Fenômeno natural, desigualdade social e cretinismo

Kalil chegou a dizer, no último dia 25, após mais um temporal que caiu sobre a cidade: “ Essa água vem do céu, não vem da incompetência administrativa, depois diz também que em desastres, não há responsabilidades.” Para ele “foi um furacão, um terremoto”. Kalil, dessa forma, depois de afirmar que não há responsabilidades joga a culpa “na chuva que cai do céu”. Apesar de pedir desculpas isenta-se de qualquer responsabilidade e tem a cara de pau de dizer que seu governo em BH está preparado. Em nova entrevista dia 29 de janeiro. Se estava preparado por que não resolveu o problema, não preveniu?

O governador Romeu Zema, culpou quem morreu por não sair das áreas de risco. Vimos que Zema tem dois pesos e duas medidas. No caso do crime hediondo da Vale em Brumadinho poupou os executivos criminosos dizendo que foi uma “fatalidade”, no caso dos pobres que morreram, vítimas das desigualdades sociais do país, estes viram culpados da própria morte. Não passa pela cabeça do governador-patrão porque as pessoas morarem em áreas de risco. Ou até mais porque existem áreas de risco. Para ele as pessoas moram em vilas e favelas, em barrancos, como uma escolha livre, como se pudessem optar em morar numa mansão (como a que ele mora) ou numa favela.

Essas mortes são resultados desigualdades sociais e das péssimas condições de vida de milhões de pessoas. Pelo país milhões de pessoas moram nesses aglomerados urbanos, em morros, encostas, beira de córregos. Claro que não existe planejamento porque justamente essas pessoas, trabalhadoras, não tem condições de cumprir o que é papel do Estado e das prefeituras. Justamente fazer o planejamento urbano, dar condições de moradia dignas, serviços públicos de qualidade.

Por outro lado, os grandes centros aplicaram uma política de cobrir rios e colocar leito de córregos em manilhas. As cidades foram verticalizadas e asfaltadas. “Obras, obras e obras!”, virou uma palavra de ordem de prefeitos e governadores. Na verdade, mais preocupados em garantir obras rápidas que dessem votos e dinheiro para construtoras.

Os mais pobres moram nos morros da capital e na beira dos rios por que não tem condições de comprar uma casa em um local seguro e próximo ao emprego. A mesma elite que os culpabiliza os explora, a mesma elite que vê com nariz torcido a favela quando passa perto de alguma usa a mão de obra que ali está, já as pessoas que moram na “favela” são as que trabalham nas portarias, no trabalho doméstico, no subemprego próximo ao bairro “nobre”, e também nas fábricas da cidade de Contagem e da região metropolitana, é mais um aspecto do capitalismo decadente que simplesmente aprofunda a miséria da classe trabalhadora.

A cidade acabou com seus rios, com seus parques, suas áreas verdes e foi entregue ao asfalto e ao concreto, cedeu às pressões da especulação imobiliária que quer cada vez mais expulsar os mais pobres do direito a moradia e construir grandes condomínios com muito concreto. A água não tem para onde correr, os rios que foram canalizados e que viram grandes canais de esgoto querem pedir passagem, como o fez o ribeirão arrudas no centro de Belo Horizonte.

Um exemplo é o parque municipal no centro de Belo Horizonte, uma grande área verde, porém já há 100 anos teve sua área reduzida a 1/3 do previsto, os canais e rios da cidade que foram canalizados.

Neste dia 29 rodou pela mídia muitas imagens das ruas de vários bairros “nobres” de BH, como Lourdes, Fucionários, Buritis, Belvedere e outros, ali eles viram agora o que os mais pobres sofrem em toda temporada de chuvas.

Solidariedade ativa e plano de obras públicas para a população mais necessitada

A classe trabalhadora mineira é muito solidária. Espontaneamente foram organizados pontos de coletas em escolas, igrejas, associações de bairros, sindicatos, etc. É preciso que essa corrente se solidariedade cresça e se fortaleça. Os sindicatos devem se transformar também em postos de coleta de alimentos, roupas e móveis.

Mas também é preciso começar, imediatamente, um plano de obras públicas que comece com a construção de moradias populares e estamos falando de construção de verdadeiros bairros planejados para retirar os moradores de áreas de risco. Construção de escolas públicas, postos de saúde e hospitais, saneamento, áreas verdes e de lazer. Garantir transporte público de qualidade para essas regiões. Assim como garantir emprego para está população, por que a saída que os governantes vão dar é moradias em locais distantes do trabalho destas pessoas, e a hipocrisia da burguesia decadente será de não contratar ou demitir estas pessoas por que moral longe. Tao urgente quanto isso é preciso desapropriar os imóveis vazios nos grandes centros que perderam quase completamente sua função social, a não ser a especulação imobiliária.

Por outro lado, rever as obras e projetos implementados no Ribeirão Arrudas e córregos da grande BH. Em vez de cortar árvores e impermeabilizar o solo buscar construir um novo modelo de cidade e formas de escoamento da água. Construção de grandes parques, com áreas verdes e menos concreto e asfalto.

Esse é um plano ousado. É preciso investimentos de todos os recursos necessários para isso. Ir na contramão do que faz o governo Bolsonaro, que quase nada gastou com prevenção e obras de contenção. A política de cortes de gastos dos diversos governos levaram a essas e outras tragédias em todo o país. As chuvas, as forças da natureza, sempre estiveram e sempre estarão aí. A ação desordenada da especulação imobiliária. A incapacidade do capitalismo em garantir vida digna para as pessoas, moradia, direitos básicos. O que falta para resolver esses graves problemas sociais é usado no pagamento de juros e serviços da dívida pública, ou escorre na corrupção deslavada dos políticos burgueses.

Por isso, não podemos ficar observando as casas se desmanchando, e mais filhos da classe trabalhadora enterrando mortos pela omissão criminosa de Kalil, Zema, Bolsonaro, dos prefeitos das diversas cidades de Minas e do Espirito Santo, e dos governantes anteriores. Vamos lutar para impedir isso. Lutar por melhores condições de vida.

Capitalismo decadente e seu fim

O sistema capitalista é onde uma pequena minoria de grandes banqueiros, empresários, latifundiários do agronegócio ficam com a maior parte da riqueza. São eles que pagam salários miseráveis e isso impede a compra de moradias. São eles também responsáveis pela especulação imobiliária, onde transformam o direito a moradia em fonte de lucros astronômicos. São esses também que financiam políticos que, a frente dos governos, prefeituras e governos do Estado, defendam seus interesses. A falência desses governos é brutal e criminosa, refletem a decadência do capitalismo. A perpetuação desse sistema aumentará a dor e o sofrimento para a classe trabalhadora. Brumadinho, Mariana, as chuvas, a violência, o desemprego mostram a crueldade contra nossos irmãos, filhos, amigos e vizinhos.

Nossa total solidariedade e toda mobilização em torno às vítimas deve se seguir a promover a luta tanto para resolver os problemas imediatos dos atingidos, reconstruir suas casas, comprar móveis novos, plano de obras públicas, mas também passar a entender que sem botar fim a esse sistema decadente nenhum futuro é possível.