Chanceler pede antecipação de eleições na Alemanha para evitar crise

O chanceler alemão Gerhard Schröder, após uma impressionante derrota regional de seu partido, decidiu pedir a antecipação das eleições parlamentares federais. O SPD, partido social-democrata de Schröder, ocupou o governo nos últimos 39 anos e foi derrotado nas eleições regionais da Renânia do Norte-Westfália, na parte oeste da Alemanha, uma das regiões mais industrializadas do país.

Os números provisórios divulgados pela comissão eleitoral mostram uma taxa de participação de 63% dos votantes. O partido democrata-cristão (CDU) obteve cerca de 44,8% dos votos, contra 37,1% do SPD, 6,2% do Partido Liberal e 6,2% dos verdes. O partido conservador deu todo seu apoio às reformas neoliberais realizadas por Schröder.

A derrota eleitoral se deve à queda de popularidade do governo, causada pelo aumento do desemprego e pelas reformas que fizeram duros cortes no sistema de bem-estar social que atendia a população. Por causa disso, a convocação de eleições antecipadas pode significar uma nova derrota a Schröder. Porém, apesar de sua baixa popularidade ameaçar uma possível candidatura, Schröder resolveu antecipar as eleições. Ao perder as eleições regionais, o SPD deixou de ter maioria na Câmara, o que inviabiliza a continuidade dos planos do governo. Entretanto, o chanceler Gerhard Schröder será o candidato dos social-democratas às eleições legislativas antecipadas, como já anunciou Franz Müntefering, presidente do SPD.

O anúncio de antecipação das eleições parlamentares foi bem recebido tanto pelos partidos da coalizão social-democrata que o apóiam, como pela oposição democrata-cristã (CDU/CSU) e liberal (FDP). O motivo disso é que todos os partidos que disputam o governo ficam felizes ao canalizar o descontentamento da população alemã para o processo eleitoral, já que isso previne qualquer movimentação social que possa surgir contra os ataques que o governo vem implementando.

As eleições antecipadas devem acontecer na Alemanha até 18 de setembro, já que o chanceler apresentará uma moção de confiança no Parlamento alemão antes de 1º julho. Até setembro, não se sabe qual carta Schröder vai tirar da manga para tentar reverter a queda de sua popularidade.