Cerca de 6 mil tomam a Esplanada dos Ministérios em Brasília

Até mesmo a PM admitiu: seis mil trabalhadores do campo e da cidade, servidores públicos e juventude realizaram uma grande manifestação na capital federal contra as reformas neoliberais do governo Lula. A CUT bem que tentou restringir o ato à defesa do veto presidencial à Emenda 3, mas não conseguiu. Os oradores se revezavam na denúncia das políticas do governo Lula e a maioria dos discursos atacou os projetos de reforma da Previdência e proibição das greves.

Além da representação dos trabalhadores rurais pela Contag, dos estudantes pela Conlute, das centrais e organizações gerais como Conlutas, Intersindical e CUT, falaram no ato várias entidades nacionais dos servidores federais. Por isso, além das manifestações unitárias, baseadas na nota conjunta que convocou o dia 23 de maio, as manifestações também exigiam a retirada do Projeto de Lei nº 01/07, que congela os salários dos servidores por dez anos.

A Conlutas abriu a passeata, que saiu da Catedral indo até a frente do Congresso Nacional, com uma grande faixa em que se lia “Lula, tire as mãos da Previdência” e “Manutenção do direito de greve”. No carro de som central, apesar da contrariedade da CUT, foi composta uma equipe de coordenação com a presença da Conlutas e da Intersindical.

Apesar de não ter tomado por completo a avenida da Esplanada, o congestionamento atingiu vários quilômetros. No trajeto, trabalhadores do Ibama, Incra e Cultura, que estão em greve desde a semana passada, incorporaram-se à passeata com suas faixas e cartazes, exigindo cumprimento das reivindicações.

Rodrigo Dantas, professor da UNB, falando pela Conlutas, alertou para que o governo Lula se prepare. “Essa é apenas uma pequena demonstração do que faremos daqui pra frente contra as reformas neoliberais desse governo, especialmente a da Previdência”, disse. Rodrigo saudou a unidade dos atos em todo o país e disse que a Conlutas está com o funcionalismo público na luta contra o congelamento salarial e a proibição de greves. “Vamos apoiar a greve dos servidores federais e construir mobilizações ainda mais amplas que essa”, concluiu.

Foi uma grade vitória da Conlutas e das entidades que batalharam até o último momento para garantir um ato unitário. Não teve governismo que segurasse a disposição de luta e a garra dos ativistas nesta grande atividade contra a política econômica do governo Lula.