Carta aberta ao PSOL

Como todos sabem, o PSTU aprovou em sua Conferência Nacional, realizada recentemente, a proposta de constituição de uma Frente de Esquerda, Classista e Socialista. Esta frente envolveria, além do próprio PSTU, o PSOL, o PCB e também movimentos sociais que são expressão da luta dos trabalhadores deste País.
A atual crise política só comprova, mais uma vez, esta necessidade. A falsa polarização entre PT e PSDB-PFL esconde uma profunda identidade entre eles na manutenção do neoliberalismo e da corrupção.

Ao aprovarmos esta proposta, entendemos que Heloísa Helena poderia encabeçar a frente numa candidatura à Presidência da República. Para isso, seria necessário que essa não fosse uma candidatura apenas do PSOL, e sim desta frente partidária e dos movimentos sociais, expressando os processos de luta e de organização dos trabalhadores e da juventude no País. Propusemos que fosse discutido um programa antiimperialista e anticapitalista, e que a frente tivesse um caráter classista, sem a presença de partidos burgueses, como o PDT.

No entanto, ao iniciarmos a discussão sobre os passos para formar essa frente com uma comissão designada pela direção do PSOL, fomos surpreendidos de forma negativa com vários acontecimentos nos últimos dias: o anúncio dos atos de lançamento das candidaturas do PSOL no Rio de Janeiro, depois em São Paulo e no Rio Grande do Sul, sem que houvesse sequer um contato anterior conosco.

Perante o anúncio da realização do ato do Rio, levamos à comissão PSTU-PSOL nosso questionamento e houve acordo que teria sido um erro. Porém, logo depois foram marcados atos em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

Como podem ser lançados candidatos que deveriam ser de uma frente, sem qualquer discussão conosco, sem procurar integrar a base e os ativistas que compõem ou querem compor a frente? É preciso discutir com todos, ter amplitude para integrar as forças dispostas a participar da frente. É necessário primeiro discutir o programa da frente, e depois as candidaturas que vão defendê-lo. Não atuar assim indica uma postura hegemonista por parte do PSOL. Este partido busca fazer com que suas posições sejam as únicas a prevalecer e quer simplesmente a adesão dos demais partidos e dos ativistas independentes às suas candidaturas.

Obviamente, em nossa opinião, não há como constituir uma frente de esquerda nestas condições. Não haverá a simples adesão do PSTU a nenhuma candidatura. Uma frente pressupõe a discussão em comum entre os partidos, movimentos e ativistas que a compõem, do programa que vai adotar, do caráter da campanha que vamos fazer, e também sobre quem serão os candidatos.

A discussão sobre o programa da frente tem muita importância. Nele se destaca uma postura clara contra o governo e a oposição burguesa (resumida na palavra de ordem “Nem Lula, Nem Alckmin”), contra esse regime e contra o imperialismo. Existe uma grande desconfiança dos trabalhadores e jovens nessa democracia dos ricos que está aí, corrupta e completamente submetida aos interesses do grande capital.
É muito importante que a frente surja como algo novo, que não busque apenas o voto do povo, como fazem o PT e os partidos burgueses. O voto é muito importante, mas a Frente Eleitoral deve estar a serviço das lutas diretas dos trabalhadores da cidade e do campo. Da mesma forma, é muito importante que a frente expresse um programa de ruptura com o capitalismo imperialista e não de administração da crise com reformas parciais no sistema. Por este motivo, defendemos o não pagamento da dívida externa e interna às grandes empresas como carro chefe de um programa de ruptura com o imperialismo.

O PSTU acredita que a melhor candidatura à Presidência é a da companheira Heloísa Helena. Mas é necessário que a frente, no próprio perfil de suas candidaturas, expresse um conteúdo classista, ou seja, que defenda o ponto de vista dos trabalhadores. Isso não é uma questão qualquer. Hoje, mais do que nunca, é preciso dizer em alto e bom som que a libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores. Somente um governo dos trabalhadores e para os trabalhadores será capaz de levar adiante um programa de ruptura com o imperialismo e atender às necessidades do nosso povo.

Pelo lançamento das primeiras candidaturas é possível verificar que o PSOL tende a apresentar parlamentares ou intelectuais como candidatos ao governo e ao Senado. Nós defendemos candidaturas de lideranças de lutas dos trabalhadores, para afirmar este perfil classista. Por este motivo, é necessário ter uma candidatura à vice-presidência que seja uma liderança das lutas dos trabalhadores brasileiros. Pela implantação social e política que temos no País, o PSTU pode apresentar essa candidatura e por isso a reivindicamos. Da mesma forma, queremos discutir as candidaturas nos estados.

Mas, o PSOL está apostando que o candidato à vice-presidência seja também filiado ao próprio PSOL. Além disso, está lançando suas candidaturas nos estados em atos, sem qualquer discussão com os outros partidos da possível frente. Isto é a transformação da proposta de frente, na realidade, em um “apoio” às candidaturas do PSOL.

Acreditamos que as nossas propostas de programa e candidaturas devem ser discutidas. Além disso, é fundamental estabelecer espaços amplos de discussão sobre todos estes temas, de modo que os movimentos sociais e os ativistas das lutas possam também participar da discussão. A campanha da frente que queremos construir deve se transformar num grande movimento que empolgue a classe trabalhadora e a juventude na luta contra Lula e contra a oposição burguesa.

Existe um sentimento em defesa da frente e da unidade por parte dos ativistas que estão nas lutas e já romperam com o PT. Existe uma grande necessidade política de fazer essa frente acontecer. Mas para isso é necessário uma cultura distinta, também frentista. Esperamos que se reverta esse método e que consigamos avançar para a construção de nossa unidade.

Saudações Socialistas,

Direção Nacional do PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

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