Na primeira semana de campanha, o candidato do PT em São Gonçalo (RJ), Dimas Gadelha, assinou uma carta compromisso com a Igreja Cristã onde se assume contrário à “ideologia de gênero”, à doutrinação nas escolas, à legalização do aborto e das drogas.

Além de tratar a defesa da Educação Sexual no ambiente escolar e do respeito às diferentes sexualidades como “ideologia de gênero”, o candidato do PT se compromete com uma agenda reacionária de setores religiosos ultraconservadores que se opõem ao direito das mulheres, dos negros e das LGBTs. Uma posição muito semelhante a dos candidatos bolsonaristas.

A luta dos oprimidos no mundo

Em todo mundo, mulheres, LGBT’s, indígenas, negros e negras têm sido vanguarda dos principais processos de luta contra os projetos de fome e miséria da burguesia e seus governos. Tem sido assim no levante chileno onde as mulheres e os povos indígenas tiveram um papel central, ou nos EUA onde os levantes negros impuseram uma derrota ao republicano Donald Trump.

No Brasil não é diferente. Mesmo antes da posse de Jair Bolsonaro, as mulheres foram vanguarda na luta contra ele, com o movimento “Ele não”. Após sua posse, mantiveram-se na luta e promoveram manifestações massivas no 8 de março.

A categoria de profissionais de educação, majoritariamente feminina, têm enfrentado e derrotado o projeto da “escola com mordaça” e garantido, neste momento, que as escolas se mantenham fechadas em defesa da vida de estudantes, de suas famílias e de trabalhadores da educação durante a pandemia.

Recentemente, importantes manifestações levaram milhares de trabalhadores às ruas contra a cultura do estupro exigindo justiça para Mariana Ferrer, estuprada por um empresário num beach club de Florianópolis (SC), e contra o racismo exigindo justiça para João Alberto, espancado até a morte no supermercado Carrefour de Porto Alegre (RS).

Contra toda essa onda, o candidato do PT assina um compromisso com a ala mais reacionária das igrejas. Os pontos da carta tocam em temas caros para os setores oprimidos como a legalização das drogas (tema chave para o fim do genocídio negro nas favelas e periferias) e a legalização do aborto (tema chave para a luta pelo direito à vida das mulheres trabalhadoras), além de se opor frontalmente à luta dos profissionais de educação ao incorporar a ideia da doutrinação nas escolas e ideologia de gênero (se opondo também a luta das LGBT’s).

Há quem defenda que se trata de um movimento aceitável para se derrotar o candidato de Bolsonaro, Capitão Nelson, reconhecidamente vinculado a grupos de extermínios locais. Mas perguntamos: faz sentido derrotar o bolsonarismo aderindo ao seu programa?

O revolucionário russo Leon Trotsky, em certa ocasião, disse que os oportunistas são os maiores mestres em perder oportunidades. Com esta carta, Dimas perde a oportunidade de se diferenciar totalmente do candidato bolsonarista de extrema-direita, Capitão Nelson (AVANTE). Para nós, a carta de Dimas desmoraliza todo um setor da militância petista, psolista e dos movimentos sociais e ajuda a fortalecer o bolsonarismo em São Gonçalo.

Por isso, em São Gonçalo, o PSTU defende o voto nulo no segundo turno. Acreditamos que nem Dimas Gadelha e nem Capitão Nelson são alternativas reais para a classe trabalhadora de São Gonçalo.

Leia a nota do PSTU sobre o segundo turno em São Gonçalo