Cadê o emprego, o salário e a reforma agrária?

O Brasil precisa de um governo dos trabalhadores que rompa com a Alca e com o FMI

Há um ano, Lula foi eleito em meio a uma grande expectativa de mudanças. Mas passados 10 meses, a promessa de mais de 10 milhões de empregos, de melhores salários e reforma agrária estão muito longe de acontecer. O desemprego cresceu. Só na grande São Paulo, 20,6% da população se encontra desempregada. A reforma agrária prometida por Lula, registra o ridículo índice de 13 mil famílias assentadas, isso sem falar na enorme onda de repressão e de criminalização que se abate sobre os movimentos sociais.

O que se registrou nesse período foi a queda brutal do nível de vida dos trabalhadores. Os salários nunca estiveram tão arrochados. E o governo ainda quer impor o congelamento da tabela do Imposto de Renda o que implica em mais confisco salarial. Na outra ponta, as “reformas” do FMI, como a da Previdência, retira direitos em benefício dos banqueiros.

Tirando dos pobres para dar aos ricos

Esse dinheiro que está saindo do bolso dos trabalhadores está indo para pagar as dívidas externa e interna. Só de juros, o governo pagou aos banqueiros mais de 76 bilhões de reais, sendo que até o final do ano o montante de juros chega a 140,8 bilhões.

O governo Lula está dando continuidade às negociações da Alca e posiciona-se claramente contra um plebiscito oficial, conforme exigem os movimentos sociais. Aliás, todas as medidas que o governo vem adotando pavimentam a implementação da Alca, como, por exemplo, a liberação dos transgênicos, que garante um lucro de mais de 100 milhões de reais à Monsanto. E a Alca só nos reserva mais miséria e perda de qualquer vestígio de soberania no país.

Direções governistas: um obstáculo para as lutas dos trabalhadores

O governo do PT aplica os “ajustes” do FMI e governa para banqueiros, empresários e latifundiários. A direção majoritária da CUT e a Força Sindical tentam evitar qualquer tipo de enfrentamento e choque com o governo. A postura da maioria da CUT nas campanhas salariais é ilustrativa. Desmonte de greves, manobras burocráticas e acordos rebaixados foram a marca registrada de sua política. A maioria da direção da CUT chegou ao absurdo de não arrancar dos banqueiros, que lucraram mais de 180% nesse ano, a reposição cheia da inflação.

É preciso ganhar as ruas, plebiscito da Alca já!

Para mudar o Brasil, garantir emprego, salários e reforma agrária é preciso parar de pagar a dívida aos banqueiros, romper com o FMI e a Alca. O Brasil precisa de um governo dos trabalhadores, sem banqueiros, latifundiários e empresários. Um governo com coragem de parar de pagar a dívida. Disposto a governar apoiado na mobilização dos trabalhadores e do povo. Mas Lula e o PT, infelizmente, não estão dispostos a romper alianças com a burguesia e o imperialismo. Por isso, não cumprirão suas promessas.

Os trabalhadores e a juventude precisam ir à luta por emprego, salário e terra pela ruptura com o FMI e a Alca. Precisamos ganhar as ruas e exigir Plebiscito Oficial.

E, nas lutas, é preciso construir uma nova direção para os sindicatos, para a CUT e a UNE e também unir os lutadores e a esquerda num Movimento por um Novo Partido, de classe, de luta, revolucionário e socialista.

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