Aonde vai parar a CUT?

Na última semana ocorreu um espetáculo lamentável. A marca da Central Única dos Trabalhadores esteve associada aos principais bancos do país (Bradesco, Real, etc). Quem abrisse os jornais veria anúncios como “CUT Bradesco juntos para oferecer ao trabalhador empréstimo com desconto em folha” que envolve além da CUT a Força Sindical. Esse acordo permitirá empréstimos com desconto em folha, permitindo os bancos cobrarem taxas de juros de até 82,69% ao ano. Um “presente da China” para os banqueiros e um golpe nos trabalhadores e na independência de classe da central. É revoltante ver essa aliança da central com os principais representantes do capital financeiro. Mas o papelão da CUT não parou por aí. Na mesma semana outdoors em São Paulo e TV veiculavam uma propaganda com o ex e o atual presidente da CUT, Vicentinho e Luiz Marinho, como garotos-propaganda de uma universidade paga. A bandeira histórica da CUT em defesa do ensino público e gratuito e da Universidade pública foi para o ralo. Para concluir o festival de horrores promovido pelos dirigentes da central, no dia 25/10, foi publicado um artigo no jornal Folha de S. Paulo, assinado por Luiz Marinho, Luiz Carlos Delben, presidente do Sindicato Nacional da Industria de Máquinas (Sindimaq), e Adilson Luís Sigarini, diretor do Sindicato Nacional das Industrias de Autopeças (Sindipeças), onde juntos defendiam as comissões de conciliação previa, uma verdadeira armadilha para os trabalhadores, que tem como objetivo pressionar os trabalhadores a abrirem mão de seus direitos.

A direção majoritária da CUT ultrapassou todos os limites. Aonde vai parar a CUT assim? No último Congresso da Central, nós alertávamos para a necessidade de construir uma alternativa de direção para a CUT. Governista e “chapa branca”, a atual direção majoritária sustenta e apóia o governo Lula, que está aliado à burguesia, atrelado à Alca e o FMI, dando continuidade à política de FHC. Apoiando o governo e fazendo parceria com a patronal, a direção tem comprometido a independência e a capacidade de luta da central. Os primeiros enfrentamentos com o governo já demonstraram isso.

É necessário unir todos os lutadores, sindicatos combativos e construir uma nova alternativa de direção para a CUT, em oposição à atual. Novos desafios virão, como é o caso das reformas sindical e trabalhista que os trabalhadores terão que derrotar. Está mais que comprovado que não podemos depositar nenhuma confiança na direção majoritária, que com essa postura e política leva a cada dia que passa a CUT a assemelhar-se com a Força Sindical.

LEIA NO OPINIÃO SOCIALISTA:

  • `Garotos-propaganda do ensino pago`, com fotos dos outdoors
  • `Presente de Natal`, sobre os descontos em folha

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