Brasil vende avião de guerra para mercenários no Iraque

Super Tucano, o avião fornecido à Blackwater pela Embraer
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Empresa norte-americana Blackwater atua na América Latina e comprou avião da EmbraerAs relações da agência de mercenários norte-americana Blackwater com a América Latina é um dos temas tratados por Jeremy Scahill em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. Ele é autor do livro Blackwater – A Ascensão do Exército Mercenário Mais Poderoso do Mundo. A obra é resultado de uma extensa reportagem e revela a presença dos mercenários e como estão formando um exército paralelo, disponível para atuar em qualquer parte do mundo.

A ação dos mercenários da Blackwater tornou-se mais conhecida a partir da guerra do Iraque. Eles chegam a ser mais da metade dos soldados que hoje ocupam o país. Estima-se que 180 mil são mercenários, enquanto o efetivo do Exército dos Estados Unidos chega a 150 mil.

Entretanto, há uma outra relação que é pouco conhecida: da Blackwater com a América Latina, tendo por trás o governo norte-americano. Além de participar de treinamentos no continente e pilotar helicópteros, segundo informa a matéria, recentemente a Blackwater fez negócios com a brasileira Embraer, de São José dos Campos (SP). Um avião modelo Super Tucano foi adquirido com autorização do governo Lula.

“Acho que isso levanta questões sérias sobre por que o Brasil acredita ser adequado vender aviões a uma empresa com uma reputação de abusos e violência no mundo inteiro”, opina Scahill, na entrevista. Ele afirma, ainda, que “a América Latina é a próxima fronteira para essas empresas”.

As afirmações de Scahill estão fundamentadas numa realidade que já existe. Na América do Sul, a Blackwater tem como alvo, principalmente, a Colômbia e a Bolívia, financiada diretamente pelos EUA. Na Colômbia, a desculpa é o combate às drogas. Os EUA repassam milhões de dólares ao Plano Colômbia anualmente. Quase metade desse dinheiro é usada para pagar pelos serviços da Blackwater.

A empresa também aproveita para recrutar soldados em países da América Latina e pagar menos. “Colombianos recrutados pela Blackwater foram enviados ao Iraque com um salário de US$ 34 por dia, enquanto um agente americano chega a receber US$ 650 diários. Parece que a vida de um colombiano vale menos, para a Blackwater, do que a de um americano”, diz Scahill.

O que é a Blackwater
A Blackwater é uma agência que presta serviços de segurança. Tem treinamento militar altamente especializado e equipamentos de última geração. Sua principal atuação hoje em dia é na Invasão do Iraque. Somente em contratos com os EUA, a empresa acumula US$ 600 milhões. Cerca de 90% de seus contratos são com os EUA, uma clara interferência do imperialismo norte-americano em outros países.

Dirigida por um radical cristão de extrema-direita, a Blackwater cresceu rapidamente após a chegada de George W. Bush à presidência, principalmente após os atentados de 11 de setembro. Onde atua, a empresa é conhecida e odiada por seus abusos de violência. No Iraque, seus agentes matam civis sem justificativa alguma e atuam com extrema violência.

Pelo fato de os soldados não serem civis nem militares, os crimes cometidos pela empresa não podem ser julgados nem pela Justiça comum, nem pela militar. Assim, seguem atuando da forma que bem entendem, massacrando o povo iraquiano e cometendo abusos em pelo menos nove países. No momento, a empresa avança rumo à criação de uma central de inteligência própria, uma espécie de CIA mercenária.

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