São estarrecedoras as cenas de tortura e assassinato de Genivaldo de Jesus Santos, homem negro de 38 anos sufocado até a morte por policiais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Sergipe nesta quarta-feira, 25.

Genivaldo estava em uma moto quando foi abordado por policiais em Umbaúba, sul do estado a cerca de 100 quilômetros da capital Aracaju. Sofrendo de problemas mentais, ele foi agredido, imobilizado e teve as pernas e braços amarrados. Foi colocado no porta-malas de uma viatura e sufocado até a morte por gás lacrimogêneo. Uma sessão de tortura e execução à luz do dia, sob os olhares de inúmeras testemunhas.

Nos vídeos gravados por testemunhas é possível ouvir Genivaldo gritando. Mesmo com os apelos de populares, os policiais não interrompem a sessão de tortura. Levado ao hospital, Genivaldo já chegou sem vida.

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A nota à imprensa da PRF é um verdadeiro tapa na cara da população, sobretudo do povo pobre e negro vítima cotidiana da violência policial. Segundo a nota, Genivaldo “resistiu ativamente a uma abordagem”, tendo que ser empregados “técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo”.

 

Não têm o menor pudor de mentir e contrariar as testemunhas e os vídeos gravados no momento da barbárie. Já no Boletim de Ocorrência, a polícia chega ao cúmulo de dizer que o homem sofreu um “mal súbito” enquanto era encaminhado à delegacia, sem qualquer relação com a “abordagem”. O IML, porém, atestou que Genivaldo morreu por “asfixia mecânica”.

Neste dia 26, a população de Umbaúba protestou contra a tortura e execução de Genivaldo.

Essa sessão de tortura evoca as técnicas nazistas de assassinato, transformando uma viatura em uma câmara de gás para matar preto e pobre. Remetem ainda ao assassinato de George Floyd nos EUA, o homem negro sufocado até a morte pela polícia cujo caso desatou uma série de protestos pelo país. Expõe, sobretudo, o genocídio do povo negro perpetrado pela polícia, um dia após a chacina realizada no Rio de Janeiro. Torturam e matam à luz do dia tendo certeza da impunidade, motivados pela política genocida de Bolsonaro, defensor do “excludente de ilicitude”, ou licença livre para matar.

A única forma de acabar com essa matança por parte da polícia é através da mobilização. Unificar a luta do povo pobre e negro com todos os setores que vêm sofrendo com a repressão e o genocídio. Não é só Vila Cruzeiro e Umbaúba, são todas as quebradas e periferias desse país. São as comunidades indígenas e quilombolas, alvos dos jagunços e fazendeiros. É preciso ir às ruas, se organizar, inclusive a autodefesa, e, junto isso, derrotar o governo Bolsonaro e seu projeto, que defendem, motivam e impulsionam essa matança contra os trabalhadores, os negros, indígenas, quilombolas, LGBTI’s, e demais setores oprimidos.

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