Bancos festejam lucros recordes

Os principais bancos do país anunciaram nesta semana os lucros recordes computados por suas caixas registradoras em 2005. Com os balanços anuais prontos, a conclusão é que, mesmo com a crise política que marcou o ano, a equipe econômica de Lula garantiu que os banqueiros continuassem a ser o setor mais beneficiado por seu governo.

O que assegurou as cifras dos lucros dos banqueiros foram as altas taxas de juros. A Selic, taxa que remunera cerca de 50% dos títulos públicos, ficou, em média, acima de 19% durante o ano passado. Além disso, o juro médio bancário brasileiro foi de 44,7% ao ano, o maior do mundo, segundo levantamento do jornal Folha de S. Paulo.

Em números
O Itaú encerrou 2005 com um lucro líquido de R$ 5,251 bilhões, o que significa um crescimento de 39% em relação ao ano anterior (R$ 3,776 bilhões). Esse é o maior resultado do banco em um ano e faz com que o Itaú tenha sido o que mais lucrou entre os bancos que já divulgaram balanços de 2005.

Mas isso não significa que os outros bancos não tenham atingido recordes exorbitantes. O Unibanco registrou um lucro de R$ 1,838 bilhão em 2005. Já o Banespa-Santander atingiu em 2005 a cifra de R$ 1,643 bilhão e, animado com os resultados, já deu início a uma ampla campanha de mídia para fortalecer a marca Santander (e cada vez mais suprimir de seu logo o nome do ex-estatal Banespa). Com isso, o banco espera atingir lucros ainda maiores em 2006.

Estatais
Os bancos estatais não ficaram atrás. O Banco do Brasil divulgou lucros de R$ 4,154 bilhões no ano passado, o maior lucro de sua história, 37,4% maior do que o registrado no ano anterior. O resultado da Caixa Econômica Federal somou R$ 2,07 bilhões, 46% maior que no ano anterior e o maior resultado do banco até hoje.

Tais lucros recordes dos bancos estatais, entretanto, não servirão para reajustar salários dos bancários ou para investir em serviços públicos ou nos próprios bancos para um melhor atendimento. Somente do lucro obtido pelo Banco do Brasil no ano passado, R$ 1,498 bilhão irá para os acionistas do banco e R$ 1,080 bilhão para o Tesouro Nacional, que já anunciou que deverá usar os recursos para abater dívida pública. O mesmo se dará com os R$ 737 milhões que a Caixa repassou à União.