Bancários: contra os 4,5%, greve nacional

Apesar de terem 14 bilhões de reais de lucro só no primeiro semestre, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) apresentou uma proposta de reajuste rebaixada aos bancários em campanha salarial.

Na verdade, a proposta nem mesmo apresenta reajuste algum, mas somente a reposição da inflação no período, ou 4,5%. Além disso, a “sugestão” dos banqueiros prevê uma PLR (Participação nos Lucros e Resultados) menor que a dos anos anteriores.

É greve!
No próximo dia 23, ocorrem as assembleias da categoria e o indicativo é de greve nacional a partir do dia 24, caso as negociações não avancem. Os banqueiros, no entanto, permanecem intransigentes e, ao que tudo indica, não mudarão sua posição.
A direção da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), ligada à Articulação Sindical, do PT, por sua vez, propõe uma pauta rebaixada, que sequer repõe as perdas. “Eles reivindicam 10% de reajuste, sendo que as perdas acumuladas dos bancários são de, no mínimo, 24%, e nos bancos públicos ela é ainda maior”, denuncia Wilson Ribeiro, funcionário do Banco do Brasil, membro da Oposição Bancária.

Mesas específicas
O Movimento Nacional de Oposição Bancária e os sindicatos do Rio Grande do Norte, Maranhão e Bauru lutam por reajuste imediato de 30% para todos (24% de reajuste mais 6% de aumento real) e isonomia salarial entre os bancários. Além disso, exigem mesas específicas de negociação para os trabalhadores dos bancos públicos e privados. A mesa única imposta pela Contraf tem por objetivo “nivelar” os acordos salariais por baixo.

“Nós, dos bancos públicos, temos que ter como prioridade a nossa pauta específica, pois através dela podemos acumular direitos e romper os limites dos acordos rebaixos que vêm sendo firmados ano após ano pela CUT, com banqueiros e governo”, afirma Ribeiro. Nas mesas específicas, os bancários poderiam brigar por planos de carreira e a reposição das perdas, já que cada banco público tem um índice de defasagem.
O MNOB reivindica ainda que 25% de todo o lucro de cada banco seja distribuído igualmente entre todos os seus funcionários. Da mesma forma, exige a imediata estabilidade no emprego. As recentes fusões (compra do Real pelo Santander e do Unibanco pelo Itaú) e a incorporação da Nossa Caixa ao Banco do Brasil provocaram fechamento de agências e demissões.

Greve unificada
Neste ano, ao contrário dos anteriores, a greve vai começar unificada nacionalmente. Isso vai fortalecer a luta. No entanto, a categoria deve estar atenta. “Não podemos deixar que a direção nacional do movimento desmonte a greve lá na frente”, alerta Ribeiro. “Em determinado momento, vamos ter que separar o movimento entre os bancos públicos e privados”, diz.

A orientação do MNOB é que, mesmo com a negociação fechada com a Fenaban, os bancários dos bancos públicos continuem a luta e a greve pelas reivindicações específicas.
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