Otávio Aranha, Salvador (BA)

Desde a última segunda-feira, dia 5, as cidades baianas retornaram gradualmente ao seu “normal”. Somente ontem (dia 6), foram registrados 3.581 casos de Covid-19 e 122 óbitos. É neste cenário que – tanto o prefeito da capital baiana, Bruno Reis (DEM), quanto o governador do Estado, Rui Costa (PT) – relaxam as parcas medidas de restrição que começaram desde o início de março.

O Brasil já acumula mais de 330 mil perdas pela pandemia. Ontem (6 de abril), tivemos o dia Record de mortes em toda a pandemia: foram 4.221 vidas perdidas para a Covid-19, em 24h. Uma média de 1 morte a cada 20 segundos. No mês de março, o país se tornou o local onde o número de mortos pela doença mais avançou no mundo. Isto foi resultado de uma política negacionista do governo federal, que desde o início da pandemia luta contra as orientações dos pesquisadores e chegou ao cúmulo de atrasar a compra de vacinas, o que provocou um verdadeiro genocídio, principalmente entre indígenas, negros e mulheres. Mas se devemos, tranquilamente, chamar Bolsonaro de genocida, os governadores e prefeitos não ficam muito atrás, pois eles também são responsáveis pelo combate à pandemia em suas regiões.

Na cidade de Salvador e no conjunto da Bahia, em nenhum lugar foi adotado a principal medida recomendada por epidemiologistas: um lockdown geral de no mínimo 15 dias. O fechamento do comércio e as restrições de fins de semana de Rui Costa e Bruno Reis não impediram as aglomerações em pontos de ônibus e coletivos, que seguiram tão lotados como antes. Motoristas de ônibus, cobradores, operários da indústria, porteiros de condomínios e todos os que foram obrigados a trabalhar, porque o prefeito e governador não decretaram um lockdown de verdade, ficaram sujeitos ao risco de contaminação e de morte pela Covid-19.

O resultado de tais medidas pode ser avaliado pelos números: se no dia 01 de março foram registrados 2.020 novos casos da doença na Bahia, no dia 01 de abril, antes do feriadão, foram 4.797 novos registros de contaminados pelo coronavírus. As lágrimas de Rui Costa na TV e o esforço de Bruno Reis para lacrimejar nas entrevistas também não podem esconder os 3.212 baianos que perderam a vida, apenas mês de março. No que pese o tom de preocupação dado por estes governantes, diferente do desdém de Bolsonaro, o fato é que tanto Rui Costa quanto Bruno Reis são também responsáveis por este genocídio em curso.

A Bahia já contabiliza quase 16 mil mortes desde o início da pandemia e atualmente possui 14 mil casos ativos da doença. Segundo informações da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), dos 1.503 leitos existentes de UTI adulto, 1.273 encontram-se ocupados no momento que escrevemos este texto, o que representa 85% de taxa de ocupação. Em Salvador, o índice de ocupação geral é de 75%, o que é considerado alto. Nas UTIs da capital baiana, a ocupação está em 82%. Neste momento, 114 pessoas aguardam internação de UTI em todo o Estado. É neste cenário tenebroso que Rui Costa e Bruno Reis, em comum acordo, relaxam as medidas contra o isolamento social, liberando o retorno de serviços não essenciais de forma escalonada, com a abertura de shoppings, bares e restaurantes ao longo da semana.

Foto: Bruno Concha /Secom PMS

Auxilio financeiro e vacina para todos, já!

Para combater a pandemia, frente a insuficiente quantidade de doses de vacinas hoje disponíveis no Brasil, é necessário um lockdown geral, como medida essencial para conter a taxa de transmissão do vírus e, deste modo, aliviar a pressão sobre o sistema de saúde. Mas nunca foi aplicado um lockdown de verdade na Bahia.

Bem como, nunca foi garantido um auxílio financeiro suficiente, o que impediria que os trabalhadores e as pequenas empresas não colocassem em risco os empregos e o direito à vida, pois não é possível ficar em casa sem comida e com contas para pagar.

É necessário garantir o isolamento social de todos os trabalhadores não essenciais, de porteiros de condomínios a ambulantes. Mas para isso, é preciso garantir um auxílio emergencial da prefeitura e do governo do Estado, além do já existente do governo federal, que foi suspenso no início do ano e retorna agora com um valor muito menor. O que só demonstra a irresponsabilidade do presidente genocida. Dinheiro tem, é precisa arrancar daqueles que enriqueceram com o fruto do trabalho e o suor da classe trabalhadora. É preciso taxar as grandes fortunas dos burgueses parasitas, que seguem enriquecendo ainda mais em meio à pandemia, enquanto milhões passam fome em nosso país.

Mas, ao invés de atacar os privilégios dos ricos e dos ex senhores de escravos, hoje capitalistas, Bruno Reis e Rui Costa preferem liberar as aglomerações dos trabalhadores nos ônibus e coletivos, permitindo que o vírus circule e cause novas fatalidades. Isto é, cedem a pressão e fazem o jogo dos grandes capitalistas, que estão preocupados em ficar cada vez mais ricos, a custa da vida dos trabalhadores.

Temos que lutar contra esse descaso com a vida do povo pobre e trabalhador. Temos que lutar por um lockdow de verdade e auxílio emergencial de um salário mínimo. Junto a isso, exigir vacinas para todos, já. A vacinação tem que avançar. Temos que exigir a quebra das patentes, é preciso enfrentar o imperialismo e as empresas farmacêuticas internacionais que estão lucrando como nunca. Com a quebra da patente, o Butantan e a Fiocruz poderiam fabricar milhões de doses por dia, mas a produção é lenta porque depende de insumos feitos pelo laboratório chinês Sinovac.

Para o PSTU, reabrir o pouco do que estava fechado, em meio ao avanço do número de casos e de mortes, e da suspensão da vacinação, como está acontecendo em Salvador e em várias cidades baianas, é genocídio. Isso é colocar o lucro acima da vida. Sim, Rui Costa e Bruno Reis também são responsáveis por estas mortes, por isso, são co-genocidas.

– Em defesa da vida, lockdow de verdade e auxílio emergencial no valor de um salário mínimo;
– Quebrar as patentes, para garantir vacinação em massa;
– Fora Bolnaro e Mourão, genocidas!
– Rui Costa (PT) e Bruno Reis, chega, parem de colocar o lucro acima da vida. Vocês também são responsáveis por estas mortes, por isso, são co-genocidas!