BA: Exército isola policiais grevistas e intimida familiares

Cordão de isolamento do Exército
Raíza Rocha

Exército corta eletricidade e água de prédio ocupado e impede a entrada de água ou alimentosO clima de tensão permanece na Assembleia Legislativa da Bahia, ocupado por policiais militares em greve desde o último dia 31. Cerca de 350 policiais estão agora confinados dentro do prédio e cercado por soldados do Exército. A luz e a água foram cortados e a entrada de alimentos ou água foi impedida pela Força Armadas. A qualquer momento eles podem invadir o prédio para cumprir determinação do governo baiano.

Do lado de fora, algo como mil pessoas permanecem em vigília em apoio aos policiais, a maioria famíliares dos grevistas. Dois grandes cordões colocados pelo Exército isolam a área. O primeiro impede que mais pessoas se juntem aos familiares. O segundo isola o próprio prédio da Assembleia. Na tarde dessa segunda-feira o Exército tentou instalar tapumes de zinco para bloquear a visão do prédio e de uma possível desocupação, mas foi impedido pelos policiais e familiares.

“Estou aqui para apoiar meu pai”, conta Eduardo Matheus, de 18 anos. Seu pai é um dos policiais confinados no prédio. Ex-jogador de futebol, chegou a jogar no Peru, mas teve que largar a profissão por causa de uma contusão na perna e passou a integrar os quadros da corporação para se manter. A mulher do PM, Maria Rita, e a filha de apenas 10 anos também acompanhavam a movimentação do lado de fora da Assembleia. “Nosso medo maior é que o pai dos meus filhos seja morto lá dentro”, afirma.


Matheus e a mãe, Maria Rita

Do lado de fora, eles conseguem ver o policial acenar e erguer seu punho em uma das janelas do prédio da Assembleia e se emocionam.

Intimidação
Na parte da manhã ocorreu o primeiro confronto entre Exército e policiais. Bombas de gás e tiros de bala de borracha foram disparados contra os grevistas quando um grupo tentou entrar na Assembleia. Soldados do Exército miravam a boca dos policiais. Vários ficaram feridos.

Horas depois, a tensão não havia acabado. Além dos constantes vôos rasantes do helicóptero do Exército, os policiais e familiares sofrem com a intimidação dos soldados, que apontam seus fuzis para ameaçarem até as as crianças. “O governo Wagner é um ditador e eu espero que ele tenha consciência do que está fazendo aqui”, revolta-se Maria.

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