Ato reuniu lideranças de seis cidades mineradores, em defesa do emprego

Lideranças da região do Alto Paraopeba reuniram-se em Congonhas (MG)Foi realizado no dia 9 de janeiro em Congonhas (MG), por iniciativa do Fórum Regional contra as demissões do Alto Paraopeba, do qual se destaca o Sindicato Metabase de Congonhas, um ato público contra as demissões e em defesa do emprego. Dentre as 250 autoridades e dirigentes de movimentos sociais presentes ressaltamos a participação de 6 prefeitos da região mineradora do Alto Paraopeba (Congonhas, Conselheiro Lafaiete, Ouro Branco, Entre Rios de Minas, Belo Vale e São Brás do Suaçuí), os Deputados Estaduais Padre João (PT) e Carlinhos Moura (PCdoB), vários vereadores e todo o movimento social da região (pastorais, sindicatos e associações comunitárias), além da Conlutas-MG e de sindicatos e movimentos sociais de Belo Horizonte e outras regiões do estado.

O ato discutiu a crise econômica e seus efeitos para os trabalhadores e para as cidades mineradoras e votou o indicativo de realizar uma manifestação de rua (com data à combinar). O impulso à criação de outros fóruns regionais, um Fórum Nacional e um pedido de audiência com o Presidente Lula e com o governador de Minas Gerais Aécio Neves para se cobrar destes ações que resguarde direitos aos trabalhadores, também foram deliberações deste evento.

A unidade de ação em defesa do emprego tem produzido grande repercussão social, a exemplo da paralisação em Itabira no dia 8 de janeiro.

Os sindicatos Metabase de Congonhas e Itabira logo perceberam que os efeitos da crise não atingiam apenas as minas, nem mesmo apenas o chamado “mundo do trabalho”. As prefeituras das cidades mineradoras viram sua arrecadação caírem (em um momento onde Congonhas e outras cidades foram arrasadas por enchentes), os comerciantes venderam muito abaixo do esperado devido ao medo do desemprego, as associações comunitárias perceberam que o povo se preocupava com as demissões. Frente a essa realidade, a tática dos sindicatos foi unificar na ação todos aqueles que tinham algum interesse em impedir as grandes empresas de demitir em fóruns e frentes de mobilização (criando a Frente em Defesa do Emprego de Itabira e região e o Fórum Regional contra as demissões do Alto Paraopeba).

As empresas, por outro lado, começaram a divulgar internamente e na imprensa que a única alternativa era aceitar a redução de direitos, que seria um “mal menor” frente às demissões. A Vale organizou sua campanha em torno da proposta da “suspensão de contratos” e realização de férias coletivas, enquanto a CSN (dona da Mina Casa de Pedra em Congonhas) propôs a implantação do banco de horas, a substituição do turno de seis horas para o de oito e a redução de todos os benefícios para o mínimo previsto pela CLT.

Os efeitos da mobilização unitária foram imediatos. A Vale iniciou uma campanha na imprensa defendendo seu papel social e negando as demissões, e a gerência da Mina Fábrica (Congonhas), que pretendia fechar por 5 meses a pelotização, comunicou que a duração será inferior e que esses trabalhadores serão realocados, e não demitidos. A CSN, que havia oferecido um prazo até o dia 10 de janeiro para que o sindicato aceitasse a redução de direitos, divulgou internamente que a proposta não será aplicada pelo menos até março.

Apesar dessas vitórias, sabemos que elas são efêmeras. E as palavras das empresas podem ser quebradas a qualquer momento – principalmente com o aprofundamento da crise econômica. Por isso, segue a luta contra as demissões e a retirada de direitos, e os fóruns continuam se mobilizando mostrando que a nossa única alternativa é a resistência.