Ato fascistoide e assassino de empresas de transporte deve ser impedido já!

Dezenas de caminhões fecharam, nesta segunda-feira, 11, as duas faixas da Avenida Paulista contra as medidas de quarentena instituídas pelos governos Doria e Covas (ambos do PSDB). Medidas, diga-se de passagens, insuficientes para evitar a propagação do vírus no estado que é o atual epicentro da doença no Brasil, com quase 4 mil mortes e o sistema público perto do colapso na Grande São Paulo.

Segundo a imprensa, algumas dezenas de caminhões ocuparam três quadras, fechando as duas vias da Avenida. A grande maioria seria de empresas, desrespeitando todas as medidas de isolamento social, provocando aglomeração, bloqueio de vias a hospitais e demais serviços de saúde. Ao contrário de protestos de trabalhadores, como professores ou de estudantes contra o aumento das passagens do transporte público, a Polícia Militar nem cogitou o uso de qualquer tipo de medida de força “proporcional”, apenas conversou com os “manifestantes” e ouviu calada toda sorte de impropérios.

O bloqueio se manteve por toda a tarde e, por fim, os caminhões se retiraram por livre e espontânea vontade, fazendo ainda uma carreata na Marginal do Tietê, e provocando novo congestionamento.

Esse tipo de manifestação fascistoide, claramente influenciada pelas empresas de transporte, deve ser fortemente repudiada. Trata-se de um ato de provocação, assassino, agitado pelo presidente Bolsonaro e a sua política genocida de acabar com qualquer tipo de quarentena e “deixar morrer” para proteger os lucros dos grandes empresários e banqueiros. Enquanto os caminhões bloqueavam as avenidas contra a quarentena, Bolsonaro anunciava decreto estabelecendo os novos “serviços essenciais”: salões de beleza, barbearia e academias. Um verdadeiro escárnio.

É preciso não só repudiar esse ato de provocação fascistóide, é preciso responsabilizar seus organizadores, impor pesadas multas às empresas que estão por trás disso, expropriando seus veículos e colocando na cadeia esses bandidos que, inspirados diretamente pelo discurso de Bolsonaro, ameaçam a vida da população.

A grande massa dos caminhoneiros, por outro lado, formada por trabalhadores ou donos de seus próprios veículos, e pequenos proprietários, precisa ter assegurada sua sobrevivência nesta pandemia, garantindo o funcionamento dos serviços essenciais e o transporte de insumos médicos, alimentos e demais produtos de primeira necessidade. O que, evidentemente, não foi o foco da famigerada manifestação que ocorreu na Paulista.

Essa “carreata” vem na esteira de outros atos de provocação da ultra-direita, como o acampamento em Brasília que oferece “treinamento militar” contra a esquerda, e as sistemáticas agressões de bolsonaristas contra qualquer um que vá contra o presidente facínora.

Bolsonaro impõe sua política genocida, inclusive fazendo de tudo para que o auxílio emergencial não chegue a quem precisa, e forçando a volta ao trabalho de qualquer jeito, a fim de jogar a população, os trabalhadores e os mais pobres contra as insuficientes medidas de isolamento social impostos nos estados. É um cálculo político eleitoreiro e econômico (para os ricos) que usa os pobres e parte da classe média como bucha de canhão. Por isso, a cada dia que passa no poder, significa mais mortos pela pandemia. Fora Bolsonaro e Mourão!