Ato em Aracaju repudia covardia contra o Pinheirinho

O grito em repúdio à covardia contra a população do Pinheirinho foi dado também em Aracaju (SE). Dezesseis sindicatos, movimentos sociais e partidos de esquerda, na última sexta-feira, 03, em apoio às famílias despejadas. Dentre eles, o PSTU e a CSP Conlutas. A manifestação exigiu que a presidenta Dilma desapropriasse o terreno que hoje pertence à massa falida de uma das empresas do especulador Naji Nahas. A deputada estadual Ana Lúcia (PT), da Articulação de Esquerda, também esteve presente e registrou o seu apoio à luta do Pinheirinho.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) esteve representado no ato. “São milhões de pessoas sem casa e sem terra no Brasil. Isso é inaceitável. E quando essas pessoas vão à luta, a burguesia manda a sua polícia para reprimir. Não podemos nos calar e temos que exigir que autoridades que tomem providências. É correto exigir da presidenta Dilma a desapropriação do terreno”, declarou Gileno, membro da direção estadual do MST.

Desabrigados
Nos adesivos distribuídos à população, a mensagem “somos todos Pinheirinho”. “A falta de casas e a repressão ao movimento de moradia também são problemas muito sentidos pelos sergipanos”, afirmou Vera Lúcia, presidente do PSTU sergipano. A manifestação também reivindicou da Prefeitura de Aracaju a entrega de casas para todas as pessoas que ela desabrigou.

Vera lembrou das 105 famílias do bairro Santa Maria tiveram seus barracos derrubados pela Prefeitura e foram agredidas pela Polícia Militar e Guarda Municipal durante o período das chuvas no meio do ano passado. “Lá em São Paulo, o governador do PSDB, Geraldo Alkimin sujou as mãos com o sangue dos adultos e crianças do Pinheirinho, mas aqui, os partidos responsáveis por agredir e deixar o povo pobre sem casa são o PCdoB do prefeito Edvaldo Nogueira, e o PT do governador Marcelo Déda”, destacou. A esse episódio de agressão do estado se somam outros como a retirada das famílias do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (MOTU) que foram brutalmente agredidas pela polícia quando ocuparam o Kartódromo da Avenida Maranhão, em Aracaju.

Pinheirinhos sergipanos
Vera Lúcia também mora em uma ocupação. O Condomínio Manhatan foi abandonado na década de 1990 depois de que a construtora responsável pelo empreendimento tomou os imóveis dos moradores por falta de pagamento. Os prédios vazios foram ocupados. Ele mudou de nome. Virou Condomínio 5 de Agosto, data da ocupação. Os blocos receberam nomes de lutadores e lutadoras. Vera estava na luta com diversos outros ativistas e hoje mora no bloco Karl Marx. Em 2008, uma ação judicial ameaçou os moradores do 5 de Agosto de despejo, mas a situação foi contornada e hoje o processo de regularização está bastante avançado.

Também esteve na manifestação outro exemplo vivo da luta por um lugar para viver. Dona Faraídes, da Associação de Moradores do Ladeirinho, ocupação do município sergipano de Japoatã. A senhora de mais de 70 anos de idade não pode deixar de se solidarizar com o Pinheirinho. “Eu também sei o que é enfrentar muito sufoco pra ter meu pedacinho de chão. A gente sofre muito, não tem certeza se vai conseguir alguma coisa. Mas eu digo uma coisa: Sempre vale a pena ir à luta”, arrematou.